Evangelho do dia 07.05.2017 – Jo 10, 1-10 – Leia o Evangelho de hoje

Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra pela porta no recinto das ovelhas, mas sobe por outro lado, esse é ladrão e salteador. 2Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3É a esse que o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as suas ovelhas pelos nomes e leva-as para fora. 4Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, põe-se a caminho à sua frente e as ovelhas seguem-no, porque lhe conhecem a voz. 5A um estranho, porém, não o seguirão, mas hão-de fugir dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.

6Tal foi o paralelo que Jesus lhes expôs. Eles, porém, não entenderam o que lhes estava a dizer.

7Jesus continuou: Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. 8Todos quantos vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. 9 Eu sou a porta. Se alguém entrar por Mim, estará salvo; há-de entrar e sair, e achará pastagem. 10O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para terem a vida e a terem abundantemente.

Comentário

1-18. A imagem do Bom Pastor evoca um tema preferido da pregação profética no Antigo Testamento: o povo escolhido é chamado o rebanho, e Yahwéh é seu pastor (cfr Ps 23). O nome de pastores aplicava-se também aos reis e aos sacerdotes. Jeremias dirige uma dura ameaça a estes pastores que deixam que se percam as ovelhas, e promete em nome de Deus novos pastores que de verdade apascentem as ovelhas de modo que nunca mais sejam angustiadas nem afligidas (cfr 23,1-6; cfr também 2,8; 3,15; 10,21; Is 40,1-11). Ezequiel censura os pastores pelos seus delitos e pela sua preguiça, pela avidez e pelo esquecimento dos seus próprios deveres: Yahwéh tirar-lhes-á o rebanho e Ele mesmo cuidará das Suas ovelhas. Mais ainda: suscitará um Pastor único, descendente de David, que as apascentará, e estarão seguras (Ez 34). Jesus apresenta-Se como esse Bom Pastor que cuida das Suas ovelhas, busca a extraviada, cura a ferida e carrega aos ombros a extenuada (cfr Mt 18,12-14; Lc 15,4-7), cumprindo-se n’Ele as antigas profecias.

A arte cristã inspirou-se cedo nesta figura comovente do Bom Pastor e deixou assim representado o amor de Cristo por cada um de nós.

Além do título de Bom Pastor, Cristo aplica-Se a Si mesmo a imagem da porta pela qual se entra no aprisco das ovelhas que é a Igreja. «A Igreja — ensina o Concilio Vaticano II — é o redil, cuja única porta e necessário pastor é Cristo (cfr Ioh 10,1-10). É também o rebanho do qual o próprio Deus predisse que seria o pastor (cfr Is 40,11; Ez 34,11-15), e cujas ovelhas, ainda que governadas por pastores humanos, são contudo guiadas e alimentadas sem cessar pelo próprio Cristo, bom pastor e príncipe dos pastores (cfr Ioh 10,11; 1Pet 5,4), o qual deu a vida pelas Suas ovelhas (cfr Ioh 10,11-15)» (Lumen gentium, n. 6).

1-2. Pode prejudicar-se o rebanho caladamente e às escondidas, ou então de forma descarada e com abuso de poder. Os inimigos do rebanho de Cristo — assim o atesta a História da Igreja — empregaram ambos os sistemas: umas vezes introduzem-se no redil ocultando-se para fazer mal a partir de dentro; outras fazem-no de fora, aberta e violentamente. «Quem é o bom pastor? O que entra pela porta da fidelidade à doutrina da Igreja; o que não se comporta como um mercenário, que, ao ver vir o lobo, deixa as ovelhas e foge; e o lobo arrebata-as e faz dispersar o rebanho» (Cristo que passa, n.° 34).

3-5. Naqueles tempos era costume reunir ao escurecer vários rebanhos num mesmo recinto. Ali permaneciam toda a noite sob a custódia de um guarda. Ao amanhecer, cada pastor abria-lhe a porta e chamava as suas ovelhas, que se incorporavam e saiam do aprisco atrás dele; fazia-lhes ouvir frequentemente a sua voz para que não se perdessem, e caminhava à frente para as conduzir aos pastos. O Senhor faz uso desta imagem, tão familiar aos Seus ouvintes, para lhes mostrar um ensinamento divino: diante de vozes estranhas, é necessário reconhecer a voz de Cristo — actualizada continuamente pelo Magistério da Igreja — e segui-Lo, para encontrar o alimento abundante das nossas almas. «Cristo deu à Sua Igreja a segurança da doutrina, a corrente de graça dos Sacramentos; e providenciou para que haja pessoas que nos orientem, que nos conduzam, que nos recordem constantemente o caminho. Dispomos de um tesouro infinito de ciência: a Palavra de Deus, guardada pela Igreja; a graça de Cristo, que se administra nos Sacramentos; o testemunho e o exemplo dos que vivem com rectidão ao nosso lado e sabem fazer das suas vidas um caminho de fidelidade a Deus» (Cristo que passa, n.° 34).

  1. Cristo, com pedagogia divina, desenvolve e interpreta a imagem do pastor e do rebanho, para que todos os homens, se têm boas disposições, possam chegar a entender. Mas os judeus não entenderam o alcance das palavras do Senhor, como aconteceu quando lhes prometeu a Eucaristia (Ioh 6,41-43) ou lhes falou da «água viva» (Ioh 7,40-43), ou por ocasião da ressurreição de Lázaro (Ioh 11,45-46).
  2. Depois de ter prefigurado a Igreja como um redil, Jesus desenvolve a comparação e chama-Se a Si mesmo «porta das ovelhas». No redil entram os pastores e as ovelhas. Tanto uns como outras hão-de entrar pela porta, que é Cristo. «Eu — pregava Santo Agostinho — querendo chegar até vós, isto é, ao vosso coração, prego-vos Cristo: se pregasse outra coisa, quereria entrar por outro lado. Cristo é para mim a porta para entrar em vós: por Cristo entro não nas vossas, casas, mas nos vossos corações. Por Cristo entro gozosamente e escutais-me ao falar d’Ele. Por quê? Porque sois ovelhas de Cristo e fostes compradas com o Seu Sangue» (In Ioann. Evang., 47,2.3).

8. A severa censura que Jesus faz a quantos vieram antes d’Ele não inclui Moisés, nem os profetas (cfr Ioh 5,39. .45; 8,56; 12,41), nem o Baptista (cfr Ioh 5,33), porque estes anunciaram o futuro Messias e prepararam-Lhe o caminho. A quem alude é aos falsos profetas e enganadores do povo, entre eles alguns doutores da Lei, cegos e guias de cegos (cfr Mt 23,16-24), que impediam ao povo o acesso a Cristo, como o tinham mostrado pouco antes quando da cura do cego de nascença (cfr Ioh 9).