In Evangelho do dia

Assim está es­crito que o Messias havia de sofrer e ressus­citar dos mortos ao terceiro dia 47e que se havia de pregar, em Seu nome, o arrepen­dimento e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sois as testemunhas destas coisas! 49E olhai que Eu vou mandar sobre vós o Prometido por Meu Pai. Entretanto, ficai na cidade até serdes revestidos com a força lá do Alto.

50Depois, levou-os até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. 51Enquanto os abençoava, separou-Se deles e foi levado até ao Céu. 52Eles, tendo-se prostrado diante d’Ele, voltaram para Jerusalém com grande alegria 53e estavam continuamente no Tem­plo a bendizer a Deus.

Comentário

-49. São Mateus insiste no cumprimento em Cristo das profecias do AT, porque os primeiros destinatários do seu Evangelho eram judeus, para quem isto constituía uma prova manifesta de que Jesus era o Messias prometido e esperado. São Lucas não utiliza habitualmente este argu­mento, porque escreve para os gentios; não obstante, neste epílogo recolhe sumariamente a advertência de Cristo que declara ter-se cumprido tudo o que estava predito acerca d’Ele. Sublinha-se assim a unidade dos dois Testamentos e que Jesus é verdadeiramente o Messias.

Por outro lado, São Lucas refere a promessa do Espírito Santo (cfr Ioh 14,16-17.26; 15,26; 16,7 ss.), cujo cumprimento no dia de Pentecostes narrará com pormenor no livro dos Actos(cfr Act 2,1-4).

  1. São Lucas pôs em realce a falta de inteligência dos Apóstolos quando Jesus anuncia a Sua Morte e Ressurreição (cfr 9,45; 18,34). Agora, cumprida a profecia, recorda a necessidade de que Cristo padecesse e ressuscitasse de entre os mortos (cfr 24,25-27).

A Cruz é um mistério não só na vida de Cristo mas também na nossa: «Jesus sofre para cumprir a Vontade do Pai… E tu, que também queres cumprir a Santíssima Vontade de Deus, seguindo os passos do Mestre, poderás queixar-te se encontrares por companheiro de caminho o sofrimento?» (Caminho, n° 213).

  1. «Eu vou mandar sobre vós o Prometido por Meu Pai», isto é, o Espírito Santo, que dias depois, no Pentecostes, desceria sobre eles no Cenáculo (cfr Act 2,1-4), como dom supremo do Pai (cfr Lc 11,13).

50-53. São Lucas, que narrará com mais pormenor no começo do livro dos Actos a Ascensão do Senhor aos Céus, resume aqui este mistério com que termina a presença visível de Jesus na terra. Não era conveniente, explica São Tomás, que Cristo permanecesse na terra depois da Ressur­reição, mas convinha que subisse ao Céu. Ainda que o Seu corpo ressuscitado já tivesse a glória essencial, a Ascensão ao Céu confere-Lhe um aumento da glória de que gozava, pela dignidade do lugar a que ascendia (cfr Suma Teológica III, q. 57, a. 1).

«A Ascensão do Senhor sugere-nos também outra reali­dade: o Cristo que nos anima a esta tarefa no mundo espera-nos no Céu. Por outras palavras: a vida na Terra, que amamos, não é a definitiva: porque não temos aqui cidade permanente, mas andamos em busca da futura (Heb XIII,14), cidade imutável (…).

«Cristo espera-nos. Vivemos já como cidadãos do céu (Phil 111,20), sendo plenamente cidadãos da Terra, no meio de dificuldades, de injustiças, de incompreensões, mas também no meio da alegria e da serenidade que há-de saber-se filho amado de Deus» (Cristo que passa, n° 126).

Acaba aqui a narração evangélica de São Lucas. Não há palavras humanas capazes de exprimir os sentimentos de agradecimento, de amor e de correspondência que nos produz a contemplação da vida de Cristo entre os homens. Podemos saborear o resumo que nos oferece o Magistério da Igreja, enquanto elevamos a Deus o nosso desejo de ser cada dia mais fiéis discípulos e filhos Seus: «Cremos em Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ele é o Verbo eterno, nascido do Pai antes de todos os séculos (…). Ele mesmo habitou entre nós cheio de graça e de verdade. Anunciou e fundou o Reino de Deus, manifestando-nos em Si mesmo o Pai. Deu-nos o Seu mandamento novo de que nos amás­semos uns aos outros como Ele nos amou. Ensinou-nos o caminho das bem-aventuranças evangélicas: a saber, ser mansos e pobres em espírito, tolerar as dores com paciência, ter sede de justiça, ser misericordiosos, limpos de coração, pacíficos, padecer perseguição pela justiça. Padeceu sob Pôncio Pilatos: Cordeiro de Deus, que lava os pecados do mundo, morreu por nós cravado na Cruz, trazendo-nos a salvação com o Seu sangue redentor. Foi sepultado, e ressus­citou pelo Seu próprio poder ao terceiro dia, elevando-nos pela Sua Ressurreição à participação da vida divina, que é a graça; subiu ao Céu, donde há-de vir de novo, então com glória, para julgar os vivos e os mortos, cada um segundo os próprios méritos: os que tenham respondido ao Amor e à Piedade de Deus irão para a vida eterna, mas os que os tenham rejeitado até ao fim serão destinados ao fogo que nunca cessará. E o Seu Reino não terá fim» (Credo do Povo de Deus, nos 11 e 12).

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