In Evangelho do dia

Naquela mesma hora, chegaram-se os discípulos a Jesus e disseram-Lhe: Quem é, pois, o maior no Reino dos Céus? 2Chamou Ele um menino, pô-lo no meio deles 3e disse: Em verdade vos digo que, se não voltardes a ser, como meninos, não entrareis no Reino dos Céus. 4Todo aquele, pois, que se fizer pequeno como este menino, esse é o maior no Reino dos Céus. 5E quem receber um menino como este em Meu nome, é a Mim que recebe. 10Vede lá não desprezeis um só destes : pequeninos, pois Eu vos digo que os seus Anjos, nos Céus, estão incessantemente a contemplar a face de Meu Pai que está nos Céus.

 

Comentário

1-6. É claro que os discípulos ainda abrigavam ambi­ções terrenas ao pedir o primeiro lugar para quando Cristo instaure na terra o Seu Reino (cfr Act 1 ,6). Para corrigir o seu orgulho, o Senhor coloca diante deles um menino, exigindo-lhes que se querem entrar no Reino dos Céus, sejam por vontade o que as crianças são por idade. As crianças caracterizam-se pela sua incapacidade de ódio, e vê-se nelas uma total inocência no que diz respeito aos vícios, e principalmente ao orgulho, que é o maior de todos. São simples e abandonam-se confiadamente.

A humildade é um dos pilares mestres da vida cristã: «Se me perguntais — dizia Santo Agostinho — que é o mais essencial na religião e na disciplina de Jesus Cristo, responder-vos-ei: o primeiro a humildade, o segundo a humildade e o terceiro a humildade» (Epístola 118).

3-4. Aplicando estas palavras às virtudes de Nossa Senhora, Frei Luís de Granada sublinha que a humildade é mais excelente que a virgindade: «Se não podes imitar a virgindade da humilde, imita a humildade da virgem. Lou­vável é a virgindade, mas mais necessária é a humildade. Aquela nos aconselham, a esta nos obrigam; àquela nos convidam, a esta nos forçam (…). De maneira que aquela é galardoada como sacrifício voluntário, esta pedida como sacrifício obrigatório. Finalmente, podes salvar-te sem vir­gindade, mas não sem humildade» (Suma da vida cristã, livro 3, parte 2, cap. 10).

  1. Acolher um menino em nome de Jesus é acolher o próprio Jesus. Porque as crianças são reflexo da inocência, da simplicidade, da pureza, da ternura do Senhor; «para uma alma enamorada, as crianças e os doentes são Ele» (Caminho, n°419).
  2. Dar escândalo aos pequenos é coisa grave: Jesus adverte-o com energia. Pois estes pequenos têm os seus anjos que os guardam e defendem, e que acusarão diante de Deus aqueles que os tenham induzido ao pecado.

No contexto fala-se dos anjos da guarda dos pequenos, visto que é a estes que se está a referir o passo. Mas todos os homens, grandes ou pequenos, têm o seu anjo da guarda. «A Providência de Deus deu aos anjos a missão de guardar a linhagem humana, e de socorrer cada homem (…). O Nosso Pai deu-nos, a cada um de nós, anjos para que sejamos fortalecidos com o seu poder e auxílio» (Catecismo Romano, IV, 9,4).

Esta doutrina deve levar-nos a uma intimidade confiante com o nosso anjo da guarda. «Tem confiança com o teu Anjo da Guarda. — Trata-o como amigo íntimo — é-o efectivamente — e ele saberá prestar-te mil e um serviços nos assuntos correntes de cada dia» (Caminho, n° 562).

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