In Evangelho do dia

20Pedro, voltando-se, vê vir atrás deles o discípulo que Jesus amava, esse precisa­mente que se havia inclinado, na ceia, sobre o Seu peito e Lhe perguntava: «Senhor, quem é que Te vai entregar?» 21Ao vê-lo, pois, disse Pedro a Jesus: E este, Senhor? Responde-lhe Jesus: Se Eu quiser que Ele fique até Eu vir, que tens com isso? Tu, segue-Me. 23Correu, pois, entre os irmãos o boato de que esse discípulo não morreria. Jesus, porém, não disse a Pedro: «ele não morre», mas sim: «se eu quiser que ele fique até Eu vir, que tens com isso?»

24É esse o discípulo que dá testemunhe destas coisas e as escreveu; e nós sabemos que é verídico o seu testemunho. 25Há ainda muitas outras coisas feitas por Jesus. Se elas se escrevessem uma a uma, penso que nem o próprio mundo poderia conter os livros que se tinham de escrever.

Comentário

20-23. Segundo Santo Ireneu (Adversus haereses, II, 22,5; III, 3,4) São João viveu mais tempo que os outros Apóstolos, chegando aos tempos de Trajano (anos 98-117). Talvez o Evangelista tenha escrito estes versículos para desfazer aquela opinião de que ele não morreria. Segundo o texto, Jesus não responde à pergunta de Pedro. O importante não é satisfazer a curiosidade acerca do futuro, mas servir com fidelidade o Senhor seguindo o caminho que a cada um lhe marca.

  1. Apela-se para o testemunho do discípulo «que Jesus amou» como garantia da veracidade de quanto se escreveu desde o começo do livro. Tudo o que este Evangelho dirá deve ser retido pelos leitores como absolutamente verídico.

Muitos comentaristas modernos supõem que os versí­culos 24 e 25 foram acrescentados por discípulos do Apóstolo, como conclusão ao Evangelho, quando começou a difundir-se, pouco depois de Sáo João o ter acabado. Em qualquer dos casos, o facto é que ambos os versículos apare­cem em todos os manuscritos existentes do quarto Evangelho.

  1. O que São João nos narrou sob a inspiração do Espírito Santo tem uma finalidade: fortalecer a nossa fé em Jesus Cristo mediante a consideração do que Ele fez e ensinou. Nunca esgotaremos o rico e insondável conteúdo da figura de Nosso Senhor, como também o não esgota o quarto Evangelho. «Quando ‘alguém começa a interessar-se por Jesus Cristo já não O pode deixar. Sempre fica algo para saber, algo para dizer; fica o mais importante. São João Evangelista termina o seu Evangelho precisamente assim (Ioh 21,25). É tão grande a riqueza das coisas que se referem a Cristo, tanta a profundidade que temos de explorar e procurar compreender (…), tanta a luz, a força, a alegria, o anelo que d’Ele brotam, tão reais são a experiência e a vida que d’Ele nos vem, que parece inconveniente, anticientífico, irreverente, dar por terminada a reflexão que a Sua vinda ao mundo, a Sua presença na história e na cultura, a hipótese, por não dizer a realidade da Sua relação vital com a nossa própria consciência, honestamente exige de nós» (Audiência geral Paulo VI, 20-11-1974).
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