In Evangelho do dia

34Ao desembarcar, viu uma grande multidão e condoeu-Se dela, por­que eram como ovelhas sem pastor, e come­çou a ensinar-lhes muitas coisas. 35Quando a hora ia já muito adiantada, chegaram-se a Ele os discípulos e disseram-Lhe: Este lugar é deserto e a hora vai adiantada; 36despede-os, para que vão aos campos e aldeias circunvizinhas comprar alguma coisa de comer. 37Mas Ele respondeu-lhes: Dai-lhes vós mesmos de comer. Tornaram-Lhe eles: Queres então que vamos comprar duzentos dinheiros de pão para lhes darmos de comer? 38E Ele: Quantos pães tendes? Ide ver. Infor­maram-se e disseram-Lhe: Cinco e dois peixes.

39Ordenou-lhes então que os mandassem sentar a todos, em grupos, sobre a relva verde. 40E eles sentaram-se, repartidos em grupos de cem e de cinquenta.41 Então tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu, pronunciou a fórmula da bênção, partiu os pães e ia-os dando aos discípulos para que lhos servissem e repartiu também os dois peixes por todos. 42Comeram todos, até se saciarem. 43E recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de restos dos peixes. 44Ora os que tinham comido dos pães eram cinco mil homens.

Comentário

  1. 34. O Senhor fez planos para descansar algum tempo, juntamente com os Seus discípulos, das absorventes tarefas apostólicas (Mc 6, 31-32). Mas não os pode levar a cabo pela presença de um grande número de gente que acorre a Ele ávida da Sua palavra. Jesus Cristo não só não Se aborrece com eles, mas sente compaixão ao ver a necessidade espiritual que têm. «Morre o Meu povo por falta de doutrina» (Os 4, 6). Necessitam de instrução e o Senhor quer satisfazer esta necessidade por meio da pregação. «A fome e a dor comovem Jesus, mas sobretudo comove-O a ignorância» (Cristo que passa, °109).
  2. O salário normal de um jornaleiro era um denário. Os discípulos devem ter pensado, portanto, que era pouco menos que impossível cumprir a ordem do Mestre, pois não levariam consigo tanto dinheiro.
  3. 41. Este milagre é uma figura da Santíssima Eucaristia: Cristo realizou-o pouco antes da promessa deste sacramento (cfr Ioh 6, 1 ss.), e é constante esta doutrina nos Santos Padres. No milagre Jesus dá prova do Seu poder sobrenatural e do Seu amor aos homens. Poder e amor que tornarão também possível que o único Corpo de Cristo esteja presente nas espécies consagradas, para alimentar as multidões dos fiéis através da história. Como se diz na sequência que compôs São Tomás de Aquino para a Missa do Corpus Christi:«Sumit unus, sumunt mille; quantum isti, tantum ille, nec sumptus consumitur» (Quer O tome um ou O tomem mil, tomam o mesmo estes que aquele, não se esgota por ser tomado).

O próprio gesto do Senhor — elevar os olhos ao céu — é recordado pela Liturgia da Igreja no cânon romano da Santa Missa: «Et elevatis oculis in caelum, ad Te Deum Patrem suum omnipotentem...». Ao recordá-lo preparamo-nos para assistir a um milagre maior que a multiplicação dos pães: a conversão do pão no Seu próprio Corpo, que é oferecido sem medida como alimento a todos os homens.

42-44. Cristo quis que fossem recolhidas as sobras da­quela refeição (cfr Ioh 6, 12), para que aprendamos a não esbanjar os bens que Deus nos dá e para que servisse como prova tangível do milagre realizado.

A recolha do que sobrou é um modo pedagógico de nos mostrar o valor das coisas pequenas feitas com amor de Deus: a ordem nos pormenores materiais, a limpeza, o acabar as tarefas até ao fim. Também a alma crente se compraz em adivinhar neste facto o sumo cuidado na reserva das espécies eucarísticas.

Por outro lado, o esplendor do milagre é uma mostra da plenitude messiânica. Os Santos Padres fazem notar que Moisés distribuía «o maná» segundo as necessidades de cada um, de modo que o que sobrava se enchia de vermes (Ex 16, 16-20). Elias deu à viúva o que era indispensável para o seu sustento (1Reg 17, 13-16). Jesus, porém, dá com generosidade, com abundância.0

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