Evangelho do dia 03.08.2017 – Mt 13,47-53 – Leia o Evangelho do dia

47É também semelhante o Reino dos Céus a uma rede lançada ao mar e que apanha toda a sorte de peixes. 48Logo que se enche, tiram–na para a praia, sentam-se e escolhem os bons para as canastras e os ruins deitam-nos fora.49Assim será no fim do mundo: sairão os Anjos, tirarão os maus do meio dos justos 50e lançá-los-ão na fornalha do fogo. Ai haverá choro e ranger de dentes.

51Entendeste tudo isto? Dizem eles: Sim. 52E Ele disse-lhes: Por isso, todo o escriba versado nas coisas do Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.

53E aconteceu que, quando Jesus terminou estas parábolas, partiu dali 54e foi para a sua terra.

Comentário

  1. «Toda a sorte de coisas»: Assim se deve traduzir com a quase totalidade de manuscritos gregos e das versões antigas. Em algumas versões lê-se: «toda a sorte de peixes». A rede de arrasto é muito longa e de uns dois metros de largura; ao estendê-la entre duas barcas forma dentro da água uma parede de dupla ou tripla malha, que ao ser arrastada recolhe, juntamente com toda a sorte de peixes, muitas outras coisas: algas, ervas, diversos objectos…

Na parábola está claramente ensinada a verdade dogmática do juízo: no fim dos tempos Deus julgará e separará os bons dos maus. E significativa a reiterada alusão do Senhor às realidades últimas, especialmente ao juízo e ao inferno; com a Sua divina pedagogia vem ao encontro da facilidade do homem para se esquecer destas verdades. «Todas estas coisas se dizem para que ninguém possa desculpar-se baseado na sua ignorância, que unicamente teria lugar se se tivesse falado com ambiguidade sobre o suplício eterno» (In Evangelia homiliae, 11).

52. «Escriba»: No povo judaico era o homem que se dedicava ao estudo da Sagrada Escritura e à sua aplicação à vida; tinha uma missão de ensino religioso. Aqui o Senhor emprega esta velha palavra para designar os Apóstolos que vão ser os novos mestres na Igreja. Assim, os Apóstolos e os seus sucessores, os Bispos, são os que constituem a chamada Igreja docens, isto é, a Igreja que ensina, e têm portanto a missão de ensinar com autoridade. Não obstante, é claro que o Papa e os Bispos, além de exercerem este poder de ensinar de modo directo, exercem-no ajudados pelos sacerdotes. Os outros membros da Igreja constituem a chamada Igreja discens, isto é a Igreja que aprende. Mas o discípulo de Cristo, o cristão que recebeu o ensino, deve ajudar, por sua vez, os outros com a doutrina recebida, exposta numa linguagem acessível, e portanto deve conhecer a fundo a doutrina cristã. O tesouro da Revelação é tão rico, que dele se pode tirar ensinamentos práticos para todos os tempos e para todas as circunstâncias da vida. São estes tempos e estas circunstâncias que devem ser iluminados e ordenados de acordo com a palavra de Deus, e não ao contrário. Assim, pois, a Igreja e os seus pastores não pregam novidades, mas a única verdade contida no tesouro da Revelação: o Evangelho, desde há dois mil anos, continua a ser a «boa nova».