dia 18 a 24 de maio de 2009

Dia 18 de maio

Jo 15, 26-16, 4a

26Mas, quando vier o Assistente que Eu hei-de enviar lá do Pai, o Espírito da Verdade, que do Pai procede, Ele dará testemunho de Mim. 27E vós também ides dar testemunho, porque estais comigo desde o princípio. 1E disse-vos isto para não sucumbirdes. 2Hão-de excluir-vos das sinagogas. E até vai chegar a hora em que todo aquele que vos der a morte julgará prestar culto a Deus. 3E fá-lo-ão por não terem conhecido nem o Pai nem a Mim. 4Mas Eu disse-vos isto para que, ao chegar a respectiva hora, vos lembreis de que Eu vo-lo disse.

Comentário

26-27. Os Apóstolos voltarão a receber o encargo de dar testemunho de Jesus Cristo momentos antes da Ascensão (cfr Act 1,8). Eles foram testemunhas do ministério público, da Morte e Ressurreição de Cristo, condição para fazer parte do Colégio Apostólico, como se vê na escolha de Matias em substituição de Judas (cfr Act 1,21-22). Mas será com a vinda do Espírito Santo que se iniciará a pregação pública dos Doze e a vida da Igreja.

Todo o cristão há-de ser também uma testemunha viva de Cristo, e a Igreja inteira é um testemunho perene de Jesus Cristo: “A missão da Igreja realiza-se, pois, mediante a actividade pela qual, obedecendo ao mandamento de Cristo e movida pela graça e pela caridade do Espírito Santo, ela se torna actual e plenamente presente a todos os homens ou povos para os conduzir à fé, liberdade e paz de Cristo, não só pelo exemplo de vida e pela pregação, mas também pelos sacramentos e pelos restantes meios da graça” (Ad gentes, n. 5).

2-3. O fanatismo pode arrastar até fazer crer que é lícito o crime para servir a causa da religião. Era o que acontecia a estes judeus que perseguiram Jesus até à morte e depois a Igreja. Um caso típico desse falso zelo foi o de Paulo de Tarso (cfr Act 22,3-16), mas ao conhecer o seu erro converteu-se num dos mais fervorosos apóstolos de Cristo. Como predisse o Senhor, a Igreja sofreu repetidas vezes tal ódio fanático e diabólico. Outras vezes esse falso zelo não é tão manifesto, mas mostra-se na oposição sistemática e injusta às coisas de Deus.

“Nas horas de luta e contradição, quando talvez ‘os bons’ encham de obstáculos o teu caminho, levanta o teu coração de apóstolo; ouve a Jesus que fala do grão de mostarda e do fermento. – E diz-Lhe: ‘edissere nobis parabolam’ – explica-nos a parábola. E sentirás a alegria de contemplar a vitória futura: aves do céu à sombra do teu apostolado, agora incipiente; e toda a massa fermentada” (Caminho, n° 695).

Nestes casos, como também o advertiu Nosso Senhor, aqueles que perseguem os verdadeiros servidores de Deus pensam agradar-Lhe: esses perseguidores confundem a causa de Deus com concepções deformadas da religião.

4. Agora o Senhor não profetiza apenas a Sua morte (cfr Mt 16,21-23), mas também as perseguições que padecerão os Seus discípulos. Prediz as contrariedades para que quando cheguem não se escandalizem nem desanimem: pelo contrário, serão ocasião de mostrar a fé.

Dia 19 de maio

Jo 16, 5-11

5Mas agora vou para Aquele que Me enviou e já nenhum de vós Me pergunta: “Para onde vais?”. 6Mas, por Eu vos ter dito estas coisas, encheu-se de mágoa o vosso coração. 7Contudo, Eu digo-vos a verdade: É conveniente para vós que Eu Me vá. Se Eu não for, o Assistente não virá até vós. Mas, se Eu for, enviar-vo-Lo-ei. 8Depois de chegar, há-de Ele confundir o mundo quanto ao pecado, quanto à justiça e quanto ao julgamento: 9quanto ao pecado, porque não acreditam em Mim; 10quanto à justiça, porque Eu vou para o Pai e já Me não vereis; 11e quanto ao julgamento, porque o Príncipe deste mundo está condenado.

Comentário

6-7. O pensar que os vai deixar sós enche de tristeza os Apóstolos. O Senhor consola-os com a promessa do Paráclito, o Consolador. Mais adiante (v. 20 s.) assevera-lhes que aquela tristeza se converterá numa alegria que ninguém poderá arrebatar-lhes.

Jesus fala do Espírito Santo três vezes no Sermão da Ceia. Na primeira (14,15 ss.), afirma que virá outro Paráclito (advogado, consolador) enviado pelo Pai para que esteja sempre com eles; na segunda (14,26), diz que Ele mesmo enviará, de parte do Pai, o Espírito da verdade, que lhes ensinará tudo; na terceira (16,6-7), descobre totalmente o plano de salvação e anuncia que o fruto da Sua Ascensão ao Céu será o envio do Espírito Santo.

8-11. A palavra “mundo” designa aqui os que não creram em Cristo e O rejeitaram. A estes o Espírito Santo acusá-los-á de pecado pela sua incredulidade. Argui-los-á de justiça porque mostrará que Jesus era o Justo que jamais cometeu pecado algum (cfr Ioh 8,46; Heb 4,15), e por isso é glorificado junto do Pai. Por último arguirá de juízo ao tornar patente que o Demônio, príncipe deste mundo, foi vencido mediante a Morte de Cristo, pela qual o homem é resgatado do poder do Maligno e capacitado, pela graça, para vencer as suas ciladas.

Dia 20 de maio

Jo 16, 12-15

12Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não podeis comportá-las por agora. 13Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, guiar-vos-á para a verdade total. É que Ele não falará por si próprio, mas falará de quanto ouve e anunciar-vos-á o que está para vir. 14Ele há-de glorificar-Me, porque receberá do que é Meu, para vo-lo anunciar. 15Tudo quanto o Pai tem é Meu. Por isso Eu disse que Ele receberá do que é Meu, para vo-lo anunciar.

Comentário

13. O Espírito Santo é quem leva à plena compreensão da verdade revelada por Cristo. Com efeito, como ensina o Concílio Vaticano II, o Senhor “com o envio do Espírito de verdade, completa totalmente e confirma com o testemunho divino a revelação” (Dei Verbum, n. 4).

14-15. Jesus Cristo revela aqui alguns aspectos do mistério da Santíssima Trindade. Ensina a igualdade de natureza das três Pessoas divinas ao dizer que tudo o que tem o Pai é do Filho, que tudo o que tem o Filho é do Pai (cfr Ioh 17,10) e que o Espírito Santo possui também aquilo que é comum ao Pai e ao Filho, isto é, a essência divina. Acção própria do Espírito Santo será glorificar Cristo, recordando e esclarecendo aos discípulos o que o Mestre lhes ensinou (Ioh 16,13). Os homens, ao reconhecerem o Pai através do Filho movidos pelo Espírito, glorificam Cristo; e glorificar Cristo é o mesmo que dar glória a Deus (cfr Ioh 17,1.3-5.10).

Dia 21 de maio

Jo 16, 16-20

16Daqui a pouco já Me não vereis e pouco depois voltareis a ver-Me. 17Disseram então alguns dos discípulos entre si: Que é isto que Ele nos diz: “daqui a pouco não mais Me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me”, e ainda: “Eu vou para o Pai”? 18Perguntavam, pois: Que é esse pouco de que Ele fala? Não sabemos o que está a dizer! 19Jesus percebeu que O queriam interrogar e disse-lhes: Estais inquirindo entre vós sobre isto que Eu disse: “Daqui a pouco não Me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me”? 20Em verdade, em verdade vos digo: Vós haveis de chorar e lamentar-vos, e o mundo alegrar-se-á. Vós haveis de entristecer-vos, mas a vossa tristeza tornar-se-á em alegria.

Comentário

16-20. O Senhor tinha consolado antes os discípulos asseverando-lhes que depois da Sua partida lhes enviaria o Espírito Santo (v. 7). Agora dá-lhes outro motivo de consolação: a Sua partida não será definitiva, mas voltará a estar com eles. Não obstante, os Apóstolos não acabam de entender o que lhes quer dizer, e interrogam-se uns aos outros sobre o sentido das palavras do Mestre. O Senhor não lhes dá uma explicação directa, quiçá porque não seriam capazes de compreender, como já noutras ocasiões (cfr Mt 16,21-23 e par.). Pelo contrário, insiste na alegria que virá depois dessa tristeza que agora os embarga.

Dia 22 de maio

Jo 16, 20-23a

20Em verdade, em verdade vos digo: Vós haveis de chorar e lamentar-vos, e o mundo alegrar-se-á. Vós haveis de entristecer-vos, mas a vossa tristeza tornar-se-á em alegria. 21A mulher, quando vai dar à luz, sente-se triste, por ter chegado a sua hora. Mas, depois de ter tido o menino, já se não lembra da aflição com a alegria de ter vindo um homem ao mundo. 22Tarnbém vós vos sentis agora tristes. Mas Eu hei-de tornar a ver-vos; então o vosso coração alegrar-se-á, e a vossa alegria ninguém vo-la poderá tirar. 23E, nesse dia, nada Me haveis de perguntar.

Comentário

16-22. O Senhor tinha consolado antes os discípulos asseverando-lhes que depois da Sua partida lhes enviaria o Espírito Santo (v. 7). Agora dá-lhes outro motivo de consolação: a Sua partida não será definitiva, mas voltará a estar com eles. Não obstante, os Apóstolos não acabam de entender o que lhes quer dizer, e interrogam-se uns aos outros sobre o sentido das palavras do Mestre. O Senhor não lhes dá uma explicação directa, quiçá porque não seriam capazes de compreender, como já noutras ocasiões (cfr Mt 16,21-23 e par.). Pelo contrário, insiste na alegria que virá depois dessa tristeza que agora os embarga. E assim anuncia-lhes que, depois das tribulações, terão um gozo completo que não perderão jamais (cfr Ioh 17,13). Refere-Se, antes de mais, à alegria da Ressurreição (cfr Lc 24,41), mas também ao encontro definitivo com Jesus no Céu. Esta imagem da mulher que dá à luz, que é muito freqüente no Antigo Testamento para exprimir a dor intensa, costuma empregar-se também, sobretudo nos Profetas, para significar o parto do novo povo messiânico (cfr Is 21,3; 26,17; 66,7; Ier 30,6; Os 13,13; Mich 4,9-10). As palavras de Jesus, que o presente passo do Evangelho recolhe, parecem ter uma relação com tais profecias, das quais constituiriam o seu cumprimento. O nascimento do povo messiânico – a Igreja de Cristo – comporta dores intensas não só para Jesus, mas também, na sua medida, para os Apóstolos. Mas essas dores, como de parto, ver-se-ão compensadas pelo gozo da consumação do Reino de Cristo: “Porque estou convencido – diz São Paulo – de que os padecimentos do tempo presente não são comparáveis com a glória que se há-de manifestar em nós” (Rom 8,18).

Dia 23 de maio

Jo 16, 23b-28

Em verdade, em verdade vos digo: O que pedirdes ao Pai. Ele vo-lo dará em Meu nome. 24Até agora nada pedistes em Meu nome; pedi e recebereis, para a vossa alegria ser completa.

25Disse-vos estas coisas em parábolas. Vai chegar a hora em que já vos não falarei em parábolas, mas abertamente vos farei decla­rações acerca do Pai. 26Nesse dia, pedireis em Meu nome; e não vos digo que rogarei por vós ao Pai, “pois é o próprio Pai que vos ama, por vós Me terdes amado e haverdes acreditado que Eu vim de junto de Deus. 28Eu saí do Pai e vim ao mundo. De novo deixo o mundo e volto para o Pai.

Comentário

25-30. Como se vê também noutros passos dos Evan­gelhos, Jesus explicava a Sua doutrina aos Apóstolos deti­damente e com mais clareza que às multidões (cfr Mc 4, 10–12 e par.). Desta forma ia-os preparando para os enviar a pregar o Evangelho por todo o mundo (cfr Mt 28,18-20). Não obstante, o Senhor também realiza essa instrução dos Após­tolos por meio de figuras ou parábolas, inclusivamente na intimidade do discurso da Ceia: a videira, a mulher que dá à luz, etc. Esta forma de ensinar desperta a curiosidade dos Apóstolos, que, como não acabam de entender, querem perguntar mais (cfr w. 17-18). Jesus anuncia-lhes que vai chegar o momento em que lhes falará com toda a clareza, e assim possam compreendê-Lo de todo. Isto acontecerá depois da Ressurreição (cfr Act l ,3). Mas já agora, pelo facto de conhecer os seus pensamentos, lhes está a manifestar uma vez mais que é Deus, pois só Deus pode conhecer o que há no mundo interior do homem (cfr 2,25). Por outro lado, a frase do v. 28 «saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e vou para o Pai» resume o mistério da Sua Pessoa (cfr Ioh l,14; 20,31).

Dia 24 de maio (Ascensão do Senhor)

Mc 16,15-20

15E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. 16Quem acreditar e for baptizado será salvo, mas quem não crer será condenado. 17Aos que crerem acompanhá-los-ão estes milagres: em Meu nome expulsarão Demônios, falarão novas línguas, 18pegarão em serpentes e, se beberem peçonha, não lhes fará mal, imporão as mãos aos doentes, e eles recobrarão saúde. 19E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi assumido ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. 20Eles partiram a pregar por toda a parte, cooperando o Senhor com eles e confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.

Comentário

15. Este versículo contém o chamado mandato apostólico universal, que é paralelo ao de Mt 28,19-20 e ao de Lc 24,46-48. É um mandato imperativo de Cristo aos Seus Apóstolos para que preguem o Evangelho a todas as nações. Essa mesma missão apostólica incumbe, de modo especial, aos sucessores dos Apóstolos, que são os Bispos em comunhão com o Papa, sucessor de Pedro.

Não só eles, porém, mas toda “a Igreja nasceu para tornar todos os homens participantes da redenção salvadora e, por eles, ordenar efectivamente a Cristo o universo inteiro, dilatando pelo mundo o Seu Reino para glória de Deus Pai. Toda a actividade do Corpo místico que a este fim se oriente, chama-se apostolado. A Igreja exerce-o de diversas maneiras, por meio de todos os seus membros, já que a vocação cristã é também, por sua própria natureza, vocação ao apostolado. (…). Existe na Igreja diversidade de funções, mas unidade de missão. Aos Apóstolos e seus sucessores, confiou Cristo a missão de ensinar, santificar e governar em Seu nome e com o Seu poder. Mas os leigos, dado que são participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, têm um papel próprio a desempenhar na missão do inteiro Povo de Deus, na Igreja e no mundo” (Apostolicam actuositatem, n. 2).

É verdade que Deus actua directamente na alma de cada pessoa por meio da Sua graça, mas, ao mesmo tempo, deve afirmar-se que é vontade de Cristo, expressa neste e noutros textos, que os homens sejam instrumento ou veículo de salvação para os outros homens.

Neste sentido também o Concilio Vaticano II ensina: “A todos os fiéis incumbe, portanto, o glorioso encargo de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens em toda a terra” (Ibid., n. 3).

16. Como conseqüência da proclamação da Boa Nova ensina-se neste versículo que a fé e o Baptismo são requisitos indispensáveis para alcançar a salvação. A conversão à fé de Jesus Cristo há-de levar directamente ao Baptismo, que nos “confere a primeira graça santificante, pela qual se perdoa o pecado original e também os actuais, se os houver; remete toda a pena por eles devida; imprime o carácter de cristãos; faz-nos filhos de Deus, membros da Igreja e herdeiros da glória, e habilita-nos para receber os outros sacramentos” (Catecismo Maior, n. 553).

O Baptismo é absolutamente necessário para o homem se salvar, como se depreende destas palavras do Senhor. Mas a impossibilidade física do rito baptismal pode ser suprida ou pelo martírio, que é chamado baptismo de sangue, ou por um acto perfeito de amor de Deus ou de contrição, unidos ao desejo, pelo menos implícito, de ser baptizado; a isto chama-se baptismo de desejo (cfr Ibid., n. 567-568).

Relativamente ao Baptismo das crianças, já Santo Agostinho ensinava que “de nenhum modo se pode rejeitar nem considerar como desnecessário o costume da Santa Madre Igreja de baptizar as crianças; antes pelo contrário, há que admiti-lo forçosamente por ser tradição apostólica” (De Gen. ad litt., 10,23,39). O novo Código de Direito Canónico assinala a necessidade de que as crianças sejam baptizadas: “Os pais têm obrigação de procurar que as crianças sejam baptizadas dentro das primeiras semanas; logo após o nascimento, ou até antes deste, vão ter com o pároco, peçam-lhe o sacramente para o filho e preparem-se devidamente para ele” (cân. 867 § 1).

Outra conseqüência ligada intimamente à anterior é a necessidade da Igreja, como declara o Concilio Vaticano II: “Com efeito, só Cristo é mediador e caminho de salvação e Ele torna-Se-nos presente no Seu corpo, que é a Igreja; ao inculcar expressamente a necessidade da fé e do Baptismo (cfr Mc 16,16; Ioh 3,5), confirmou simultaneamente a necessidade da Igreja, para a qual os homens entram pela porta do Baptismo. Pelo que, não se poderiam salvar aqueles que, não ignorando ter sido a Igreja católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar” (Lumen gentium, n. 14; cfr Presbyterorum ordinis, n. 4; Ad gentes, nn. 1.3; Dignitatis humanae, n. 11).

17-18. Nos primeiros tempos da expansão da Igreja, estes factos miraculosos que Jesus anuncia cumpriram-se de modo freqüente e visível. Os testemunhos históricos destes acontecimentos são abundantíssimos no Novo Testamento (cfr, p. ex. Act 3,1-11; 28,3-6) e noutros escritos cristãos antigos. Era muito conveniente que assim sucedesse para mostrar ao mundo de uma maneira palpável a verdade do cristianismo. Mais tarde, continuaram a realizar-se milagres deste tipo, mas em menor número, como casos excepcionais. Também é conveniente que assim seja porque, por um lado, a verdade do Cristianismo está já suficientemente atestada; e, por outro, para dar lugar ao mérito da fé. “Os milagres – comenta São Jerónimo – foram precisos ao princípio para confirmar com eles a fé. Mas, uma vez que a fé da Igreja está confirmada, os milagres não são necessários” (Comm. in Marcum, ad loc.). De qualquer modo, Deus continua a realizar milagres através dos santos de todos os tempos, também dos actuais.

19. A Ascensão do Senhor aos Céus e o estar sentado à direita do Pai constituem o sexto artigo da Fé que recitamos no Credo. Jesus Cristo subiu ao Céu em corpo e alma para tomar posse do Reino alcançado com a Sua morte, para nos preparar o nosso lugar na glória (cfr Apc 3,21), e para enviar o Espírito Santo à Sua Igreja (cfr Catecismo Maior, n° 123).

A afirmação “sentou-se à direita de Deus” significa que Jesus Cristo, também na Sua Humanidade, tomou posse eterna da glória e que, sendo igual ao Pai enquanto Deus, ocupa junto d’Ele o lugar de honra sobre todas as criaturas enquanto homem (cfr Catecismo Romano, I, 7,2-3). Já no Antigo Testamento se diz que o Messias estará sentado à direita do Todo-poderoso, exprimindo assim a suprema dignidade do Ungido de Yahwéh (cfr Ps 110,1). O NT recolhe aqui esta verdade, e também noutros muitos lugares (cfr Eph 1,20-22; Heb 1,13).

Segundo amplia o Catecismo Romano, Jesus subiu aos Céus pela Sua própria virtude e não por poder estranho a Ele. Também não ascendeu aos Céus apenas como Deus, mas também como homem.

20. O Evangelista, movido pelo Espírito Santo, dá testemunho de que as palavras de Cristo já se tinham começado a cumprir no tempo em que escrevia o seu Evangelho. Os Apóstolos, com efeito, souberam realizar com fidelidade a missão que o Senhor lhes tinha confiado. Começaram a pregar por todo o mundo então conhecido a Boa Nova da Salvação. A palavra dos Apóstolos era acompanhada pelos sinais e prodígios que o Senhor lhes tinha prometido, dando assim autoridade ao seu testemunho e à sua doutrina. Mas já sabemos que o trabalho apostólico foi sempre duro, cheio de fadigas, perigos, incompreensão, perseguições e até do próprio martírio, seguindo em tudo isso os rastos do Senhor.

Graças a Deus e também aos Apóstolos, chegou até nós a força e a alegria de Cristo Senhor Nosso. Mas cada geração cristã, cada homem, tem de receber essa pregação do Evangelho e por sua vez transmiti-lo. A graça do Senhor não faltará nunca: “Non est abbreviata manus Domini” (Is 59,1), o poder do Senhor não diminuiu.