In Evangelho do dia

14E, chamando outra vez o povo, dizia-lhes: Ouvi-Me todos e entendei: 15Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro; mas as coisas que saem do homem, essas é que tornam o homem impuro. 16Quem tem ouvidos para ouvir oiça…

17Quando, ao deixar a multidão, entrou em casa, perguntaram-Lhe os discípulos a significação da parábola. I8E Ele disse-lhes: Também vós sois assim tão pouco inteligentes?! Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode tornar impuro? 19Porque não entra no coração, mas no ventre, e daí sai para lugar escuso. Declarava assim puros todos os alimentos. 20E dizia: O que sai do homem, isso é que torna o homem impuro; 21porque de dentro, do coração dos homens, saem os maus pensamentos, desonestidades, furtos, homicídios, 22adultérios, ambições, maldades, fraude, impudicícia, inveja, blasfêmia, soberba, insensatez. 23Todas estas coisas más procedem do interior e tornam o homem impuro.

Comentário

  1. Alguns códices importantes acrescentam aqui: «Quem têm ouvidos para ouvir oiça…», que corresponderia ao v. 16, que a tradução portuguesa que transcrevemos refere.

18-19. Sabemos pela Tradição que São Marcos foi o intérprete de São Pedro e que ao escrever o seu Evangelho sob a inspiração do Espírito Santo recolheu a catequese do Príncipe dos Apóstolos em Roma.

A visão que teve São Pedro em Joppe (Act 10,10-16) fê-lo entender em toda a sua profundidade este ensinamento do Senhor acerca dos alimentos. O próprio São Pedro o narra ao voltar a Jerusalém, contando a conversão de Cornélio em Joppe: «Então recordei-me da palavra do Senhor» (Act 11,16). O caracter já não obrigatório de tais prescrições de Deus no AT (cfr Lev 11) devia ser algo que São Pedro incluía na sua pregação. Para a interpretação deste texto vid. também a nota a Mt 15,10-20.

20-23. «Na maneira de os homens se exprimirem, que a Sagrada Escritura utiliza para nos dar a entender as coisas divinas, o coração é tido por resumo e fonte, expressão e fundo íntimo dos pensamentos, das palavras, das acções» (Cristo que passa, n.” 164).

A bondade ou malícia, a qualidade moral dos nossos actos não depende do seu caracter espontâneo, instintivo. O próprio Senhor diz-nos que do coração humano podem sair acções pecaminosas.

Tal possibilidade compreende-se, se temos em conta que, depois do pecado original, o homem «foi mudado para pior» segundo o corpo e a alma e, portanto, está inclinado para o mal (cfr De peccato originali). Com as palavras deste passo do Evangelho, o Senhor restitui a moral em toda a sua pureza e interioridade.

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