In Evangelho do dia

14 Então acercam-se d'Ele os discípulos de João e perguntam: Porque é
que nós e os Fariseus jejuamos com frequência e os Teus discípulos não
jejuam? 15 Disse-lhes Jesus: Podem acaso os convidados das bodas entristecer-
se enquanto está com eles o esposo? Dias virão em que o esposo lhes será
tirado, e então jejuarão. 16 Ninguém deita um remendo de pano não pisoado
num vestido velho; aliás, o conserto puxa pelo vestido, e o rasgão torna-se
ainda maior. 17 Nem se deita vinho novo em odres velhos; doutra sorte,
rebentam os odres, derrama-se o vinho, e os odres estragam-se. Mas o vinho
novo deita-se em odres novos, e ambas as coisas se conservam.

Comentário

14-17. O interesse da questão que levanta este passo radica, não em
saber que jejuns praticavam os judeus contemporâneos de Jesus, e em
especial os fariseus e os discípulos de João Baptista, mas em Saber qual é a
razão pela qual Jesus não obriga os Seus discípulos a tais jejuns. A resposta
que dá aqui o Senhor é, ao mesmo tempo, um ensinamento e uma profecia. O
cristianismo não é um mero remendo no antigo traje do judaísmo. A redenção
operada por Cristo implica uma total regeneração. O seu espírito é demasiado
novo e pujante para ser amoldado às velhas formas penitenciais, cuja vigência
caducava.

A história da Igreja primitiva ensina-nos até que ponto os costumes de
alguns cristãos, procedentes do judaísmo, resistiam a entender a
transformação operada por Jesus. É sabido que na época de Nosso Senhor
dominava nas escolas judaicas uma complicadíssima casuística de jejuns,
purificações etc., que afogavam a simplicidade da verdadeira piedade. As
palavras de Jesus apontam para esta (Simplicidade de coração com que os
Seus discípulos devem viver a oração, o jejum e a esmola (cfr Mt 6, 1-18 e
notas correspondentes). Será a Igreja que, desde os tempos apostólicos,
concretizará em cada época, com os poderes que Deus lhe deu, as formas de
jejum, segundo este espírito do Senhor. 15. «Os convidados das bodas»: O
texto original diz literalmente «filhos da casa onde se celebram as bodas», que
é uma expressão típica para designar os amigos mais íntimos do esposo. Deve
sublinhar-se a marcada construção semítica da frase que o Evangelista
conservou na sua fidelidade à expressão original de Jesus.
Por outro lado, esta «casa» a que alude Jesus Cristo tem um profundo
sentido: há que pô-la em relação com a parábola dos convidados para as bodas (Mt 22, 1-14), e simboliza a Igreja como casa de Deus e Corpo de Cristo:
«Moisés, na verdade, foi fiel em toda a casa de Deus, como servo, para dar
testemunho de tudo o que se havia de anunciar. Cristo, porém, é fiel, como
Filho, à frente da Sua própria casa, a qual somos nós, se conservarmos
firmemente até ao fim a confiança e a esperança de que nos gloriamos» (Heb
3, 5-6).
A segunda parte do versículo alude à morte violenta do Senhor.

Recent Posts
Fale conosco

Escreva aqui sua mensagem que responderemos o mais breve possível. Obrigado!

Start typing and press Enter to search