In Evangelho do dia

31Então os Judeus, visto ser a Preparação, para os corpos não ficarem na cruz ao sábado, pois era um grande dia aquele sábado, pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Vieram, pois, os soldados e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com Ele. 33Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas, 34mas um dos soldados perfurou-Lhe o lado com uma lança e logo saiu sangue e água. 35Aquele que o viu é que o atesta, e é verdadeiro o seu testemunho; ele sabe que diz a verdade, para vós também acreditardes. É que isto sucedeu para se cumprir a Escritura: Nem um só dos seus ossos se há-de quebrar! 37Diz ainda outro passo da Escritura: Hão-de olhar para Aquele que trespassaram!

Comentário

31-32. Jesus morre no dia da preparação da Páscoa — Parasceve —, isto é, na véspera, quando no Templo eram imolados oficialmente os cordeiros pascais. Ao sublinhar esta coincidência o Evangelista insinua que o sacrifício de Cristo substituía os sacrifícios da antiga Lei e inaugurava a Nova Aliança no Seu sangue (cfr Heb 9,12).

A Lei de Moisés mandava que os justiçados não permanecessem pendurados do madeiro ao chegar a noite (Dt 21,22-23); por isso os judeus pedem a Pilatos que lhes quebrem as pernas para acelerar a morte e podê-los enterrar antes do anoitecer, sobretudo porque no dia seguinte era a solenidade da Páscoa.

Sobre a data da morte de Jesus veja-se Data da Morte, pp. 82 ss.

34, Este facto tem uma explicação natural. O mais provável é que a água que saiu do lado de Cristo fosse o líquido pleural acumulado por causa dos tormentos.

Como noutras ocasiões, o quarto Evangelho, nos factos históricos que narra, contém um significado profundo. Santo Agostinho e a tradição cristã vêem brotar os sacramentos e a própria Igreja do lado aberto de Jesus: «Ali abria-se a porta da vida, donde manaram os sacramentos da Igreja, sem os quais não se entra na verdadeira vida (…). Este segundo Adão adormeceu na cruz para que dali fosse formada uma esposa que saiu do lado d’Aquele que dormia. Oh morte que dá vida aos mortos! Que coisa mais pura que este sangue? Que ferida mais salutar que esta?» (In Ioann. Evang., 120,2). Por sua vez o Concilio Vaticano II ensinou: «A Igreja, ou seja, o Reino de Cristo já presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus. Tal começo e crescimento exprimem-nos o sangue e a água que manaram do lado aberto de Jesus crucificado» (Lumen gentium, n. 3).

«Cristo na Cruz, com o Coração trespassado de Amor pelos homens, é uma resposta eloquente — as palavras não são necessárias — à pergunta sobre o valor das coisas e das pessoas. Pois valem tanto os homens, a sua vida, a sua felicidade, que o próprio Filho de Deus Se entrega para os remir, para os purificar, para os elevar!» (Cristo que passa, n.° 165).

  1. O Evangelho de São João apresenta-se como um testemunho veraz acerca dos acontecimentos da vida do Senhor e do seu significado doutrinai e espiritual. Desde as palavras de João Baptista no começo do ministério público de Jesus (1,19) até ao parágrafo conclusivo do Evangelho (21,24-25), tudo fica enquadrado num testemunho da realidade sublime do Verbo de Vida feito carne. Aqui o Evangelista explicita a sua condição de testemunha directa (cfr também Ioh 20,30-31; 1Ioh 1,1-3).
  2. Esta citação alude ao preceito da Lei de não quebrar nenhum osso ao cordeiro pascal (cfr Ex 12,46). Uma vez mais o Evangelho de São João ensina-nos que Jesus é o verdadeiro Cordeiro pascal que tira o pecado do mundo (cfr Ioh 1,29).
  3. O relato da Paixão termina com a citação de Zach 12,10, que preanunciava a salvação pelo sofrimento e morte misteriosos de um Redentor. O Evangelista evoca com este texto profético a salvação realizada por Jesus Cristo que, pregado na Cruz, cumpriu a promessa divina de redenção (cfr Ioh 12,32). Todo aquele que O contemple com fé recebe os frutos da Sua Paixão. Assim, o bom ladrão, contemplando Cristo na Cruz, reconheceu a Sua realeza, pôs n’Ele a sua confiança e recebeu a promessa do Céu (cfr Lc 23,42-43).

Na liturgia da Sexta Feira Santa a Igreja convida a contemplar e adorar a Cruz com estas palavras: «Contemplai a árvore da Cruz, onde esteve cravada a salvação do mundo», e desde os primeiros tempos da Igreja o Crucifixo é o sinal que recorda aos cristãos o momento supremo do amor de Cristo que, morrendo, nos livra da morte eterna. «O teu Crucifixo. — Como cristão, deverias trazer sempre contigo o teu Crucifixo. E colocá-lo sobre a tua mesa de trabalho. E beijá-lo antes de te entregares ao descanso e ao acordar. E quando o pobre corpo se rebelar contra a tua alma, beija-o também» (Caminho, n.° 302).

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