In Evangelho do dia

Dia 15 de junho

Mt 5, 38-42

38Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. 39Eu, porém, digo-vos que não resistais ao mau; mas, se alguém te ferir na face direita oferece-lhe também a outra. 40E a quem quiser pleitear contigo para te tirar a túnica, larga-lhe também a capa.41E se alguém te requisitar por uma milha, vai com ele duas. 42Dá a quem te pede e não voltes as costas a quem te pede emprestado.

Comentário

38-42. Entre os antigos semitas, dos quais procede o povo hebraico, imperava a lei da vingança. Isto dava lugar a intermináveis lutas e crimes. A lei de talião constituiu naqueles primeiros séculos do povo eleito um avanço ético, social e jurídico notório. Esse avanço consistia em que o castigo não podia ser maior que o delito, e que cortava pela raiz toda a reiteração punitiva. Com isso, por um lado, ficava satisfeito o sentido da honra dos clãs e famílias e, por outro, cortava-se a interminável cadeia de vinganças.

Na moral do Novo Testamento Jesus dá o avanço definitivo, no que desempenha um papel fundamental o sentido do perdão e a superação do orgulho. Sobre estas bases morais e a defesa razoável dos direitos pessoais deve estabelecer-se todo o ordenamento jurídico para combater o mal no mundo. Os três últimos versículos referem-se à caridade mútua entre os filhos do Reino; caridade que pressupõe e impregna a justiça.

Dia 16 de junho

Mt 5, 43-48

43Ouvistes que foi dito: Ama o teu próximo e odeia o teu inimigo. 44Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; 45para serdes filhos de vosso Pai que está nos Céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e chover sobre justos e injustos. 46Porque, se amais os que vos amam, que recompensa mereceis? Porventura não fazem o mesmo também os publicanos? 47E se saudais só os vossos irmãos, que fazeis nisso de extraordinário? Porventura não fazem o mesmo também os gentios? 48Sede, pois, vós perfeitos como é perfeito vosso Pai celeste.

Comentário

43. A primeira parte do versículo “ama o teu próximo”, está em Levítico 19, 18. A segunda parte “odeia o teu inimigo”, não vem na Lei de Moisés. As palavras de Jesus, contudo, aludem a uma interpretação generalizada entre os rabinos da Sua época, os quais entendiam por próximo só os Israelitas. O Senhor corrige esta falsa interpretação da Lei, entendendo por próximo todo o homem (cfr a parábola do bom samaritano em Lc 10, 25-37).

43-47. O passo recapitula os ensinamentos anteriores. O Senhor chega a estabelecer que o cristão não tem inimigos pessoais. O seu único inimigo é o mal em si, o pecado, mas não o pecador. Esta doutrina foi levada à prática pelo próprio Jesus Cristo com os que O crucificaram, e é a que segue todos os dias com os pecadores que se rebelam contra Ele e O desprezam. Por isso os santos seguiram o exemplo do Senhor, como o primeiro mártir Santo Estêvão, que orava pelos que lhe estavam a dar a morte. Chegou-se ao cume da perfeição cristã: amar e rezar até pelos que nos persigam e caluniem. Este é o distintivo dos filhos de Deus.

46. “Publicanos”: Eram os cobradores de impostos. O Império Romano não tinha funcionários próprios para este serviço, mas entregava-o a determinadas pessoas do país respectivo. Estas podiam ter empregados subalternos (daí que por vezes se fale de “chefe de publicanos”, corno é o caso de Zaqueu; cfr Lc 19, 2). A quantidade genérica do imposto para cada região era determinada pela autoridade romana. Os publicanos cobravam uma sobretaxa, da qual viviam, e que se prestava a arbitrariedade; por isso normalmente eram odiados pelo povo. Além disso, no caso dos Judeus, agregava-se a nota intamante de expoliar o povo eleito em favor dos gentios.

48. O versículo 48 resume, de algum modo, todos os ensinamentos do capítulo, incluídas as Bem-aventuranças. Em sentido estrito é impossível que a criatura tenha a perfeição de Deus. Portanto, o Senhor quer dizer aqui que a perfeição divina deve ser o modelo para o qual há-de tender o fiel cristão, sabendo que há uma distância infinita em relação ao seu Criador. Isto, porém, não rebaixa nada a força deste mandamento, mas, pelo contrário, ilumina-o. Juntamente com a exigência deste mandato de Jesus Cristo, há que considerar a magnitude da graça que promete, para que sejamos capazes de tender, nada menos, que à perfeição divina. De qualquer modo a perfeição que havemos de imitar não se refere ao poder e à sabedoria de Deus, que superam por completo as nossas possibilidades, mas nesta passagem, pelo contexto, parece referir-se sobretudo ao amor e à misericórdia. Neste sentido São Lucas refere-nos as seguintes palavras do Senhor: “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36).

Como se vê, a “chamada universal à santidade” não é uma sugestão, mas um mandamento de Jesus Cristo: “Tens obrigação de te santificar. – Tu, também. – Quem pensa que é tarefa exclusiva de sacerdotes e religiosos? A todos, sem excepção, disse o Senhor: ‘Sede perfeitos, como Meu Pai Celestial é perfeito'” (Caminho, n° 291). Doutrina que o Concílio Vaticano II sanciona no cap. 5 da Const. Lumen gentium, n. 40, donde tiramos estas palavras: “Jesus, mestre e modelo divino de toda a perfeição, pregou a santidade de vida,de que Ele é autor e consumador, a todos e a cada um dos Seus discípulos, de qualquer condição: ‘sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito’ (…). É, pois, claro a todos, que os cristãos de qualquer estado ou condição de vida, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Na própria sociedade terrena, esta santidade promove um modo de vida mais humano”.

Dia 17 de junho

Mt 6, 1-6.16-18

1Guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens, para serdes vistos deles. De outra sorte, não tereis recompensa junto do vosso Pai que está nos Céus. 2Portanto, quando deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados dos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 3Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua esquerda o que faz a direita, 4para que a tua esmola fique secreta, e teu Pai, que vê em lugar secreto, te recompensará. 5E quando orardes, não sejais como os hipócritas que gostam de orar de pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 6Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta à chave e ora a teu Pai que está em lugar secreto. E teu Pai que vê em lugar secreto, te recompensará. 16E quando jejuais, não andeis tristes, como os hipócritas pois desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que receberam já a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuas, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para não mostrares aos homens que jejuas, mas sim a teu Pai, que está em lugar secreto, e teu Pai, que vê em lugar secreto, te recompensará.

Comentário

1-18. “Justiça”: Aqui quer dizer boas obras. Nosso Senhor ensina com que espírito se hão-de fazer os actos de piedade pessoal. A esmola, o jejum e a oração constituíam os actos fundamentais da piedade individual no povo escolhido; daqui que se centre nesses três temas. Jesus Cristo, como quem tem a autoridade máxima, ensina que a verdadeira piedade deve viver-se com rectidão de intenção, em intimidade com Deus e fugindo da ostentação. Esta piedade, assim vivida, supõe um exercício da fé em Deus que nos vê, e da esperança de que premiará os que vivem uma piedade sincera.

5-6. A Igreja, seguindo esta doutrina de Jesus, sempre nos ensinou a rezar desde crianças no nosso aposento. Esse “tu” do Senhor (v. 6) está a indicar inequivocamente a necessidade da oração pessoal; cada um, a sós com Deus, como um filho que fala com o Pai.

A oração pública em que participam todos os fiéis é santa e necessária; mas não pode nunca substituir este terminante preceito do Senhor; tu, no teu aposento, fechada a porta, ora a teu Pai.

O Concílio Vaticano II recolhe os ensinamentos e a prática da Igreja na sua Liturgia, que é “a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte donde promana toda a sua força (…). A participação na sagrada Liturgia não esgota, todavia, a vida espiritual. O cristão, chamado a rezar em comum, deve entrar também no seu quarto para rezar a sós ao Pai, e até, segundo ensina o Apóstolo, deve rezar sem cessar (l Thes 5,17) (Sacrosanctum Concilium, nn. 10.12).

A alma que realmente vive a sua fé cristã sabe que necessita de se retirar freqüentemente para orar a sós com seu Pai Deus. Jesus, que nos dá este ensinamento acerca da oração, praticou-o na Sua vida terrena: o santo Evangelho refere-nos as muitas vezes que o Senhor Se retirava sozinho para orar: “As vezes, passava a noite inteira ocupado em colóquio íntimo com o Pai. Como cativou os primeiros discípulos a figura de Cristo em oração!” (Cristo que passa. n° 119) (cfr Mt 14, 23; Mc 1,35; Lc 5,16; etc.). Os Apóstolos seguiram o exemplo do Mestre, e assim vemos Pedro que sobe ao terraço da casa em que se aloja em Jope, para se retirar a orar a sós, e ali recebe uma revelação (cfr Act 10, 9-16). “A vida de oração tem de fundamentar-se, além disso, em pequenos espaços de tempo, dedicados exclusivamente a estar com Deus. São momentos de colóquio sem ruído de palavras” (Cristo que passa, n° 119).

16-18. Partindo da prática tradicional do jejum, o Senhor inculca-nos o espírito com que devemos viver a necessária mortificação dos sentidos: temos de fazê-la sem ostentação, evitando o aplauso dos homens, discretamente; assim não poderão aplicar-se contra nós essas palavras de Jesus: “Já receberam a sua recompensa”, pois seria um triste negócio. “O mundo só admira o sacrifício com espetáculo, porque ignora o valor do sacrifício escondido e silencioso” (Caminho, n° 185).

Dia 18 de junho

Mt 6, 7-15

7E, na oração, não sejais palavrosos como os gentios, pois imaginam que hão-de ser ouvidos pela sua verbosidade. 8Náo vos pareçais, pois, com eles, porque o vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de Lho pedirdes. 9Vós, pois, orai assim: Pai nosso que estás nos Céus, santificado seja o Teu nome. 10Venha o Teu Reino. Seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no Céu. 11O pão nosso de cada dia nos dá hoje. 12E perdoa-nos as nossas dívidas, como também nós perdoamos aos nossos devedores. 13E não nos metas em tentação. Mas livra-nos do mal.” 14Porque, se vós perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará a vós. 15Se, porém, não perdoardes aos homens, nem o Pai celeste perdoará as vossas ofensas.

Comentário

7-8. Jesus corrige os exageros supersticiosos de crer que são necessárias longas orações para que Deus nos escute. A verdadeira piedade não consiste tanto na quantidade de palavras como na freqüência e no amor com que o cristão se volta para Deus nos acontecimentos, grandes ou pequenos, de cada dia. A oração vocal é boa e necessária, mas as palavras só têm valor enquanto exprimem o sentir do coração.

9-13. O “Pai-nosso” é, sem dúvida, a página mais comentada de toda a SE. Os grandes escritores da Igreja deixaram-nos explicações cheias de piedade e sabedoria. Já os primeiros cristãos, “fiéis à recomendação do Salvador e seguindo os Seus divinos ensinamentos”, centraram a sua oração nesta fórmula sublime e simples de Jesus. E também os últimos cristãos elevarão o seu coração para dizer pela última vez o Pai-nosso quando estiverem prestes a ser levados para o Céu. Entretanto, desde criança até que deixa este mundo, o Pai-nosso é a oração que enche de consolação e de esperança o coração do homem. Bem sabia Jesus Cristo a eficácia que ia ter esta oração Sua. Graças sejam dadas a Nosso Senhor porque a compôs para nós, e também aos Apóstolos por no-la terem transmitido, e às nossas mães porque no-la ensinaram nas nossas primeiras balbuciadelas. É tão importante esta oração dominical, que desde os tempos apostólicos foi utilizada como base da catequese cristã, juntamente com o Credo ou Símbolo da fé, o Decálogo e os Sacramentos. A vida de oração era ensinada aos catecúmenos comentando o Pai-nosso. E, daí este costume passou para os nossos catecismos.

Santo Agostinho diz que esta oração do Senhor é tão perfeita, que em poucas palavras compendia tudo o que o homem possa pedir a Deus (cfr Sermo 56). Normalmente distinguem-se nela uma invocação e sete pedidos: três relativos à glória de Deus e quatro às necessidades dos homens.

9. É grande consolação poder chamar “Pai nosso” a Deus. Se Jesus, o Filho de Deus, ensina os homens a que invoquem Deus como Pai é porque neles se dá esta realidade consoladora, a de ser e sentir-se filhos de Deus.

“O Senhor (…) não é um dominador tirânico, nem um juiz rígido e implacável: é nosso Pai. Fala-nos dos nossos pecados, dos nossos erros, da nossa falta de generosidade, mas é para nos livrar deles e nos prometer a Sua amizade e o Seu amor (…). Um filho de Deus trata o Senhor como Pai. Não servilmente, nem com uma reverência formal, de mera cortesia, mas cheio de sinceridade e de confiança” (Cristo que passa, n° 64).

“Santificado seja o Teu nome”: Na Bíblia o nome equivale à própria pessoa. Aqui nome de Deus é o próprio Deus. Que sentido tem pedir que Deus seja santificado? Não pode sê-lo à maneira humana: afastando-se progressivamente do mal e aproximando-se do bem, visto que Deus é a própria santidade. Pelo contrário, Deus é santificado quando a Sua santidade é reconhecida e honrada pelas Suas criaturas. Este é o sentido que tem o primeiro pedido do “Pai-nosso” (cfr Catecismo Romano, IV, 10).

10. “Venha o Teu Reino”: Chegamos aqui outra vez à idéia central do evangelho de Jesus Cristo: a vinda do Reino. O Reino de Deus identifica-se tão plenamente com a obra de Jesus Cristo, que o Evangelho é chamado indiferentemente evangelho de Jesus Cristo ou evangelho do Reino (Mt 9, 35). O advento do Reino de Deus é a realização do desígnio salvador de Deus no mundo. O Reino de Deus estabelece-se em primeiro lugar no mais íntimo do homem, elevando-o à participação da própria vida divina. Esta elevação tem como que duas etapas: a primeira na terra, que se realiza pela graça; e a segunda, definitiva, na vida eterna, que será a plenitude da elevação sobrenatural do homem. Tudo isso exige de nós uma submissão espontânea, amorosa e confiada a Deus.

“Seja feita a Tua vontade”: Este terceiro pedido exprime um desejo duplo. Primeiro, a identificação do homem com a vontade de Deus, de modo rendido e incondicional; é a expressão do abandono nas mãos de seu Pai Deus. Segundo, o cumprimento daquela vontade divina, que reclama a livre cooperação humana. Este é o caso, por exemplo, da lei divina no aspecto moral, pela qual Deus manifesta a Sua vontade, mas sem a impor à força. Uma das manifestações da vinda do Reino de Deus é o cumprimento amoroso da vontade divina por parte do homem. A segunda parte da frase “assim na Terra como no Céu” quer dizer: assim como no céu os anjos e os santos estão totalmente identificados com a vontade de Deus, de modo semelhante se deseja que isso aconteça já aqui na terra.

A luta por cumprir a vontade de Deus é o sinal de que somos sinceros quando pronunciamos as palavras: “venha o Teu Reino”. Porque diz o Senhor: “Nem todo o que Me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus” (Mt 7, 21). “Quem de veras tiver dito esta palavra: ‘Fiat voluntas tua’, tem de ter feito tudo, com a determinação pelos menos” (Caminho de perfeição, cap. 63, n° 2).

11. Neste quarto pedido, o que ora tem em conta em primeiro lugar as necessidades da vida presente. A importância desta súplica consiste em que os bens materiais, necessários para viver, são declarados lícitos. Exprime-se um profundo sentido religioso da manutenção da vida: o que o discípulo de Cristo alcança com o seu próprio trabalho também o deve implorar de Deus e recebê-lo como um dom divino; Deus é quem mantém a vida. Ao pedir a Deus o próprio sustento e considerar que este vem das mãos divinas, o cristão afasta de si a angustiosa preocupação pelas necessidades materiais. Jesus quer que peçamos não a riqueza ou o gozo desses bens, mas a posse austera do necessário. Daí que, tanto em Mateus como em Lucas (Lc 11,2), se fale do alimento suficiente para cada dia. O quarto pedido dirige-se, pois, a uma moderação do alimento e dos bens necessários, afastada dos extremos de opulência e miséria, como já tinha ensinado Deus no AT: “Não me dês pobreza nem riqueza, concede-me o pão que me é necessário, para que, saciado, não te renegue, e não diga: ‘Quem é o Senhor’? Ou, empobrecido, não roube e não profane o nome do meu Deus” (Prv 30,8-9)

Os Santos Padres interpretaram o pão que aqui se pede, não só como o alimento material, mas também viram significada a Santíssima Eucaristia, sem a qual não pode viver o nosso espírito.

Segundo o Catecismo Romano (cfr IV, 13,21), as razões para que se chame à Eucaristia pão nosso quotidiano são: que cada dia se oferece a Deus na Santa Missa, e que devemos recebê-lo dignamente, sendo possível todos os dias, segundo o conselho de Santo Ambrósio: “Se o pão é diário, por que o recebes tu apenas uma vez por ano? Recebe todos os dias o que todos os dias te é proveitoso; vive de modo que diariamente sejas digno de o receber” (De Sacramentis, V, 4).

12. “Dívida” tem aqui claramente o sentido de pecado. Com efeito, no dialecto aramaico do tempo de Jesus utilizava-se a mesma palavra para designar ofensa ou dívida. No quinto pedido reconhecemos, pois, a nossa situação de devedores por termos ofendido a Deus. Na revelação do AT é freqüente a recordação da condição pecadora do homem. Inclusive os “justos” são também pecadores. Reconhecer os nossos pecados é o princípio de toda a conversão a Deus. Não se trata apenas de reconhecer antigos pecados nossos, mas de confessar a nossa actual condição de pecadores. Esta mesma condição faz-nos sentir a necessidade religiosa de recorrer ao único que pode remediá-la, Deus. Daqui a conveniência de rezar insistentemente, com a oração do Senhor, para alcançar da misericórdia divina uma e outra vez o perdão dos nossos pecados.

A segunda parte deste pedido é uma chamada séria a perdoar aos nossos semelhantes: como nos atrevemos a pedir perdão a Deus, se não estamos dispostos a perdoar aos outros! O cristão deve ser consciente das exigências desta oração, que há-de rezar com todas as suas conseqüências: não querer perdoar a outro é condenar-se a si mesmo.

13. “E não nos deixes cair na tentação”: “Não pedimos aqui para não sermos tentados, porque a vida do homem na terra é milícia (Iob 7, 1)… Que é, pois, o que aqui pedimos? Que, sem nos faltar o auxílio divino, não consintamos por erro nas tentações, nem cedamos a elas por desalento; que esteja pronta em nosso favor a graça de Deus, a qual nos console e fortaleça quando nos faltem as próprias forças” (Catecismo Romano, IV, 15,14).

Reconhecemos nesta súplica do Pai-nosso a nossa debilidade para lutar contra a tentação só com as forças humanas. Isto deve levar-nos a recorrer com humildade a Deus, para receber d’Ele a fortaleza necessária. Porque “muito forte é Deus para livrar-te de tudo, e pode fazer-te mais bem do que mal todos os demônios. Deus quer somente que te fies d’Ele, que te arrimes a Ele, que confies n’Ele e desconfies de ti mesmo, e desta maneira há-de ajudar-te e com a Sua ajuda vencerás todo o inferno que venha contra ti. Desta firme esperança não te deixes cair, porque Se irritará com isso, nem porque os demônios sejam muitos e muitas as tentações e bravas e de muitas maneiras. Está sempre arrimado a Ele, porque se este arrimo e força não tens com o Senhor, logo cairás e temerás qualquer coisa” (Sermones 9, Domingo I de Quaresma).

“Mas livra-nos do mal”: Neste pedido, que de algum modo resume todos os anteriores, rogamos ao Senhor que nos livre de tudo aquilo que o nosso inimigo faz contra nós para perder-nos; e não nos poderemos livrar dele se o próprio Deus não nos livra, concedendo a Sua assistência aos nossos rogos.

Igualmente poderia traduzir-se por “mas livra-nos do Mau”, quer dizer, do maligno, do demônio, que é a origem, em última instância, de todos os nossos males.

Ao fazermos este pedido podemos estar seguros de ser ouvidos, porque Jesus Cristo, estando para sair deste mundo, rogava ao Pai pela salvação dos homens com estas palavras: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno” (Ioh 17, 15).

14-15. São Mateus conserva nos vv. 14 e 15 como um comentário de Nosso Senhor à quinta petição do Pai-nosso.

Que maravilha é Deus que perdoa! Mas se Deus, três vezes Santo, tem misericórdia do pecador, quanto mais nós, pecadores, que sabemos por experiência própria da miséria do pecado, devemos perdoar aos outros. Não há ninguém perfeito na terra. Assim como Deus nos ama, mesmo com os nossos defeitos, e nos perdoa, nós também devemos amar os outros, mesmo com os seus defeitos, e perdoar-lhes. Se esperamos amar os que não têm defeitos, nunca amaremos ninguém. Se esperamos que se corrijam ou se desculpem os outros primeiro, quase nunca perdoaremos. Mas então, tambem nós não seremos perdoados. “De acordo: aquela pessoa tem sido má contigo.- Mas não tens sido tu pior com Deus?” (Caminho, n° 686).

Perdoando àqueles que nos têm ofendido tornamo-nos, pois, semelhantes ao nosso Pai Deus: “No facto de amar os inimigos, vê-se claramente certa semelhança com o nosso Pai Deus, que reconciliou consigo o género humano, que era muito inimigo e contrário Seu, redimindo-o da condenação eterna por meio da morte do Seu Filho” (Catecismo Romano, IV, 14,19).

Dia 19 de junho

Jo 19, 31-37

31 Então os Judeus, visto ser a Preparação, para os corpos não ficarem na cruz ao sábado, pois era um grande dia aquele sábado, pediram a Pilatos que se lhes que­brassem as pernas e fossem retirados. Vieram, pois, os soldados e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com Ele. 33Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas, 34mas um dos soldados perfurou–Lhe o lado com uma lança e logo saiu sangue e água. 35Aquele que o viu é que o atesta, e é verdadeiro o seu testemunho; ele sabe que diz a verdade, para vós também acreditardes. É que isto sucedeu para se cumprir a Escritura: Nem um só dos seus ossos se há-de quebrar! 37Diz ainda outro passo da Escritura: Hão-de olhar para Aquele que trespassaram!

Comentário

31-32. Jesus morre no dia da preparação da Páscoa — Parasceve —, isto é, na véspera, quando no Templo eram imolados oficialmente os cordeiros pascais. Ao sublinhar esta coincidência o Evangelista insinua que o sacrifício de Cristo substituía os sacrifícios da antiga Lei e inaugurava a Nova Aliança no Seu sangue (cfr Heb 9,12).

A Lei de Moisés mandava que os justiçados não perma­necessem pendurados do madeiro ao chegar a noite (Dt 21,22-23); por isso os judeus pedem a Pilatos que lhes quebrem as pernas para acelerar a morte e podê-los enterrar antes do anoitecer, sobretudo porque no dia seguinte era a solenidade da Páscoa.

Sobre a data da morte de Jesus veja-se Data da Morte, pp. 82 ss.

34, Este facto tem uma explicação natural. O mais provável é que a água que saiu do lado de Cristo fosse o líquido pleural acumulado por causa dos tormentos.

Como noutras ocasiões, o quarto Evangelho, nos factos históricos que narra, contém um significado profundo. Santo Agostinho e a tradição cristã vêem brotar os sacramentos e a própria Igreja do lado aberto de Jesus: «Ali abria-se a porta da vida, donde manaram os sacramentos da Igreja, sem os quais não se entra na verdadeira vida (…). Este segundo Adão adormeceu na cruz para que dali fosse formada uma esposa que saiu do lado d’Aquele que dormia. Oh morte que dá vida aos mortos! Que coisa mais pura que este sangue? Que ferida mais salutar que esta?» (In Ioann. Evang., 120,2). Por sua vez o Concilio Vaticano II ensinou: «A Igreja, ou seja, o Reino de Cristo já presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus. Tal começo e crescimento exprimem-nos o sangue e a água que manaram do lado aberto de Jesus crucificado» (Lumen gentium, n. 3).

«Cristo na Cruz, com o Coração trespassado de Amor pelos homens, é uma resposta eloqüente — as palavras não são necessárias — à pergunta sobre o valor das coisas e das pessoas. Pois valem tanto os homens, a sua vida, a sua felicidade, que o próprio Filho de Deus Se entrega para os remir, para os purificar, para os elevar!» (Cristo que passa, n.° 165).

35. O Evangelho de São João apresenta-se como um testemunho veraz acerca dos acontecimentos da vida do Senhor e do seu significado doutrinai e espiritual. Desde as palavras de João Baptista no começo do ministério público de Jesus (1,19) até ao parágrafo conclusivo do Evangelho (21,24-25), tudo fica enquadrado num testemunho da reali­dade sublime do Verbo de Vida feito carne. Aqui o Evange­lista explicita a sua condição de testemunha directa (cfr também Ioh 20,30-31; l Ioh 1,1-3).

36. Esta citação alude ao preceito da Lei de não quebrar nenhum osso ao cordeiro pascal (cfr Ex 12,46). Uma vez mais o Evangelho de São João ensina-nos que Jesus é o verdadeiro Cordeiro pascal que tira o pecado do mundo (cfr Ioh l ,29).

37. O relato da Paixão termina com a citação de Zach 12,10, que preanunciava a salvação pelo sofrimento e morte misteriosos de um Redentor. O Evangelista evoca com este texto profético a salvação realizada por Jesus Cristo que, pregado na Cruz, cumpriu a promessa divina de redenção (cfr Ioh 12,32). Todo aquele que O contemple com fé recebe os frutos da Sua Paixão. Assim, o bom ladrão, contemplando Cristo na Cruz, reconheceu a Sua realeza, pôs n’Ele a sua confiança e recebeu a promessa do Céu (cfr Lc 23,42-43).

Na liturgia da Sexta Feira Santa a Igreja convida a contemplar e adorar a Cruz com estas palavras: «Contemplai a árvore da Cruz, onde esteve cravada a salvação do mundo», e desde os primeiros tempos da Igreja o Crucifixo é o sinal que recorda aos cristãos o momento supremo do amor de Cristo que, morrendo, nos livra da morte eterna. «O teu Crucifixo. — Como cristão, deverias trazer sempre contigo o teu Crucifixo. E colocá-lo sobre a tua mesa de trabalho. E beijá-lo antes de te entregares ao descanso e ao acordar. E quando o pobre corpo se rebelar contra a tua alma, beija-o também» (Caminho, n.° 302)

Dia 20 de junho

Lc 2, 41-51

41Iam Seus pais todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42E, quando chegou aos doze anos, subiram eles até lá, segundo o costume da festa. 43Quando chegaram ao fim desses dias, ao regressarem, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem os pais darem por isso. 44Pensando que Ele Se encontrava na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-Lo entre os parentes e conhecidos. 45Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura d’Ele. 46E, depois de três dias, acharam-No no Templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos aqueles que O ouviam, estavam pasmados da Sua inteligência e das Suas respostas. 48Quando O viram, ficaram vivamente impressionados, e Sua mãe disse-Lhe: Filho, porque procedeste assim conosco? Olha que Teu pai e eu andávamos aflitos à Tua procura. 49Ele respondeu-lhes: Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu tenho de estar em casa de Meu Pai? 50Mas eles não entenderam as palavras que lhes disse. 51Depois, desceu com eles, veio para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração.

Comentário

41. Só São Lucas (2,41-50) recolheu o acontecimento do Menino Jesus perdido e achado no Templo, que piedosamente contemplamos no quinto mistério gozoso do santo Rosário.

A viagem era obrigatória apenas para os varões a partir dos doze anos. A distância entre Nazaré e Jerusalém em linha recta é de uns 100 km. Tendo em conta as zonas montanhosas, os caminhos dariam um rodeio que pode calcular-se em 140 km.

43-44. Nas peregrinações a Jerusalém os Judeus costumavam caminhar em dois grupos: um de homens e outro de mulheres. As crianças podiam ir com qualquer dos dois. Isto explica que pudesse passar inadvertida a ausência do Menino até que terminou a primeira jornada, momento em que se reagrupavam as famílias para acampar.

“Maria chora. – Bem corremos, tu e eu, de grupo em grupo, de caravana em caravana; não O viram. – José, depois de fazer esforços inúteis para não chorar, chora também… E tu.. E eu… Eu, como sou criadito rústico, choro até mais não poder e clamo ao céu e à terra…, por todas as vezes que O perdi por minha culpa e não clamei” (Santo Rosário, quinto mistério gozoso).

45. A solicitude com que Maria e José buscam o Menino há-de estimular-nos a nós a buscar sempre Jesus, sobretudo quando O tenhamos perdido pelo pecado.

“Jesus! Que eu nunca mais Te perca… E então, a desgraça e a dor unem-nos, como nos uniu o pecado, e saem de todo o nosso ser gemidos de profunda contrição e frases ardentes, que a pena não pode, não deve registrar” (Santo Rosário, quinto mistério gozoso).

46-47. Seguramente o Menino Jesus estaria no átrio do Templo, onde os doutores costumavam ensinar. Os que queriam escutavam as explicações, sentados no chão, intervindo por vezes com perguntas e respostas. O Menino Jesus seguiu este costume, mas as Suas perguntas e respostas chamaram a atenção dos doutores pela sua sabedoria e ciência.

48. A Virgem Santíssima sabia desde a Anunciação do anjo que o Menino Jesus era Deus. Esta fé fundamentou uma atitude constante de generosa fidelidade ao longo de toda a sua vida, mas não tinha por que incluir o conhecimento concreto de todos os sacrifícios que Deus lhe pediria, nem do modo como Cristo levaria a cabo a Sua missão redentora. I-lo-ia descobrindo na contemplação da vida de Nosso Senhor.

49. A resposta de Cristo é uma explicação. As palavras do Menino – que são as primeiras que recolhe o Evangelho – indicam claramente a Sua Filiação divina. E afirmam a Sua vontade de cumprir os desígnios de Seu Pai Eterno. “Não os repreende – a Maria e a José – porque O buscam como filho, mas fá-los levantar os olhos do seu espírito para que vejam o que deve Àquele de Quem é Filho Eterno” (In Lucae Evangelium expositio, ad loc.). Jesus ensina-nos a todos que por cima de qualquer autoridade humana, inclusive a dos pais, está o dever primário de cumprir a vontade de Deus: “E com a alegria de encontrarmos Jesus – três dias de ausência! – disputando com os Mestres de Israel (Lc II, 46), ficará bem gravada na tua alma e na minha a obrigação de deixarmos os nossos em serviço do Pai Celestial” (Santo Rosário, quinto mistério gozoso).

50. Há que ter em conta que Jesus conhecia com pormenor desde a sua concepção o desenvolvimento de toda a Sua vida na terra. As palavras com que responde a Seus pais denotam esse conhecimento. Maria e José deram-se conta de que essa resposta entranhava um sentido muito profundo que não chegavam a compreender. Foram-no compreendendo à medida que os acontecimentos da vida de Seu Filho se iam desenvolvendo. A fé de Maria e José e a sua atitude de reverência perante o Menino levaram-nos a não perguntar mais por então, e a meditar, como noutras ocasiões, nas obras e nas palavras de Jesus.

51. O Evangelho resume-nos a vida admirável de Jesus em Nazaré apenas com três palavras: erat subditus illis, era-lhes submisso, obedecia-lhes. “Jesus obedece, e obedece a José e a Maria. Deus veio à Terra para obedecer, e para obedecer às criaturas. São duas criaturas perfeitíssimas – Santa Maria, nossa Mãe; mais do que Ela, só Deus; e aquele varão castíssimo, José. Mas criaturas. E Jesus, que é Deus, obedecia-lhes! Temos de amar a Deus, para amar assim a Sua vontade, e ter desejos de responder aos chamamentos que nos dirige através das obrigações da nossa vida corrente: nos deveres de estado, na profissão, no trabalho, na família, no convívio social, no nosso sofrimento e no sofrimento dos outros homens, na amizade, no empenho de realizar o que é bom e justo…” (Cristo que passa, n° 17).

Em Nazaré permaneceu Jesus como um mais dos homens, trabalhando no mesmo ofício de São José e ganhando o sustento com o suor do Seu rosto. “Esses anos ocultos do Senhor não são coisa sem significado, nem uma simples preparação dos anos que viriam depois, os da Sua vida pública. Desde 1928 compreendi claramente que Deus deseja que os cristãos tomem exemplo de toda a vida do Senhor. Entendi especialmente a Sua vida escondida, a Sua vida de trabalho corrente no meio dos homens: o Senhor quer que muitas almas encontrem o seu caminho nos anos de vida calada e sem brilho. Obedecer à vontade de Deus, portanto, é sempre sair do nosso egoísmo; mas não tem por que se traduzir no afastamento das circunstâncias ordinárias da vida dos homens, iguais a nós pelo seu estado, pela sua profissão, pela sua situação na sociedade. Sonho – e o sonho já se tornou realidade – com multidões de filhos de Deus santificando-se na sua vida de cidadãos correntes, compartilhando ideais, anseios e esforços com as outras pessoas. Preciso de lhes gritar esta verdade divina: se permaneceis no meio do mundo, não é porque Deus Se tenha esquecido de vós; não é porque o Senhor não vos tenha chamado; convidou-vos a permanecer nas actividades e nas ansiedades da Terra, porque vos fez saber que a vossa vocação humana, a vossa profissão, as vossas qualidades não só não são alheias aos Seus desígnios divinos, mas Ele as santificou como oferenda gratíssima ao Pai!” (Cristo que passa, n° 20).

Dia 21 de junho

Mc 4, 35-41

35Naquele dia, à tardinha, disse-lhes: Passemos para o lado de lá. 36E eles, deixando o povo, tomam-No consigo, assim como estava na barca; e outras barcas O acompanhavam. 37Nisto levanta-se um grande ciclone que arrojava as ondas sobre a barca, de tal modo que a barca se ia enchendo. 38Entretanto Ele estava na popa a dormir sobre uma almofada. Despertam-No e dizem-Lhe: Mestre, não Te importa que pereçamos? 39Ele, des­pertando, imperou ao vento e disse ao mar: Cala-te! Emudece! O vento acalmou e fez-se uma grande bonança. 40Disse-lhe então: Por­que estais assim com medo? Como? Não tendes fé? Ficaram eles possuídos de grande temor e diziam uns para os outros:41 Então quem é Este, que até o vento e o mar Lhe obedecem?

Comentário

35-41. O episódio da tempestade acalmada, cuja recor­dação deve ter devolvido muitas vezes a serenidade aos Apóstolos no meio das suas lutas e das dificuldades, serve também a cada alma para nunca perder o ponto de mira sobrenatural: a vida do cristão é comparável a uma barca: «Assim como a nave que atravessa o mar, comenta Santo Afonso Maria de Ligório, está sujeita a milhares de perigos, corsários, incêndios, escolhos e tempestades, assim o homem se vê assaltado na vida por milhares de perigos, de tentações, ocasiões de pecar, escândalos ou maus conselhos dos homens, respeitos humanos e, sobretudo, pelas paixões desordenadas (…). Não por isto há que desconfiar nem desesperar-se. Pelo contrário (…), quando alguém se vê assaltado por uma paixão incontrolada (…), ponha os meios humanos para evitar as ocasiões e (…) apoie-se em Deus (…): no furor da tempestade não deixa o marinheiro de olhar para a estrela cuja claridade o terá de guiar para o porto. De igual modo nesta vida temos sempre de ter os olhos fixos em Deus, que é o único que nos há-de livrar de tais perigos» (Sermão n.º 39 para o Dom. IV depois da Epifania).

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