In Evangelho do dia

12Jesus falou-lhes novamente, nestes termos: Eu sou a Luz do mundo. Quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida. 13Disseram-Lhe então os Fariseus: Tu dás testemunho de Ti mesmo: o Teu testemunho não é verídico! 14Respondeu-lhes Jesus: Ainda que Eu dê testemunho de Mim mesmo, é verídico o Meu testemunho, porque sei donde vim e para onde vou! Vós, porém, não sabeis donde venho nem para onde vou. 15Vós julgais segundo a carne, Eu não julgo nin­guém. 16E, ainda que Eu julgue, é verdadeiro o Meu juízo, porque não sou Eu só, sou Eu e o Pai, que Me enviou. 17Ora, na vossa Lei, está escrito que é verídico o testemunho de duas pessoas. 18Sou Eu a dar testemunho de Mim mesmo, e dá testemunho de Mim o Pai, que Me enviou. 19Perguntaram-Lhe então: Onde está Teu Pai? Jesus respondeu: Nem a Mim Me conheceis, nem a Meu Pai. Se Me conhecêsseis, também conheceríeis a Meu Pai.

20Jesus disse estas palavras no tesouro, quando estava a ensinar no Templo. E nin­guém O prendeu, porque ainda não chegara a Sua hora.

Comentário

  1. Começa agora outra disputa entre Jesus e os fari­seus. O cenário é o recinto do Templo, mais exactamente o pátio chamado «átrio das mulheres», que precedia o dos israelitas e o dos sacerdotes, onde estava o altar dos holocaustos (cfr a nota a Lc 1.21).

A ocasião é a mesma festa dos Tabernáculos (cfr Ioh 7,2), na qual, durante a primeira noite, se iluminava intensamente o átrio das mulheres com quatro enormes lâmpadas que davam certa claridade por toda Jerusalém. Com isso recordava-se a nuvem luminosa, sinal da presença de Deus, que guiou os Israelitas pelo deserto à sua saída do Egipto. Foi provavelmente nesta festa que Jesus falou de Si mesmo como «a Luz». Por outro lado, a imagem da luz é freqüente no Antigo Testamento para designar o Messias: o profeta Isaías predisse que uma grande luz iluminaria os povos que estavam mergulhados em trevas, começando pelas tribos do Norte (Is 9,1-6; cfr Mt 4,15-16); que o Messias havia de ser não só o Rei de Israel, mas luz das gentes (Is 42,6; 49,6); e David falava de Deus como luz que ilumina a alma do justo e lhe dá fortaleza (Ps 27,1). Esta imagem era, pois, muito conhecida no tempo de Jesus Cristo: empregam-na Zacarias (Lc 1,78) e o velho Simeão (Lc 2,30-32) para manifestar a sua alegria ao ver que se estavam a cumprir as profecias antigas.

O Senhor aplica a Si mesmo esta imagem sob um duplo aspecto: é luz que ilumina a inteligência por ser a plenitude da Revelação divina (cfr Ioh 1,9.18); e é também luz que ilumina o interior do homem para que possa aceitar essa Revelação e fazê-la vida sua (cfr Ioh 1,4-5). Jesus pede, portanto, que O sigam para chegarem a ser filhos da luz (cfr Ioh 12,36), embora saiba que muitos O rejeitarão para que não sejam descobertas as suas obras más (cfr Ioh 3,20).

«Vede, pois, a conformidade perfeita entre as palavras do Senhor e o que diz o Salmo: ‘Em ti está a fonte da vida, e com a tua luz veremos a luz’ (Ps 36,10). O salmista une a luz com a fonte da vida, e o Senhor fala de uma ‘luz de vida’. Quando temos sede, buscamos uma fonte, quando estamos às escuras, buscamos uma luz (…). Com Deus é diferente: é a luz e é a fonte. Aquele que te ilumina para que vejas, esse mesmo é o manancial para que bebas» (In Ioann. Evang., 34,6).

13-18.   Os fariseus procuram desvirtuar a força dos argumentos de Jesus: segundo eles apoia-Se apenas sobre a Sua própria palavra, e ninguém dá testemunho válido em seu próprio favor; portanto, o Seu testemunho não tem força alguma, pensam eles.

Numa circunstância parecida (cfr Ioh 5,31 ss.), Jesus tinha aduzido um quádruplo testemunho em Seu favor: a pregação de João Baptista, os milagres que Ele mesmo realizava, as palavras do Pai no momento do Baptismo no Jordão, e a Sagrada Escritura. Aqui Jesus afirma o valor do Seu teste­munho (v. 14) porque está unido ao do Pai. Isto equivale a dizer que o Seu testemunho é mais que um testemunho humano. «Fala para dizer que vem de Deus, que é Deus, e que é Filho de Deus, mas não o diz abertamente, porque une sempre a humildade com a profundidade. Deus merece que se tenha fé n’Ele» (Hom. sobre S. João, 51).

  1. Os fariseus, que resistiam a admitir a origem divina de Jesus, pedem agora uma prova que confirme a veracidade das Suas palavras. A .pergunta que fazem a Jesus é insidiosa e mal-intencionada, pois eles pensam que não lhes pode mostrar o Pai.

Conhecer Jesus, ou seja, crer n’Ele e aceitar o mistério da Sua divindade, é conhecer também o Pai. Ioh 12,44-45 repete o mesmo ensinamento com outras palavras. Neste mesmo sentido dirá o Senhor a Filipe em tom de censura: «Há tanto tempo que estou convosco e não me conhecestes? Aquele que Me viu a Mim viu o Pai» (Ioh 14,9). Jesus é a manifestação visível de Deus invisível, a revelação máxima e definitiva de Deus aos homens (cfr Heb 1,1-3). Jesus Cristo «com toda a Sua presença e manifestação da Sua pessoa, com palavras e obras, sinais e milagres, e sobretudo com a Sua morte e gloriosa ressurreição, enfim, com o envio do Espírito de verdade, completa totalmente e confirma com o testemunho divino a revelação, a saber, que Deus está connosco para nos libertar das trevas do pecado e da morte e para nos ressuscitar para a vida eterna» (Dei Verbum, n. 4).

  1. «Tesouro» ou «gazofilácio»: Era como a caixa das esmolas das nossas igrejas, e achava-se situado no átrio das mulheres. Para mais pormenores veja-se a nota a Lc 21,1-4.
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