dia 23 a 29 de novembro de 2009

Dia 23 de novembro

Lc 21, 1-4

1Erguendo os olhos, viu os ricos deitarem no tesouro as suas ofertas. 2Viu também uma viúva pobrezinha deitar lá duas moedinhas 3e exclamou: Digo-vos, na verdade, que essa viúva pobre deitou mais que todos, 4pois todos eles deitaram do que lhes sobrava, para as ofertas de Deus, mas ela, foi da sua penúria que lançou todos os recursos que possuía.

Comentário

1-4. O Senhor, rodeado pelos Seus discípulos, observa como a gente deposita as suas oferendas no gazofilácio. Era este um lugar situado no átrio das mulheres, em que existiam várias caixas destinadas a recolher as oferendas dos fiéis. De repente sucede algo cuja importância Jesus quer pôr em relevo diante dos Seus discípulos: uma pobre viúva deposita duas pequenas moedas, cujo valor é exíguo Qualifica esta oferenda como a mais importante; louva a generosidade das esmolas destinadas ao culto, e mais ainda a liberalidade de quem dá do que lhe é necessário. O Senhor comove-Se diante do óbulo da viúva porque na sua pequenez supõe um grande sacrifício. “O Senhor não olha – diz São João Crisóstomo – à quantidade que Lhe é oferecida, mas ao afecto com que a gente Lhe oferece. Não está a esmola em dar pouco do muito que se tem, mas em fazer o que fez aquela viúva, que deu tudo o que tinha” (Hom. sobre Heb, 1). Esta mulher ensina-nos que podemos comover o coração de Deus ao entregar-Lhe tudo aquilo que temos ao nosso alcance, que será sempre muito pouco, ainda que fosse a nossa própria vida. “Que pouco é uma vida para oferecê-la a Deus!…” (Caminho, n° 420).

Dia 24 de novembro

Lc 21, 5-11

5Como alguns dissessem, a respeito do Templo, que ele estava guarnecido com belas pedras e oferendas votivas, respondeu: 6Dessas coisas que estais vendo, dias virão em que não se deixará pedra sobre pedra que não venha a ser derrubada. 7Eles perguntaram-Lhe: Quando serão então essas coisas, Mestre? E qual o sinal, quando estiverem para acontecer? 8Ele respondeu: Tomai cuidado em não serdes desencaminhados, pois muitos virão com o Meu nome, dizendo: “sou eu”, e ainda: “Está próximo o tempo!”. Não sigais atrás deles. 9Quando ouvirdes falar em guerras e tumultos, não fiqueis aterrados, pois isso tem de acontecer primeiro, mas não será logo o fim.

10Foi-lhes então dizendo: Erguer-se-á povo contra povo e reino contra reino; 11haverá grandes terramotos e, em vários sítios, fomes e epidemias; haverá coisas apavorantes e, lá do céu, grandes sinais.

Comentário

5-36. Os discípulos ponderam diante do Senhor a grandeza do Templo. A este propósito Jesus desenvolve um longo discurso, conhecido com o nome de “discurso escatológico”, porque versa sobre os acontecimentos finais da história. O passo é conservado também de uma maneira muito parecida pelos outros Evangelhos Sinópticos (cfr Mt 24,1-51; Mc 13,1-37). Nas palavras do Senhor enlaçam-se três questões relacionadas entre si: a destruição de Jerusalém – que teve lugar uns quarenta anos depois – , o fim do mundo, e a segunda vinda de Cristo em glória e majestade. Jesus, que também anuncia aqui perseguições contra a Igreja, exorta insistentemente à paciência, à oração e à vigilância.

O Senhor fala aqui com o estilo e a linguagem próprios dos profetas, com imagens tomadas do Antigo Testamento; além disso, neste discurso alternam-se profecias que se vão cumprir em breve com outras cujo cumprimento se difere até ao fim da história. Com elas Nosso Senhor não quer saciar a curiosidade dos homens acerca dos acontecimentos futuros, mas trata de evitar o desalento e o escândalo que poderiam produzir-se diante das dificuldades que se avizinham. Por isso exorta: “Tomai cuidado em não serdes desencaminhados” (v. 8); “não fiqueis aterrados” (v. 9); “Tende cuidado convosco” (v. 34).

8. Os discípulos, ao ouvir que Jerusalém ia ser destruída, perguntam qual será o sinal que anunciará esse acontecimento (vv. 5-7). Jesus responde com uma advertência: “Não vos deixeis enganar”, isto é, não espereis nenhum aviso; não vos deixeis levar por falsos profetas, permanecei fiéis a Mim. Esses falsos profetas apresentar-se-ão afirmando que são o Messias, isto é o que significa a expressão “eu sou”. A resposta do Senhor refere-se na realidade a dois acontecimentos que a mentalidade judaica via relacionados entre si: a destruição da Cidade Santa e o fim do mundo. Por isso, falará a seguir de ambos os acontecimentos e deixará entrever que deve decorrer um longo tempo entre eles; a destruição do Templo e de Jerusalém é como um sinal, um símbolo das catástrofes que acompanharão o fim do mundo.

9-11. O Senhor não quer que os discípulos possam confundir qualquer catástrofe – fomes, terramotos, guerras – ou as próprias perseguições com sinais que anunciem a proximidade do fim do mundo. A exortação de Jesus é clara: “Não fiqueis aterrados”, porque isto há-de suceder, “mas não será logo o fim”; pelo contrário, no meio de tantas dificuldades, o Evangelho ir-se-á estendendo até aos confins do orbe. Estas circunstâncias adversas não devem paralisar a pregação da fé.

Dia 25 de novembro

Lc 21, 12-19

12Mas antes de tudo isso, deitar-vos-ão as mãos e perseguir-vos-ão, entregando-vos às sinagogas e às prisões, levando-vos a reis e governadores, por causa do Meu nome. 13Mas isso proporcionar-vos-á ocasião de dar testemunho. 14Assentai, pois, no vosso íntimo, em não preparardes a vossa defesa, 15pois Eu vos darei língua e sabedoria a que não poderá resistir ou contestar qualquer dos vossos adversários. 16Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Hão-de causar a morte a alguns dentre vós 17e por todos sereis odiados por causa do Meu nome; 18mas nem um cabelo se perderá da vossa cabeça. 19Pela vossa constância é que haveis de ganhar as vossas almas!

Comentário

19. Jesus anuncia perseguições de todos os géneros. Isto é inevitável: “Todos os que queiram viver piedosamente em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Tim 3,12). Os discípulos deverão recordar aquela advertência do Senhor na Última Ceia: “Não é o servo mais que o seu senhor. Se Me perseguiram a Mim, também vos perseguirão a vós” (Ioh 15,20). Contudo, estas perseguições não escapam à Providência divina. Acontecem porque Deus as permite. E Deus permite-as porque pode tirar delas bens maiores. As perseguições serão ocasião de dar testemunho: sem elas a Igreja não estaria adornada com o sangue de tantos mártires. O Senhor promete, além disso, uma assistência especial àqueles que estejam a sofrer perseguição e adverte-os de que não hão-de temer: dar-lhes-á a Sua sabedoria para se defenderem e não permitirá que pereça nem sequer um cabelo da sua cabeça, isto é, que até o que possa parecer uma desgraça e uma perda será para eles o começo da glória.

Das palavras de Jesus deduz-se também a obrigação que tem todo o cristão de estar disposto a perder a vida antes que ofender a Deus. Só aqueles que perseverem até ao fim na fidelidade ao Senhor alcançarão a salvação. A exortação à perseverança está consignada pelos três Sinópticos neste discurso (cfr Mt 24,13; Mc 13,13) e por São Mateus noutro lugar (Mt 10,22) e igualmente por São Pedro (1 Pet 5,9). Isso parece sublinhar a importância desta advertência de Nosso Senhor na vida de todo o cristão.

Dia 26 de novembro

Lc 21, 20-28

20Mas, quando virdes Jerusalém sitiada por exércitos, ficai então sabendo que está próxima a sua devastação. 21Então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes, os que se encontrarem no interior da cidade retirem-se e os que estiverem nos campos não entrem nela, 22porque são de vindicta esses dias, a fim de se cumprir tudo o que está escrito. 23Ai das que se encontrarem grávidas e das que andarem a amamentar naqueles dias, pois haverá grandes dificuldades no país e ira contra este povo. 24Hão-de cair ao fio da espada, irão cativos para todas as nações, e Jerusalém será calcada pelos pagãos, até se completarem os tempos dos pagãos.

25Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas e, na Terra, angústia entre as nações, perplexas com o bramido e a agitação do mar, 26desfalecendo os homens de pavor e com a expectativa do que vai sobrevir ao Universo, pois as forças celestes serão abaladas. 27Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória.

28Ora, quando isto começar a acontecer, endireitai-vos e erguei as vossas frontes, porque se aproxima a vossa libertação.

Comentário

20-24. Jesus profetiza suficientemente a destruição da Cidade Santa. Quando os cristãos que viviam ali viram que os exércitos cercavam a cidade recordaram a profecia do Senhor e fugiram para a Transjordânia (cfr História Eclesiástica, III, 5). Com efeito, Cristo recomenda que fujam com toda a prontidão, porque é o tempo da aflição de Jerusalém, de que se cumpra o que está escrito no AT: Deus castiga Israel pelas suas infidelidades (Is 5,5-6).

A Tradição católica considera Jerusalém como figura da Igreja. De facto a Igreja triunfante é chamada no Apocalipse a Jerusalém celeste (Apc 21,2). Por isso, ao aplicar este passo à Igreja, os sofrimentos da Cidade Santa podem ser considerados como figura das contradições que sobrevêm à Igreja peregrina por causa dos pecados dos homens, pois “ela própria vive entre as criaturas que gemem com dores de parto à espera da manifestação dos filhos de Deus” (Lumen gentium, n. 48).

24. “Tempo dos pagãos” quer dizer o tempo em que os gentios, que não pertencem ao povo judaico, entrarão a fazer parte do novo Povo de Deus, a Igreja, até que os próprios judeus se convertam :no fim dos tempos (cfr Rom 11,11-32).

25-26. Jesus refere-Se à comoção dos elementos da natureza quando chegar o fim do mundo. “As forças celestes serão abaladas”, isto é, todo o universo tremerá diante da vinda do Senhor em poder e glória.

27-28. O Senhor, aplicando a Si mesmo a profecia de Daniel (7,13-14), fala da Sua vinda gloriosa no fim dos tempos. Os homens contemplarão o poder e a glória do Filho do Homem, que vem para julgar vivos e mortos. Este juízo compete a Cristo também enquanto homem. A Sagrada Escritura descreve a solenidade deste juízo. Nele confirma-se a sentença dada já a cada um no juízo particular, e brilharão com total resplendor a justiça e a misericórdia que Deus teve com os homens ao longo da história. “Era razoável – ensina o Catecismo Romano – que não só se estabelecessem prémios para os bons e castigos para os maus na vida futura, mas que também se decretasse num juízo geral e público, a fim de que se tornasse para todos mais notório e grandioso, e para que todos tributassem a Deus louvores pela Sua justiça e providência” (I, 8,4).

É, pois, essa vinda do Senhor dia terrível para os maus e dia de gozo para aqueles que Lhe foram fiéis. Os discípulos hão-de levantar a cabeça com gozo, porque se aproxima a sua redenção. Para eles é o dia do prémio. A vitória obtida por Cristo na Cruz – vitória sobre o pecado, sobre o demónio e sobre a morte – manifesta-se aqui em todas as suas consequências. Por isso o apóstolo São Paulo recomenda-nos que vivamos “aguardando a bem-aventurança esperada e a vinda gloriosa do grande Deus e Salvador nosso Jesus Cristo” (Tit 2,13).

“Subiu ao Céu (o Senhor), donde há-de vir de novo, então com glória, para julgar os vivos e os mortos, cada um segundo os próprios méritos: os que tenham respondido ao amor e à piedade de Deus irão para a vida eterna, mas os que os tenham rejeitado até ao fim serão destinados ao fogo que nunca cessará” (Credo do Povo de Deus, n° 12).

Dia 27 de novembro

Lc 21, 29-33

29E disse-lhes uma parábola: Vede a figueira e as restantes árvores: 30Quando começam a rebentar, verificais, ao observá-las, que está próximo o Verão. 31Assim também, quando virdes essas coisas, ficai sabendo que está próximo o Reino de Deus. 32Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo aconteça. 33O Céu e a Terra passarão, mas as Minhas palavras não hão-de passar.

Comentário

31. O Reino de Deus, anunciado por João Baptista (cfr Mt 3,2) e descrito pelo Senhor em tantas parábolas (cfr Mt 13; Lc 13,18-20), encontra-se já presente entre os Apóstolos (Lc 17,20-21) e, não obstante, ainda não chegou a plenitude da sua manifestação. Jesus anuncia neste lugar a chegada em plenitude do Reino e convida-nos a pedir isto mesmo no Pai-Nosso: “Venha a nós o Vosso Reino”. “O Reino de Deus, que teve aqui na terra os seus começos na Igreja de Cristo, não é deste mundo, cuja figura passa (cfr Ioh 18,36; 1 Cor 7,31); e os seus crescimentos próprios não podem ser julgados idênticos ao progresso da cultura da humanidade ou das ciências ou das artes técnicas, mas consiste em que sejam conhecidas cada vez mais profundamente as riquezas insondáveis de Cristo, em que seja posta cada vez com maior constância a esperança nos bens eternos, em que cada vez mais ardentemente se responda ao amor de Deus; finalmente, em que a graça e a santidade sejam difundidas cada vez mais abundantemente entre os homens” (Credo do Povo de Deus, n.° 27). No fim do mundo tudo será recapitulado em Cristo e Deus reinará definitivamente em todas as coisas (cfr 1 Cor 15, 24.28).

32. O que se refere à ruína e destruição de Jerusalém, cumpriu-se uns quarenta anos depois da morte do Senhor, e pôde ser comprovada a verdade desta profecia pelos contemporâneos de Jesus. Por outro lado, a ruína de Jerusalém é símbolo do fim do mundo, e assim pode dizer-se que a geração a que o Senhor Se refere viu simbolicamente o fim do mundo. Também se pode compreender que o Senhor falava da geração dos crentes.

Dia 28 de novembro

Lc 21, 34-36

34Tende cuidado convosco, não se tornem pesados os vossos corações com a crápula, a embriaguez e as preocupações da vida, e aquele dia vos surpreenda subitamente 35como um laço, pois ele há-de irromper sobre todos os que habitam a face da Terra inteira. 36Velai, pois, orando em todo o tempo, para conseguirdes fugir a todas essas coisas que estão para acontecer e aparecerdes firmes diante do Filho do homem.

Comentário

34-36. No fim do Seu discurso o Senhor exorta à vigilância como atitude necessária para todos os cristãos. Devemos estar vigilantes porque não sabemos nem o dia nem a hora em que o Senhor virá pedir-nos contas. Por isso importa viver em todos os momentos pendentes da vontade divina, fazendo em cada instante o que temos de fazer. Há que viver de tal modo que, venha quando vier a morte, sempre nos encontre preparados. Para aqueles que vivem assim, a morte repentina nunca é uma surpresa. A estes diz São Paulo: “Vós, irmãos, não viveis em trevas para que aquele dia vos arrebate como um ladrão” (1 Thes 5,4). Vivamos, pois, em contínua vigilância. Consiste a vigilância na luta constante por não nos apegarmos às coisas deste mundo (a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida; cfr 1 Ioh 2,16), e na prática assídua da oração que nos faz estar unidos a Deus. Se vivemos deste modo, aquele dia será para nós um dia de gozo e não de terror, porque a nossa vigilância terá como resultado, com a ajuda de Deus, que as nossas almas estejam prontas, em graça, para receber o Senhor. Assim o nosso encontro com Cristo não será um juízo condenatório mas um abraço definitivo com que Jesus nos introduzirá na casa do Pai. “Não brilha na tua alma o desejo de que teu Pai-Deus fique contente quando te tiver de julgar?” (Caminho, n° 746).

Dia 29 de novembro

Lc 21, 25-28.34-36

25Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas e, na Terra, angústia entre as nações, perplexas com o bramido e a agitação do mar, 26desfalecendo os homens de pavor e com a expectativa do que vai sobrevir ao Universo, pois as forças celestes serão abaladas. 27Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória.

28Ora, quando isto começar a acontecer, endireitai-vos e erguei as vossas frontes, porque se aproxima a vossa libertação. (…)

34Tende cuidado convosco, não se tornem pesados os vossos corações com a crápula, a embriaguez e as preocupações da vida, e aquele dia vos surpreenda subitamente 35como um laço, pois ele há-de irromper sobre todos os que habitam a face da Terra inteira. 36Velai, pois, orando em todo o tempo, para conseguirdes fugir a todas essas coisas que estão para acontecer e aparecerdes firmes diante do Filho do homem.

Comentário

25-26. Jesus refere-Se à comoção dos elementos da natureza quando chegar o fim do mundo. “As forças celestes serão abaladas”, isto é, todo o universo tremerá diante da vinda do Senhor em poder e glória.

27-28. O Senhor, aplicando a Si mesmo a profecia de Daniel (7,13-14), fala da Sua vinda gloriosa no fim dos tempos. Os homens contemplarão o poder e a glória do Filho do Homem, que vem para julgar vivos e mortos. Este juízo compete a Cristo também enquanto homem. A Sagrada Escritura descreve a solenidade deste juízo. Nele confirma-se a sentença dada já a cada um no juízo particular, e brilharão com total resplendor a justiça e a misericórdia que Deus teve com os homens ao longo da história. “Era razoável – ensina o Catecismo Romano – que não só se estabelecessem prémios para os bons e castigos para os maus na vida futura, mas que também se decretasse num juízo geral e público, a fim de que se tornasse para todos mais notório e grandioso, e para que todos tributassem a Deus louvores pela Sua justiça e providência” (I, 8,4).

É, pois, essa vinda do Senhor dia terrível para os maus e dia de gozo para aqueles que Lhe foram fiéis. Os discípulos hão-de levantar a cabeça com gozo, porque se aproxima a sua redenção. Para eles é o dia do prémio. A vitória obtida por Cristo na Cruz – vitória sobre o pecado, sobre o demónio e sobre a morte – manifesta-se aqui em todas as suas consequências. Por isso o apóstolo São Paulo recomenda-nos que vivamos “aguardando a bem-aventurança esperada e a vinda gloriosa do grande Deus e Salvador nosso Jesus Cristo” (Tit 2,13).

“Subiu ao Céu (o Senhor), donde há-de vir de novo, então com glória, para julgar os vivos e os mortos, cada um segundo os próprios méritos: os que tenham respondido ao amor e à piedade de Deus irão para a vida eterna, mas os que os tenham rejeitado até ao fim serão destinados ao fogo que nunca cessará” (Credo do Povo de Deus, n° 12).

34-36. No fim do Seu discurso o Senhor exorta à vigilância como atitude necessária para todos os cristãos. Devemos estar vigilantes porque não sabemos nem o dia nem a hora em que o Senhor virá pedir-nos contas. Por isso importa viver em todos os momentos pendentes da vontade divina, fazendo em cada instante o que temos de fazer. Há que viver de tal modo que, venha quando vier a morte, sempre nos encontre preparados. Para aqueles que vivem assim, a morte repentina nunca é uma surpresa. A estes diz São Paulo: “Vós, irmãos, não viveis em trevas para que aquele dia vos arrebate como um ladrão” (1 Thes 5,4). Vivamos, pois, em contínua vigilância. Consiste a vigilância na luta constante por não nos apegarmos às coisas deste mundo (a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida; cfr 1 Ioh 2,16), e na prática assídua da oração que nos faz estar unidos a Deus. Se vivemos deste modo, aquele dia será para nós um dia de gozo e não de terror, porque a nossa vigilância terá como resultado, com a ajuda de Deus, que as nossas almas estejam prontas, em graça, para receber o Senhor. Assim o nosso encontro com Cristo não será um juízo condenatório mas um abraço definitivo com que Jesus nos introduzirá na casa do Pai. “Não brilha na tua alma o desejo de que teu Pai-Deus fique contente quando te tiver de julgar?” (Caminho, n° 746).