Evangelho do dia 02.09.2017 – Mt 25, 14-30 – Leia o Evangelho do dia – Sábado – 21ª Semana do tempo comum

14Com efeito, é como um homem que ao empreender uma viagem chamou os servos e lhes entregou os próprios bens. 15A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual segundo a sua capacidade, e partiu. 16O que recebera cinco talentos foi logo negociar com eles e lucrou outros cinco. 17Do mesmo modo, o que recebera dois lucrou, também ele, outros dois. 18Mas o que recebera um só, foi abrir uma cova na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. 19Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e chamou-os a contas. 20O que recebera cinco talentos chegou, apresentou outros cinco talentos e disse: «Senhor, cinco talentos me entregaste, aqui estão outros cinco que eu ganhei».21 Respondeu-lhe o senhor: «Muito bem! Servo bom e fiel! Foste fiel em coisas de pouca monta, dar-te-ei a superintendência de coisas grandes. Entra no gozo do teu Senhor.» 22Chegou também o que recebera dois talentos e disse: «Senhor dois talentos me entregaste, aqui estão outros dois que eu ganhei.» 23Disse-lhe o senhor: «Muito bem! Servo bom e fiel! Foste fiel em coisas de pouca monta, dar-te-ei a superintendência de coisas grandes. Entra no gozo do teu Senhor.» 24Chegou também o que tinha recebido um só talento e disse: «Senhor, eu sabia que és homem duro, que ceifas onde não semeaste, e recolhes donde não espalhastes. 25Com medo fui esconder o teu talento na terra. Aqui tens o que é teu». 26Respondeu-lhe o senhor: «Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não semeei e recolho donde não espalhei? 27Por isso mesmo devias dar o meu dinheiro aos banqueiros e eu, quando voltasse, receberia o que era meu com os juros. 28Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez talentos. 29Porque a todo aquele que tem, dar-se-lhe-á e terá em abundância; ao que não tem, ainda o que tem lhe será tirado. 30Quanto a esse servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores. Aí haverá choro e ranger de dentes».

Comentário

14-30. O talento não era propriamente uma moeda, mas uma unidade contável”, que equivalia aproximadamente a uns cincoenta quilos de prata.

Nesta parábola o Senhor ensina-nos principalmente a necessidade de corresponder à graça de uma maneira esforçada, exigente e constante durante toda a vida. Importa fazer render todos os dons de natureza e de graça recebidos do Senhor. O importante não é o número, mas a generosidade para os fazer frutificar.

A vocação cristã não se pode esconder, nem esterilizar, deve ser comunicativa, apostólica, entregada. «Não percas a tua eficácia, aniquila, pelo contrário o teu egoísmo. A tua vida para ti? A tua vida para Deus, para o bem de todos os homens, por amor ao Senhor. Desenterra esse talento! Torna-o produtivo» (Amigos de Deus, nº47).

A um fiel cristão corrente não pode passar-lhe despercebido o facto de que Jesus tenha querido explicar a doutrina da correspondência à graça servindo-se como figura do trabalho profissional dos homens. Não é isto recordar-nos que a vocação cristã se dá no meio das ocupações ordinárias da vida? «Há uma única vida. feita de carne e espírito, e essa é que tem de ser — na alma e no corpo — santa e cheia de Deus, deste Deus invisível, que nós encontramos nas coisas mais visíveis e materiais. Não há outro caminho, meus filhos: ou sabemos encontrar o Senhor na nossa vida corrente, ou nunca O encontraremos» (Temas Actuais do Cristianismo, nº114).