dia 21 a 28 de fevereiro de 2010

Dia 22 de fevereiro

13Em seguida, foi Jesus para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos discípulos: Quem dizem os homens que é o Filho do homem? 14Responderam-Lhe: Uns, João Baptista: outros, Elias; outros, Jeremias ou algum dos profetas. 15Disse-lhes Jesus: E quem dizeis vós que Eu sou? 16Respondeu Simão Pedro, dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo. 17E Jesus, respondendo-lhe, disse: Bem-aventurado és tu, Simão, Barjona, porque não foi a carne e o sangue que to revelaram, mas Meu Pai que está nos Céus. 18E Eu digo-te a ti que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus, e tudo o que ligares na terra, será ligado nos Céus; e tudo o que desligares na terra, será desligado nos Céus.

Comentário

13-20. Neste passo promete-se a São Pedro o Primado sobre toda a Igreja. Primado que Jesus lhe conferirá, depois da Sua Ressurreição, segundo nos relata o Evangelho de São João (cfr Ioh 21, 15-18). Os poderes supremos são dados a Pedro para bem da Igreja. Como esta há-de durar até ao fim dos tempos, esses poderes transmitir-se-ão àqueles que sucedam a Pedro ao longo da história. O Romano Pontífice é em concreto o sucessor de São Pedro.

A doutrina sobre o Primado de Pedro e dos seus sucessores foi definida como dogma de fé pelo Magistério solene da Igreja no Concílio Vaticano I, nos seguintes termos: “Ensinamos, pois, e declaramos que, segundo os testemunhos do Evangelho, o primado de jurisdição sobre a Igreja universal de Deus foi prometido e conferido, imediata e directamente, ao bem-aventurado Pedro por Cristo Nosso Senhor. Porque só a Simão – a quem já antes tinha dito: ‘Tu chamar-te-ás Cefas’ (Ioh l, 42) -, depois de pronunciar a sua confissão: ‘Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo’, se dirigiu o Senhor com estas solenes palavras: ‘Bem-aventurado és, Simão filho de João, porque não foi a carne nem o sangue que te revelaram isso, mas Meu Pai que está nos Céus. E Eu digo-te que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares na terra ficará ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra, ficará desligado nos Céus’ (Mt 16, 16 ss.). E só a Simão Pedro conferiu Jesus, depois da Sua Ressurreição, a jurisdição de pastor e chefe supremo de todo o Seu rebanho, dizendo: ‘Apascenta os Meus cordeiros. Apascenta as Minhas ovelhas’ (Ioh 21, 15 ss.)… (Cânon). Se alguém disser que o bem-aventurado Pedro Apóstolo não foi constituído por Cristo Senhor príncipe de todos os Apóstolos e cabeça visível de toda a Igreja militante, ou que recebeu directa e imediatamente do próprio Jesus Cristo Senhor Nosso somente o primado de honra, mas não de verdadeira e própria jurisdição, seja anátema”.

Ora bem, “o que Cristo Senhor, príncipe dos pastores e grão pastor das ovelhas, instituiu no bem-aventurado Apóstolo Pedro para perpétua salvação e bem perene da Igreja, é mister que dure perpetuamente por obra do mesmo Senhor na Igreja que, fundada sobre a pedra, tem de permanecer firme até a consumação dos séculos. ‘Para ninguém, na verdade, é duvidoso, antes, para todos os séculos é notório, que o santo e beatíssimo Pedro, príncipe e cabeça dos Apóstolos, coluna da fé e fundamento da Igreja Católica, recebeu as chaves do Reino das mãos de Nosso Senhor Jesus Cristo, Salvador e Redentor do gênero humano; e até ao tempo presente e sempre continua a viver, preside e exerce o juízo nos seus sucessores’ (cfr Concílio de Éfeso), os bispos da Santa Sé Romana, por ele fundada e pelo seu sangue consagrada. Donde se segue que seja quem for o que sucede a Pedro nesta cátedra, esse, segundo a instituição do próprio Cristo, obtém o Primado de Pedro sobre a Igreja universal…

“Por esta causa, foi sempre necessário que a esta Igreja Romana, ‘pela sua mais poderosa principalidade, se unisse toda a Igreja, isto é, quantos fiéis há, de onde quer que sejam’…

“(Cânon.) Se alguém disser que não é de instituição do próprio Cristo, isto é, de direito divino, que o bem-aventurado Pedro tenha perpétuos sucessores no primado sobre a lgreja universal; ou que o Romano Pontífice não é sucessor do bem-aventurado Pedro no mesmo primado, seja anátema.

“… Julgamos que é absolutamente necessário afirmar solenemente a prerrogativa que o Unigênito Filho de Deus se dignou juntar com o supremo dever pastoral.

“Assim, pois, Nós, seguindo a tradição recolhida fielmente desde o princípio da fé cristã, para glória de Deus Salvador Nosso, para exaltação da fé católica e salvação dos povos cristãos, com aprovação do sagrado concílio, ensinamos e definimos ser dogma divinamente revelado: Que o Romano Pontífice, quando fala ex cathedra – isto é, quando cumprindo o seu cargo de pastor e doutor de todos os cristãos, define pela sua suprema autoridade apostólica que uma doutrina sobre a fé e costumes deve ser definida pela Igreja universal -, pela assistência divina que lhe foi prometida na pessoa do bem-aventurado Pedro, goza daquela infalibilidade de que o Redentor divino quis que estivesse provista a Sua Igreja na definição da doutrina sobre a fé e os costumes; e, por isso, que as definições do Romano Pontífice são irreformáveis por si mesmas e não pelo consentimento da Igreja.

“(Cânon.) E se alguém tivesse a ousadia, o que Deus não permita, de contradizer essa definição nossa, seja anátema” (Pastor aeternus, caps 1, 2 e 4).

Dia 23 de fevereiro

Mt 6, 7-15

7E, na oração, não sejais palavrosos como os gentios, pois imaginam que hão-de ser ouvidos pela sua verbosidade. 8Náo vos pareçais, pois, com eles, porque o vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de Lho pedirdes. 9Vós, pois, orai assim: Pai nosso que estás nos Céus, santificado seja o Teu nome. 10Venha o Teu Reino. Seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no Céu. 11O pão nosso de cada dia nos dá hoje. 12E perdoa-nos as nossas dívidas, como também nós perdoamos aos nossos devedores. 13E não nos metas em tentação. Mas livra-nos do mal.” 14Porque, se vós perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará a vós. 15Se, porém, não perdoardes aos homens, nem o Pai celeste perdoará as vossas ofensas.

Comentário

7-8. Jesus corrige os exageros supersticiosos de crer que são necessárias longas orações para que Deus nos escute. A verdadeira piedade não consiste tanto na quantidade de palavras como na freqüência e no amor com que o cristão se volta para Deus nos acontecimentos, grandes ou pequenos, de cada dia. A oração vocal é boa e necessária, mas as palavras só têm valor enquanto exprimem o sentir do coração.

9-13. O “Pai-nosso” é, sem dúvida, a página mais comentada de toda a SE. Os grandes escritores da Igreja deixaram-nos explicações cheias de piedade e sabedoria. Já os primeiros cristãos, “fiéis à recomendação do Salvador e seguindo os Seus divinos ensinamentos”, centraram a sua oração nesta fórmula sublime e simples de Jesus. E também os últimos cristãos elevarão o seu coração para dizer pela última vez o Pai-nosso quando estiverem prestes a ser levados para o Céu. Entretanto, desde criança até que deixa este mundo, o Pai-nosso é a oração que enche de consolação e de esperança o coração do homem. Bem sabia Jesus Cristo a eficácia que ia ter esta oração Sua. Graças sejam dadas a Nosso Senhor porque a compôs para nós, e também aos Apóstolos por no-la terem transmitido, e às nossas mães porque no-la ensinaram nas nossas primeiras balbuciadelas. É tão importante esta oração dominical, que desde os tempos apostólicos foi utilizada como base da catequese cristã, juntamente com o Credo ou Símbolo da fé, o Decálogo e os Sacramentos. A vida de oração era ensinada aos catecúmenos comentando o Pai-nosso. E, daí este costume passou para os nossos catecismos.

Santo Agostinho diz que esta oração do Senhor é tão perfeita, que em poucas palavras compendia tudo o que o homem possa pedir a Deus (cfr Sermo 56). Normalmente distinguem-se nela uma invocação e sete pedidos: três relativos à glória de Deus e quatro às necessidades dos homens.

9. É grande consolação poder chamar “Pai nosso” a Deus. Se Jesus, o Filho de Deus, ensina os homens a que invoquem Deus como Pai é porque neles se dá esta realidade consoladora, a de ser e sentir-se filhos de Deus. “O Senhor (…) não é um dominador tirânico, nem um juiz rígido e implacável: é nosso Pai. Fala-nos dos nossos pecados, dos nossos erros, da nossa falta de generosidade, mas é para nos livrar deles e nos prometer a Sua amizade e o Seu amor (…). Um filho de Deus trata o Senhor como Pai. Não servilmente, nem com uma reverência formal, de mera cortesia, mas cheio de sinceridade e de confiança” (Cristo que passa, n° 64). “Santificado seja o Teu nome”: Na Bíblia o nome equivale à própria pessoa. Aqui nome de Deus é o próprio Deus. Que sentido tem pedir que Deus seja santificado? Não pode sê-lo à maneira humana: afastando-se progressivamente do mal e aproximando-se do bem, visto que Deus é a própria santidade. Pelo contrário, Deus é santificado quando a Sua santidade é reconhecida e honrada pelas Suas criaturas. Este é o sentido que tem o primeiro pedido do “Pai-nosso” (cfr Catecismo Romano, IV, 10).

10. “Venha o Teu Reino”: Chegamos aqui outra vez à idéia central do evangelho de Jesus Cristo: a vinda do Reino. O Reino de Deus identifica-se tão plenamente com a obra de Jesus Cristo, que o Evangelho é chamado indiferentemente evangelho de Jesus Cristo ou evangelho do Reino (Mt 9, 35). O advento do Reino de Deus é a realização do desígnio salvador de Deus no mundo. O Reino de Deus estabelece-se em primeiro lugar no mais íntimo do homem, elevando-o à participação da própria vida divina. Esta elevação tem como que duas etapas: a primeira na terra, que se realiza pela graça; e a segunda, definitiva, na vida eterna, que será a plenitude da elevação sobrenatural do homem. Tudo isso exige de nós uma submissão espontânea, amorosa e confiada a Deus.

“Seja feita a Tua vontade”: Este terceiro pedido exprime um desejo duplo. Primeiro, a identificação do homem com a vontade de Deus, de modo rendido e incondicional; é a expressão do abandono nas mãos de seu Pai Deus. Segundo, o cumprimento daquela vontade divina, que reclama a livre cooperação humana. Este é o caso, por exemplo, da lei divina no aspecto moral, pela qual Deus manifesta a Sua vontade, mas sem a impor à força. Uma das manifestações da vinda do Reino de Deus é o cumprimento amoroso da vontade divina por parte do homem. A segunda parte da frase “assim na Terra como no Céu” quer dizer: assim como no céu os anjos e os santos estão totalmente identificados com a vontade de Deus, de modo semelhante se deseja que isso aconteça já aqui na terra.

A luta por cumprir a vontade de Deus é o sinal de que somos sinceros quando pronunciamos as palavras: “venha o Teu Reino”. Porque diz o Senhor: “Nem todo o que Me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus” (Mt 7, 21). “Quem de veras tiver dito esta palavra: ‘Fiat voluntas tua’, tem de ter feito tudo, com a determinação pelos menos” (Caminho de perfeição, cap. 63, n° 2).

11. Neste quarto pedido, o que ora tem em conta em primeiro lugar as necessidades da vida presente. A importância desta súplica consiste em que os bens materiais, necessários para viver, são declarados lícitos. Exprime-se um profundo sentido religioso da manutenção da vida: o que o discípulo de Cristo alcança com o seu próprio trabalho também o deve implorar de Deus e recebê-lo como um dom divino; Deus é quem mantém a vida. Ao pedir a Deus o próprio sustento e considerar que este vem das mãos divinas, o cristão afasta de si a angustiosa preocupação pelas necessidades materiais. Jesus quer que peçamos não a riqueza ou o gozo desses bens, mas a posse austera do necessário. Daí que, tanto em Mateus como em Lucas (Lc 11,2), se fale do alimento suficiente para cada dia. O quarto pedido dirige-se, pois, a uma moderação do alimento e dos bens necessários, afastada dos extremos de opulência e miséria, como já tinha ensinado Deus no AT: “Não me dês pobreza nem riqueza, concede-me o pão que me é necessário, para que, saciado, não te renegue, e não diga: ‘Quem é o Senhor’? Ou, empobrecido, não roube e não profane o nome do meu Deus” (Prv 30,8-9) Os Santos Padres interpretaram o pão que aqui se pede, não só como o alimento material, mas também viram significada a Santíssima Eucaristia, sem a qual não pode viver o nosso espírito. Segundo o Catecismo Romano (cfr IV, 13,21), as razões para que se chame à Eucaristia pão nosso quotidiano são: que cada dia se oferece a Deus na Santa Missa, e que devemos recebê-lo dignamente, sendo possível todos os dias, segundo o conselho de Santo Ambrósio: “Se o pão é diário, por que o recebes tu apenas uma vez por ano? Recebe todos os dias o que todos os dias te é proveitoso; vive de modo que diariamente sejas digno de o receber” (De Sacramentis, V, 4).

12. “Dívida” tem aqui claramente o sentido de pecado. Com efeito, no dialecto aramaico do tempo de Jesus utilizava-se a mesma palavra para designar ofensa ou dívida. No quinto pedido reconhecemos, pois, a nossa situação de devedores por termos ofendido a Deus. Na revelação do AT é freqüente a recordação da condição pecadora do homem. Inclusive os “justos” são também pecadores. Reconhecer os nossos pecados é o princípio de toda a conversão a Deus. Não se trata apenas de reconhecer antigos pecados nossos, mas de confessar a nossa actual condição de pecadores. Esta mesma condição faz-nos sentir a necessidade religiosa de recorrer ao único que pode remediá-la, Deus. Daqui a conveniência de rezar insistentemente, com a oração do Senhor, para alcançar da misericórdia divina uma e outra vez o perdão dos nossos pecados.

A segunda parte deste pedido é uma chamada séria a perdoar aos nossos semelhantes: como nos atrevemos a pedir perdão a Deus, se não estamos dispostos a perdoar aos outros! O cristão deve ser consciente das exigências desta oração, que há-de rezar com todas as suas conseqüências: não querer perdoar a outro é condenar-se a si mesmo.

13. “E não nos deixes cair na tentação”: “Não pedimos aqui para não sermos tentados, porque a vida do homem na terra é milícia (Iob 7, 1)… Que é, pois, o que aqui pedimos? Que, sem nos faltar o auxílio divino, não consintamos por erro nas tentações, nem cedamos a elas por desalento; que esteja pronta em nosso favor a graça de Deus, a qual nos console e fortaleça quando nos faltem as próprias forças” (Catecismo Romano, IV, 15,14).

Reconhecemos nesta súplica do Pai-nosso a nossa debilidade para lutar contra a tentação só com as forças humanas. Isto deve levar-nos a recorrer com humildade a Deus, para receber d’Ele a fortaleza necessária. Porque “muito forte é Deus para livrar-te de tudo, e pode fazer-te mais bem do que mal todos os demônios. Deus quer somente que te fies d’Ele, que te arrimes a Ele, que confies n’Ele e desconfies de ti mesmo, e desta maneira há-de ajudar-te e com a Sua ajuda vencerás todo o inferno que venha contra ti. Desta firme esperança não te deixes cair, porque Se irritará com isso, nem porque os demônios sejam muitos e muitas as tentações e bravas e de muitas maneiras. Está sempre arrimado a Ele, porque se este arrimo e força não tens com o Senhor, logo cairás e temerás qualquer coisa” (Sermones 9, Domingo I de Quaresma).

“Mas livra-nos do mal”: Neste pedido, que de algum modo resume todos os anteriores, rogamos ao Senhor que nos livre de tudo aquilo que o nosso inimigo faz contra nós para perder-nos; e não nos poderemos livrar dele se o próprio Deus não nos livra, concedendo a Sua assistência aos nossos rogos.

Igualmente poderia traduzir-se por “mas livra-nos do Mau”, quer dizer, do maligno, do demônio, que é a origem, em última instância, de todos os nossos males.

Ao fazermos este pedido podemos estar seguros de ser ouvidos, porque Jesus Cristo, estando para sair deste mundo, rogava ao Pai pela salvação dos homens com estas palavras: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno” (Ioh 17, 15).

14-15. São Mateus conserva nos vv. 14 e 15 como um comentário de Nosso Senhor à quinta petição do Pai-nosso.

Que maravilha é Deus que perdoa! Mas se Deus, três vezes Santo, tem misericórdia do pecador, quanto mais nós, pecadores, que sabemos por experiência própria da miséria do pecado, devemos perdoar aos outros. Não há ninguém perfeito na terra. Assim como Deus nos ama, mesmo com os nossos defeitos, e nos perdoa, nós também devemos amar os outros, mesmo com os seus defeitos, e perdoar-lhes. Se esperamos amar os que não têm defeitos, nunca amaremos ninguém. Se esperamos que se corrijam ou se desculpem os outros primeiro, quase nunca perdoaremos. Mas então, tambem nós não seremos perdoados. “De acordo: aquela pessoa tem sido má contigo.- Mas não tens sido tu pior com Deus?” (Caminho, n° 686).

Perdoando àqueles que nos têm ofendido tornamo-nos, pois, semelhantes ao nosso Pai Deus: “No facto de amar os inimigos, vê-se claramente certa semelhança com o nosso Pai Deus, que reconciliou consigo o género humano, que era muito inimigo e contrário Seu, redimindo-o da condenação eterna por meio da morte do Seu Filho” (Catecismo Romano, IV, 14,19).

Dia 24 de fevereiro

Lc 11, 29-32

29Como as multidões tivessem afluído em massa, começou a dizer: Esta geração é uma geração perversa: pede um sinal, mas não lhe será dado nenhum sinal, a não ser o sinal de Jonas. 30Pois, do mesmo modo que Jonas foi um sinal para os Ninivitas, assim o será também o Filho do homem para esta geração. 31A rainha do Sul há-de surgir na altura do Juízo com os homens desta geração e condená-los-á, porque veio dos confins da Terra para ouvir a sabedoria de Salomão, e está aqui algo mais do que Salomão. 32Os homens de Nínive hão-de ressuscitar na altura do Juízo com esta geração e hão-de condená-la, porque, à pregação de Jonas, fizeram penitência, e está aqui algo mais do que Jonas.

Comentário

29-32. Jonas foi o profeta que levou os ninivitas à penitência porque na sua pregação e nas suas obras, na sua pessoa e na sua vida, reconheceram o sinal de um enviado de Deus.

Dia 25 de fevereiro

Mt 7, 7-12

7Pedi e dar-se-vos-á, buscai e encontrareis, batei e abrir-se-vos-á. 8Porque, todo o que pede recebe, e o que busca encontra e ao que bate, abrir-se-á. 9Haverá entre vós alguém que dê uma pedra ao filho, se ele lhe pedir pão? 10E lhe dê uma serpente, se ele lhe pedir peixe? 11Se, pois, vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos; quanto mais vosso Pai que está nos Céus dará coisas boas aos que Lhe pedirem. 12Tudo aquilo, pois, que quereis que os outros vos façam a vós, fazei-o também vós a eles, porque esta é a Lei e os Profetas.

Comentário

7-11. O Mestre ensina de diversas maneiras a eficácia da oração. A oração é uma elevação da mente para Deus para O adorar, dar-Lhe graças e pedir-Lhe o que necessitamos (cfr Catecismo Maior, n° 255). Jesus insiste na oração de petição, que é o primeiro movimento espontâneo da alma que reconhece Deus como seu Criador e Pai. Como criatura de Deus e como Seu filho, o homem necessita pedir-Lhe humildemente todas as coisas.

Ao falar da eficácia da oração, Jesus não faz restrições: “Todo o que pede, recebe”, porque Deus é nosso Pai. E São Jerónimo comenta: “Está escrito: a todo o que pede se dá; logo, se a ti não se te dá, não se te dá porque não pedes; portanto, pede e receberás” (Comm. in Matth., 7). Não obstante, apesar de a oração ser de si infalível, por vezes não obtemos o que queríamos. Santo Agostinho diz que a nossa oração não é escutada porque pedimos “aut mali, aut male, aut mala”. “Mali”: porque somos maus, porque as nossas disposições pessoais não são boas; “male”: porque pedimos mal, sem fé, sem perseverança, sem humildade; “mala”: porque pedimos coisas más, quer dizer, o que não nos convém, o que pode causar-nos dano (cfr De civitate Dei, XX, 22 e 27; De Serm. Dom. in monte, II, 27,73). Em última análise, a oração não é eficaz quando não é verdadeira oração. Portanto: “Faz oração. Em que negócio humano te podem dar mais garantias de êxito?” (Caminho, n° 96).

12. A sentença de Jesus, chamada “regra de ouro”, oferece um critério prático para reconhecer o alcance das nossas obrigações e da nossa caridade para com os outros. Mas uma consideração superficial correria o risco de mudá-lo num móbil egoísta do nosso comportamento: não se trata, evidentemente, de um do ut des (“dou-te para que me dês”), mas de fazer o bem aos outros sem pôr condições, como em boa lógica as não pomos no amor a nós mesmos. Esta regra prática ficará completada com o “mandamento novo” de Jesus Cristo (Ioh 13,34), onde nos ensina a amar os outros como Ele mesmo nos amou.

Dia 26 de fevereiro

Mt 5, 20-26

20Porque Eu vos digo que, se a vossa justiça não sobrepujar a dos Escribas e Fariseus, não entrareis no Reino dos Céus. 21Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás, e quem matar será réu perante o tribunal. 22Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que se irar contra seu irmão, será réu perante o tribunal. E quem chamar a seu irmão “imbecil”, será réu perante o Sinédrio. E quem lhe chamar “doido”, será réu da Geena do fogo. 23Portanto, se ao apresentares a tua oferenda ao altar, aí te recordares que teu irmão tem algo contra ti, 24deixa aí a tua oferenda diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, depois vem e apresenta a tua oferenda. 25Põe-te de acordo com o teu adversário, enquanto estás com ele no caminho. Não seja caso que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão. 26Em verdade te digo: não sairás de lá, enquanto não pagares o último ceitil.

Comentário

20. “Justiça”: O versículo vem esclarecer o sentido dos precedentes. Os escribas e os fariseus tinham chegado a deformar o espírito da Lei, ficando na observância externa e ritual da mesma. Entre eles o cumprimento exato e minucioso, mas externo, dos preceitos tinha-se transformado numa garantia de salvação do homem diante de Deus: “se eu cumpro isto sou justo, sou santo e Deus tem de me salvar”. Com este modo de conceber a justificação já não é Deus no fundo quem salva, mas é o homem quem se salva pelas obras externas. A falsidade de tal concepção fica patente com a afirmação de Cristo, que poderia exprimir-se com estes termos: para entrar no Reino dos Céus é necessário superar radicalmente a concepção da justiça ou santidade a que tinham chegado os escribas e os fariseus. Por outras palavras, a justificação ou santificação é uma graça de Deus, com a qual o homem só pode colaborar secundariamente pela sua fidelidade a essa graça. Noutros lugares estes ensinamentos ficarão ainda mais claramente explicados por Jesus (cfr Lc 18, 9-14, parábola do fariseu e do publicano). Também dará lugar a uma das grandes batalhas doutrinais de São Paulo perante os “judaizantes” (veja-se Gal 3 e Rom 2-5).

21-26. Nestes versículos temos um exemplo concreto de como Jesus leva à sua plenitude a Lei de Moisés, explicando profundamente o sentido dos mandamentos desta.

22. Jesus ao falar em primeira pessoa (“Eu, porém, digo-vos”) expressa que a Sua autoridade está por cima da de Moisés e dos Profetas; quer dizer: Ele tem autoridade divina. Nenhum homem poderia falar com essa autoridade.

“Imbecil”: Muitíssimas versões deste passo mantiveram a transcrição da palavra original aramaica: “Raca”, pronunciada por Cristo. Não é fácil dar uma tradução exacta. O termo “raca” equivale ao que hoje entendemos por néscio, estúpido, imbecil. Era sinal entre os Judeus de um grande desprezo, que muitas vezes se manifestava não com palavras, mas com a acção de cuspir no chão.

“Doido”, que outras versões traduzem por “fátuo”, “louco”, “renegado”, etc., era um insulto ainda maior que “raca”: referia-se à perda do sentido moral e religioso, até ao ponto da apostasia.

Nosso Senhor indica neste texto três faltas que podemos cometer contra a caridade, nas quais se pode apreciar uma gradação, que vai desde a irritação interna até ao maior dos insultos. A propósito deste passo comenta Santo Agostinho que se devem observar três graus de faltas e de castigos. O primeiro, entrar em cólera por um movimento interno do coração, ao que corresponde o castigo do juízo; o segundo, dizer alguma palavra de desprezo, que leva consigo o castigo do conselho; o terceiro, quando deixando-nos levar pela ira até à obcecação, injuriamos despiedadamente os nossos irmãos, que é castigado com o fogo do inferno (cfr De Serm. Dom. in monte II, 9).

“Geena do fogo”, frase que na linguagem judaica daqueles tempos significava o castigo eterno, o fogo do inferno.

Daqui a gravidade dos pecados externos contra a caridade: murmuração, injúria, calúnia, etc. Não obstante, devemos dar-nos conta de que estes brotam do coração; o Senhor chama a atenção em primeiro lugar para os pecados internos: rancor, ódio, etc., para fazer ver que aí está a raiz, e quanto nos convém refrear os primeiros movimentos da ira.

23-24. O Senhor encontra-Se com umas práticas judaicas do Seu tempo, e em tal ocasião dará uma doutrina de valor moral altíssimo e perene. Naturalmente que no cristianismo estamos noutra situação diferente das práticas cultuais judaicas. Para nós o mandato do Senhor tem uns caminhos determinados por Ele mesmo. Em concreto, na Nova e definitiva Aliança, fundada por Cristo, reconciliar-nos é aproximar-nos do sacramento da Penitência. Neste os fiéis “obtém da misericórdia de Deus o perdão da ofensa feita a Ele, e ao mesmo tempo reconciliam-se com a Igreja, à qual feriram pelo pecado” (Lumen gentium, n. 11).

Do mesmo modo, no Novo Testamento, a oferenda por excelência é a Eucaristia. Ainda que à Santa Missa se deva assistir sempre nos dias de preceito, é sabido que para a recepção da Sagrada Comunhão se requer como condição imprescindível estar em graça de Deus.

Nosso Senhor não quer dizer nestes versículos que se tenha de antepor o amor do próximo ao amor de Deus. A caridade tem uma ordem: amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. Este é o maior e primeiro mandamento (cfr Mt 22, 37-38). O amor ao próximo, que é o segundo mandamento em importância (cfr Mt 22, 39), recebe o seu sentido do primeiro. Não é concebível fraternidade sem paternidade. A ofensa contra a caridade é, antes de mais, ofensa a Deus.

Dia 27 de fevereiro

Mt 5, 43-48

43Ouvistes que foi dito: Ama o teu próximo e odeia o teu inimigo. 44Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; 45para serdes filhos de vosso Pai que está nos Céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e chover sobre justos e injustos. 46Porque, se amais os que vos amam, que recompensa mereceis? Porventura não fazem o mesmo também os publicanos? 47E se saudais só os vossos irmãos, que fazeis nisso de extraordinário? Porventura não fazem o mesmo também os gentios? 48Sede, pois, vós perfeitos como é perfeito vosso Pai celeste.

Comentário

43. A primeira parte do versículo “ama o teu próximo”, está em Levítico 19, 18. A segunda parte “odeia o teu inimigo”, não vem na Lei de Moisés. As palavras de Jesus, contudo, aludem a uma interpretação generalizada entre os rabinos da Sua época, os quais entendiam por próximo só os Israelitas. O Senhor corrige esta falsa interpretação da Lei, entendendo por próximo todo o homem (cfr a parábola do bom samaritano em Lc 10, 25-37).

43-47. O passo recapitula os ensinamentos anteriores. O Senhor chega a estabelecer que o cristão não tem inimigos pessoais. O seu único inimigo é o mal em si, o pecado, mas não o pecador. Esta doutrina foi levada à prática pelo próprio Jesus Cristo com os que O crucificaram, e é a que segue todos os dias com os pecadores que se rebelam contra Ele e O desprezam. Por isso os santos seguiram o exemplo do Senhor, como o primeiro mártir Santo Estêvão, que orava pelos que lhe estavam a dar a morte. Chegou-se ao cume da perfeição cristã: amar e rezar até pelos que nos persigam e caluniem. Este é o distintivo dos filhos de Deus.

46. “Publicanos”: Eram os cobradores de impostos. O Império Romano não tinha funcionários próprios para este serviço, mas entregava-o a determinadas pessoas do país respectivo. Estas podiam ter empregados subalternos (daí que por vezes se fale de “chefe de publicanos”, corno é o caso de Zaqueu; cfr Lc 19, 2). A quantidade genérica do imposto para cada região era determinada pela autoridade romana. Os publicanos cobravam uma sobretaxa, da qual viviam, e que se prestava a arbitrariedade; por isso normalmente eram odiados pelo povo. Além disso, no caso dos Judeus, agregava-se a nota intamante de expoliar o povo eleito em favor dos gentios.

48. O versículo 48 resume, de algum modo, todos os ensinamentos do capítulo, incluídas as Bem-aventuranças. Em sentido estrito é impossível que a criatura tenha a perfeição de Deus. Portanto, o Senhor quer dizer aqui que a perfeição divina deve ser o modelo para o qual há-de tender o fiel cristão, sabendo que há uma distância infinita em relação ao seu Criador. Isto, porém, não rebaixa nada a força deste mandamento, mas, pelo contrário, ilumina-o. Juntamente com a exigência deste mandato de Jesus Cristo, há que considerar a magnitude da graça que promete, para que sejamos capazes de tender, nada menos, que à perfeição divina. De qualquer modo a perfeição que havemos de imitar não se refere ao poder e à sabedoria de Deus, que superam por completo as nossas possibilidades, mas nesta passagem, pelo contexto, parece referir-se sobretudo ao amor e à misericórdia. Neste sentido São Lucas refere-nos as seguintes palavras do Senhor: “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36).

Como se vê, a “chamada universal à santidade” não é uma sugestão, mas um mandamento de Jesus Cristo: “Tens obrigação de te santificar. – Tu, também. – Quem pensa que é tarefa exclusiva de sacerdotes e religiosos? A todos, sem excepção, disse o Senhor: ‘Sede perfeitos, como Meu Pai Celestial é perfeito'” (Caminho, n° 291). Doutrina que o Concílio Vaticano II sanciona no cap. 5 da Const. Lumen gentium, n. 40, donde tiramos estas palavras: “Jesus, mestre e modelo divino de toda a perfeição, pregou a santidade de vida,de que Ele é autor e consumador, a todos e a cada um dos Seus discípulos, de qualquer condição: ‘sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito’ (…). É, pois, claro a todos, que os cristãos de qualquer estado ou condição de vida, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Na própria sociedade terrena, esta santidade promove um modo de vida mais humano”.

Dia 28 de fevereiro

Lc 9, 28b-36

28bTomou Jesus consigo a Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. 29Quando estava em oração, tornou-se-Lhe diferente o aspecto do rosto, e o vestuário branco refulgente. 30Estavam dois homens a conversar com Ele, os quais eram Moisés e Elias, 31que, aparecendo gloriosos, falavam da Sua morte que ia dar-se em Jerusalém. 32Ora Pedro e os companheiros estavam carregados de sono. Mas, despertando, viram a Sua glória e os dois homens que estavam com Ele. 33Quando estes iam a separar-se d’Ele, disse Pedro a Jesus: Mestre, é bom nós estarmos aqui; vamos fazer três tendas, uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias – pois não sabia o que estava a dizer. 34Enquanto dizia isto, formou-se uma nuvem que os foi cobrindo com a sua sombra; e os discípulos ficaram cheios de medo, quando entraram na nuvem. 35Fez-se então ouvir da nuvem uma voz, que dizia: Este é o Meu Filho eleito: escutai-O. 36E, quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou só. Eles guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.

Comentário

28-36. Jesus Cristo com a Sua Transfiguração fortalece a fé dos Seus discípulos mostrando na Sua humanidade um indício da glória que ia ter depois da Ressurreição. Quer que entendam que a Sua Paixão não será o fim, mas o caminho para chegar à glória. “Para que alguém se mantenha no recto caminho é preciso que conheça previamente, ainda que seja de modo imperfeito, o termo do seu caminhar: do mesmo modo um arqueiro não lança uma flecha se antes não conhece o alvo ao qual apontar (…). E isto é tanto mais necessário, quanto mais difícil e árduo for o caminho e fatigante a viagem, e alegre pelo contrário o fim” (Suma Teológica, III, q. 45, a. 1).

Com este milagre da Transfiguração Jesus Cristo mostra também um dos dotes dos corpos gloriosos: a claridade “pela qual brilharão como o sol os corpos dos santos; pois isto afirma o nosso Salvador no Evangelho de São Mateus: ‘Então os justos brilharão como o sol no Reino de Seu Pai’ (Mt 13,43); e para que ninguém duvidasse disso o esclareceu com o exemplo da Sua Transfiguração. A este dote chama o Apóstolo umas vezes glória e outras claridade. ‘Transformará o corpo da nossa baixeza conforme ao corpo da Sua claridade’ (Phil 3,21); e noutra parte: ‘Semeia-se em estado de vileza; ressuscitará com glória’ (l Cor 15,43). O povo de Israel viu também alguma imagem desta glória no deserto, quando o rosto de Moisés resplandecia pelo colóquio e pela presença de Deus, de tal modo que os filhos de Israel não podiam fixar nele o seu olhar (Ex 34, 29; 2 Cor 3,7). A claridade é certo resplendor que, procedente da suma felicidade da alma, redunda no corpo como uma certa comunicação a este da felicidade de que a alma goza (…). Mas não deve crer-se que deste dote participem todos na mesma proporção (…). Porque, embora todos os corpos dos santos venham a ser igualmente impassíveis, contudo, não terão o mesmo resplendor; pois, como diz o Apóstolo, uma é a claridade do sol, outra a claridade da lua e outra a das estrelas, e inclusivamente há diferença na claridade entre umas estrelas e outras; assim sucederá na ressurreição dos mortos (1 Cor 15,41-42)” (Catecismo Romano, I, 12, 13).

31. “Falavam da sua morte”: A Neo-vulgata diz: Falavam da Sua saída deste mundo, isto é, da morte de Cristo. Também pode entender-se da Ascensão do Senhor.

35. “Escutai-O “: Tudo o que Deus quer dizer à humanidade o disse através de Cristo, ao chegar a plenitude dos tempos (cfr Heb 1,1). “Pelo que, explica São João da Cruz, o que agora quisesse consultar Deus, ou quisesse alguma visão ou revelação, não só cometeria uma estupidez, mas faria agravo a Deus, não pondo os olhos totalmente em Cristo, sem querer alguma outra coisa ou novidade. Porque lhe poderia responder Deus desta maneira, dizendo: ‘Se te falei já de todas as coisas na Minha Palavra, que é o Meu Filho, e não tenho outra, que te posso Eu agora responder ou revelar que seja mais que isso? Põe os olhos apenas n’Ele, porque n’Ele to disse e revelei, e acharás n’Ele mais ainda do que pedes e desejas (…); ouvi-O a Ele, porque já não tenho mais fé que revelar, nem mais coisas que manifestar’ ” (Subida ao Monte Carmelo, liv. 2, cap. 22, nº 5).