In Evangelho do dia

Dia 13 de julho

Mt 10, 34-11,1

34Não julgueis que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas espada. 35Porque vim separar o homem de seu pai, e a filha de sua mãe, e a nora de sua sogra. 36E os inimigos do homem serão os da sua casa. 37Quem ama o pai e a mãe mais do que a mim, não é digno de Mim. E quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim, 38e quem não toma a sua cruz e Me segue, não é digno de Mim. 39Quem achar a sua vida, perdê-la-á, e quem a perder, por minha causa, achá-la-á. 40Quem vos recebe, a Mim recebe, e quem Me recebe a Mim, recebe Aquele que Me enviou. 41Quem recebe um profeta, a título de profeta, terá recompensa de profeta, e quem recebe um justo, a título de justo, terá recompensa de justo. 42E todo aquele que der de beber a um destes pequeninos, ainda que seja só um copo de água fresca, a título de discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa. 1E aconteceu que, quando Jesus acabou de instruir os Seus doze discípulos, partiu dali, para ensinar e pregar nas cidades daquela gente.

Comentário

34-37. O Senhor não vem trazer uma paz terrena e falsa, mera tranqüilidade por que anseia o egoísmo humano, mas a luta contra as próprias paixões, contra o pecado e todas as Suas conseqüências. A espada que Jesus Cristo traz à terra para essa luta é, segundo a própria Escritura, “a espada do espírito, que é a palavra de Deus” (Eph 6,17), “viva, eficaz e penetrante…, que penetra até dividir a alma e o corpo, as junturas e as medulas e discerne os pensamentos e intenções de coração” (Heb 4,12).

A palavra de Deus, com efeito, produziu essas grandes separações de que aqui se fala. Por causa dela, nas próprias famílias, os que abraçavam a fé tiveram por inimigos os da Sua própria casa que resistiam à palavra da verdade. Por isso, continua o Senhor (v. 37) a dizer que nada pode interpor-se entre Ele e o Seu discípulo, nem sequer o pai ou a mãe, o filho ou a filha: tudo o que for um obstáculo (cfr Mt 5, 29-30) deve afastar-se.

É evidente que estas palavras de Jesus não contêm nenhuma oposição entre o primeiro e o quarto mandamento (amar a Deus sobre todas as coisas e amar os pais), mas simplesmente indicam a ordem que há-de respeitar-se. Devemos amar a Deus com todas as nossas forças (cfr Mt 22, 37), tomar a sério a luta pela nossa santidade; e também devemos amar e respeitar – em teoria e na prática – esses pais que Deus nos deu e que generosamente colaboraram com o poder criador de Deus para nos trazer à vida, aos quais devemos tantas coisas. Mas o amor aos pais não pode antepor-se ao amor de Deus; em geral não tem por que levantar-se a oposição entre ambos, mas se em algum caso se chegasse a levantar, há que ter bem gravadas na mente e no coração estas palavras de Cristo. Ele mesmo nos deu exemplo disto: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que Eu tenho de estar em casa de Meu Pai?” (Lc 2,49); resposta de Jesus adolescente no Templo de Jerusalém, a Maria e José, que O procuravam angustiados. Deste facto da vida de Nosso Senhor, que é norma para todo o cristão, devem tirar conseqüências tanto filhos como pais. Os filhos, para aprender que não se pode antepor o carinho para com os pais ao amor de Deus, especialmente quando o nosso Criador nos pede um seguimento que leva consigo uma maior entrega; os pais, para saber que os filhos são de Deus em primeiro lugar, e que portanto Ele tem direito a dispor deles, ainda que isto suponha um sacrifício, heróico por vezes. De acordo com esta doutrina há que ser generosos e deixar agir Deus. De todas as maneiras, Deus nunca Se deixa vencer em generosidade. Jesus prometeu dar cem por um, mesmo nesta vida, e depois a bem-aventurança eterna (cfr Mt 19, 29), àqueles que respondem com desprendimento à Sua santa Vontade.

38-39. A doutrina dos versículos anteriores fica resumida nestas duas frases lapidares. Donde seguir a Cristo, cumprir a Sua palavra, significa arriscar esta vida para ganhar a eterna.

“As pessoas que estão debruçadas sobre si mesmas, que actuam procurando, antes de mais, a sua própria satisfação, põem em jogo a sua salvação eterna e, mesmo aqui na Terra, são inevitavelmente infelizes e desgraçadas. Só quem se esquece de si e se entrega a Deus e aos outros – no matrimônio também – pode ser ditoso na Terra, com uma felicidade que é preparação e antecipação do Céu” (Cristo que passa, n° 24). Fique, pois, claro que a vida cristã se fundamenta na abnegação: sem Cruz não há cristianismo.

40. Para animar os Apóstolos e para persuadir os outros a que os recebam, o Mestre declara que há uma íntima solidariedade, ou inclusive uma certa identidade, entre Ele e os Seus discípulos. Deus em Cristo, Cristo nos Apóstolos: tal é a ponte que une a Terra com o Céu (cfr 1 Cor 3,21-23).

41-42. Um profeta nem sempre tem que anunciar as coisas futuras; a sua missão é sobretudo comunicar aos outros a palavra de Deus (cfr Ier 11, 2; Is 1, 2). O justo é o que obedece à Lei de Deus e segue os Seus caminhos (cfr Gen 6, 9; Is 3, 10). Ora bem, o que Jesus ensina aqui é que quem escuta humildemente e hospeda os profetas e os justos, vendo Deus neles, receberá o prêmio de profeta e de justo. O próprio facto de acolher generosamente os amigos de Deus fá-lo-á ganhar o prêmio deles. Do mesmo modo se deve ver Deus nos mais pequenos discípulos (v. 42), que talvez não tenham relevância aos olhos humanos, mas são grandes enquanto enviados por Deus e pelo Seu Filho. Por isso, o que lhes dá um copo de água fresca – uma esmola, um serviço ou outra boa acção – receberá a sua recompensa; soube ser generoso com o próprio Senhor (cfr Mt 25,40).

Dia 14 de julho

Mt 11, 20-24

20Então começou a censurar asperamente as cidades onde se tinha realizado a maior parte dos seus milagres, porque não tinham feito penitência: 21Ai de ti Corozaim! Ai de ti Betsaida! Porque, se em Tiro e Sidónia se tivessem feito os milagres que se fizeram em vós, há muito teriam feito penitência em cilício e cinza. 22Por isso vos digo que Tiro e Sidónia, no dia do Juízo, terão sorte mais tolerável do que vós. 23E tu, Cafarnaum, serás acaso elevada até ao Céu? Descerás até ao Inferno; porque, se em Sodoma se tivessem feito os milagres que se fizeram em ti, ainda hoje existiria. 24Por isso, vos digo que a terra de Sodoma, no dia do Juízo, terá sorte mais tolerável do que tu.

Comentário

21-24. Corozaim e Betsaida eram duas cidades florescentes, situadas na margem norte do lago de Genesaré, não longe de Cafarnaum. Durante o Seu ministério público Jesus pregou com frequência nestas cidades, e realizou muitos milagres; em Cafarnaum ensinou a doutrina do Seu Corpo e Sangue, a Santíssima Eucaristia (cfr Ioh 6, 51 ss.). Tiro e Sidónia, as duas capitais da Fenícia, juntamente com Sodoma e Gomorra – todas elas célebres pelos seus vícios -, eram exemplos clássicos entre os judeus para designar o castigo de Deus (veja-se Ez 26-28; Is 23).

Com estas alusões Jesus põe em relevo a ingratidão das pessoas que puderam conhecê-Lo, mas não se converteram: no dia do Juízo (vv. 22 e 24) pedir-se-lhes-á contas mais graves: “A todo aquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido” (Lc 12,48).

Dia 15 de julho

Mt 11, 25-27

25Naquela ocasião, tomando Jesus a palavra, disse: Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e prudentes e as revelaste aos pequeninos. 26Sim Pai, porque tal foi o Teu beneplácito. 27Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, nem ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Comentário

25-26. Os prudentes e os sábios deste mundo, isto é, os que confiam na sua própria sabedoria, não podem aceitar a revelação que Cristo nos trouxe. A visão sobrenatural vai sempre unida à humildade. O que se considera pouca coisa diante de Deus, o humilde, vê; o que está contente com o seu próprio valor não percebe o sobrenatural.

27. Nestas palavras solenes Jesus revela-nos a Sua divindade. É o conhecimento que temos de uma pessoa o que dá idéia da nossa intimidade com ela, segundo o princípio enunciado por São Paulo: “Pois, quem dentre os homens, conhece as coisas do homem, a não ser o espírito do homem que nele reside?” (l Cor 2, 11). O Filho conhece o Pai com o mesmo conhecimento com que o Pai conhece o Filho. Esta identidade de conhecimento implica a unidade de natureza; quer dizer, Jesus é Deus como o Pai.

Dia 16 de julho

Mt 12, 46-50

46Enquanto Ele falava ao povo, estavam fora Sua Mãe e irmãos, procurando falar-Lhe. 47Disse-Lhe alguém: Olha, Tua Mãe e Teus irmãos estão lá fora e querem falar-Te. 48Ele, porém, respondeu ao que Lho disse: Quem é a Minha mãe e quem são os Meus irmãos? 49E, estendendo a mão para os Seus discípulos, disse: Eis a Minha mãe e os Meus irmãos. 50Porque todo aquele que fizer a vontade de Meu Pai que está nos Céus, esse é Meu irmão, e irmã, e mãe.

Comentário

46-47. “Irmãos”: Nos idiomas antigos, hebraico, árabe, aramaico, etc., não havia palavras concretas para indicar os graus de parentesco que existem noutros idiomas mais modernos. Em geral, todos os pertencentes a uma mesma família, clã, inclusive tribo, eram “irmãos”.

No caso concreto que aqui nos ocupa deve ter-se presente, além disso, que os familiares de Jesus eram parentes de diverso grau e que se trata de dois grupos: uns por parte da Santíssima Virgem, e outros de São José. Mt 13, 55-56 menciona, como a viver em Nazaré, Tiago, José, Simão e Judas “irmãos do Senhor”, e alude também a “irmãs” (cfr Mc 6, 3). Por outro lado, Mt 27, 56 diz-nos que destes, Tiago e José são filhos de uma certa Maria, diferente da Virgem, e Simão e Judas não são irmãos de Tiago e José, mas, segundo parece, filhos de um irmão de São José.

Jesus, porém, era para todos “o filho de Maria” (Mc 6, 3) ou “o filho do carpinteiro” (Mt 13, 55).

A Igreja sempre professou com plena certeza que Jesus Cristo não teve irmãos de sangue em sentido próprio: é o dogma da perpétua virgindade de Maria.

48-50. É evidente o amor de Jesus por Sua mãe Santa Maria e por São José. O Nosso Salvador aproveita este episódio para nos ensinar que no Seu Reino os direitos do sangue não têm primazia. Em Lc 8,19 encontramos a mesma doutrina. O que faz a vontade do Seu Pai Celeste é considerado por Jesus como da Sua própria família. Por isso, mesmo sacrificando os sentimentos naturais da família, deverá abandoná-la quando lho peça o cumprimento da missão que o Pai lhe confiou (cfr Lc 2,49).

Podemos dizer que a própria Virgem Maria é mais amada por Jesus por causa dos laços criados entre ambos pela graça do que em virtude da geração natural, que fez d’Ela Sua Mãe segundo a carne: a maternidade divina é a fonte de todas as outras prerrogativas da Santíssima Virgem; mas esta mesma maternidade é, por sua vez, a primeira e a maior das graças outorgadas a Maria.

Dia 17 de julho

Mt 12, 1-8

1Naquele tempo, atravessou Jesus por meio de umas searas, em dia de sábado, e os discípulos, com fome, começaram a arrancar espigas e a comê-las. 2Viram-nos os Fariseus e disseram-Lhe: Olha, os Teus discípulos estão a fazer o que não é permitido fazer ao sábado. 3Ele, porém, respondeu-lhes: Não lestes o que fez David quando sentiu fome, ele e os companheiros? 4Como entrou na casa de Deus e comeu os pães da proposição, que nem a ele nem aos companheiros era permitido comer, mas somente aos sacerdotes? 5Ou não lestes na Lei que, ao sábado, os sacerdotes no Templo violam o sábado e não cometem culpa? 6Ora Eu vos digo que há aqui algo maior que o Templo. 7E se soubésseis o que significa: “quero misericórdia e não sacrifício“, não condenaríeis nunca os inocentes, 8pois que o Filho do homem é senhor do sábado.

Comentário

2. “Sábado”: Era para os Judeus o dia da semana dedicado ao culto divino. O próprio Deus o instituiu (Gen 2, 3) e mandou que o povo judeu se abstivesse de certos trabalhos nesse dia (Ex 20, 8-11; 21, 13; Dt 5, 14), para poder dedicar-se com mais demora a honrar a Deus. Com o passar do tempo os rabinos complicaram o preceito divino, e na época de Jesus tinham feito uma classificação de 39 espécies de trabalhos proibidos.

Os fariseus acusam os discípulos de Jesus de violar o sábado. Com efeito, segundo a casuística dos escribas e fariseus, arrancar espigas equivalia a segar; esfregá-las, a debulhar: trabalhos agrícolas proibidos ao sábado.

3-8. Jesus Cristo rebate a acusação dos fariseus com quatro razões: o exemplo de David, o dos sacerdotes, o sentido da misericórdia divina e o domínio do próprio Jesus sobre o sábado. O primeiro exemplo, conhecido pelo povo acostumado a escutar a leitura da Bíblia, é tirado de 1 Sam 21, 2-7: David, fugindo da perseguição do rei Saúl, pede ao sacerdote do santuário de Nob alimento para os seus homens; o sacerdote, não tendo senão os “pães da proposição”, deu-lhos; eram doze pães que se colocavam cada semana na mesa de ouro do santuário, como homenagem perpétua das doze tribos de Israel ao Senhor (Lev 24, 5-9). O segundo exemplo refere-se ao ministério dos sacerdotes: para realizar o culto divino tinham de fazer ao sábado uma série de trabalhos, sem desobedecer por isso à lei do descanso (cfr Num 28,9). Para as outras duas razões cfr as notas a Mt 9, 13 e Mc 2, 26-27.28.

Dia 18 de julho

Mt 12, 14-21

14Os Fariseus, porém, saindo dali, reuniram conselho contra Ele, para O matarem. 15Soube-o Jesus e retirou-Se dali. Seguiram-No muitos, e Ele curou-os a todos 16e intimou-lhes que O não dessem a conhecer; 17para que se cumprisse o que fora anunciado pelo profeta Isaías, que disse: 18“Eis o Meu Servo a quem escolhi, O Meu predilecto, no qual se compraz a Minha alma. Farei repousar sobre Ele o Meu Espírito, e anunciará o Direito às nações. 19Não porfiará nem clamará, nem se ouvirá nas praças a Sua voz. 20Uma cana rachada, não a quebrará, uma torcida que ainda fumegue, não a apagará, até fazer triunfar o Direito. 21e no Seu nome depositarão as nações as suas esperanças.”

Comentário

17-21. O texto sagrado ensina uma vez mais o contraste entre o reino espectacular do Messias imaginado pelos judeus da Sua época, e a discrição que pede Jesus aos que contemplam e acolhem a Sua doutrina e os Seus milagres. Com esta longa citação de Isaías (42, 1-4) o Evangelista dá-nos a chave doutrinal dos capítulos 11 e 12: em Jesus cumpre-se a profecia do Servo de Yawéh, cujo magistério amável e discreto havia de trazer ao mundo a luz da verdade.

Ao narrar a Paixão do Senhor os Evangelhos voltarão a recordar a figura do Servo de Yahwéh, para mostrar como também se cumpre em Jesus o aspecto doloroso e expiatório da morte profetizada deste “Servo” (cfr Mt 27, 30, comparado com Is 50, 6; Mt 8, 17, comparado com Is 53,4; Ioh 1, 38, comparado com Is 53, 9-12, etc.).

17. Em Isaías 42, 1-4 fala-se de um servo humilde, amado e escolhido por Deus, em quem Ele Se compraz plenamente. De facto Jesus, sem deixar de ser Filho de Deus e consubstancial ao Pai, tomou a forma de servo (cfr Phil 2, 6). Esta humildade levou Jesus a curar e a cuidar dos mais pobres e aflitos de Israel, sem nunca pretender clamores de louvor.

19. A justiça que anuncia o Servo, cheio do Espírito, não é uma virtude ruidosa. Podemos entrever a amável suavidade de Jesus ao realizar os Seus poderosos milagres, actuando uma justiça humilde. Jesus assim faz triunfar a justiça de Seu Pai, o Seu plano de revelação e salvação, de um modo silencioso e profundo.

20. Segundo muitos Santos Padres, entre eles Santo Agostinho e São Jerónimo, a cana rachada e a torcida que ainda fumega referem-se ao povo judaico. Também são figura de qualquer pecador, pois o Senhor não quer a sua morte mas que se converta e viva (cfr Ez 33, 11). Os Evangelhos são um contínuo testemunho desta comovente verdade (cfr Lc 15, 11-32, parábola do filho pródigo; Mt 18, 12-24, parábola da ovelha perdida; etc.).

Dia 19 de julho

Mc 6, 30-34

3OEntretanto os «apóstolos voltaram a reunir-se com Jesus e contaram-Lhe tudo quanto tinham feito e ensinado. 31E Ele disse-lhes: Vinde vós outros sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco. Eram com efeito muitos os que iam e vinham, e eles nem sequer tinham tempo para comer. 32Partiram, pois, de barco, a sós, para um lugar deserto.

33Viram-nos, porém, partir e muitos perceberam para onde iam; e, por terra, concorreram lá de todas as cidades e chegaram primeiro do que eles. 34Ao desembarcar, viu uma grande multidão e condoeu-Se dela, por­que eram como ovelhas sem pastor, e come­çou a ensinar-lhes muitas coisas.

Comentário

30-31. Vê-se aqui a intensidade do ministério público de Jesus. Era tal a dedicação às almas que, por duas vezes, São Marcos faz notar que inclusivamente lhes faltava o tempo para comer (cfr Mc 3, 20). O cristão deve estar disposto a sacrificar o próprio tempo, e inclusivamente o descanso, para serviço do Evangelho. Esta atitude de disponibilidade levar-nos-á a saber mudar os nossos planos quando o exija o bem das almas.

Mas também ensina aqui Jesus a ter senso comum e não pretender fazer loucamente certos esforços, que excedem absolutamente as nossas forças naturais: «O Senhor faz descansar os Seus discípulos para ensinar aos que governam que aqueles que trabalham por obras ou por palavras não podem trabalhar sem interrupção» (In Morei Evangelium expositio, ad loc.). «Quem se entrega a trabalhar por Cristo não há-de ter um momento livre, porque o descanso não é não fazer nada; é distrair-se em actividades que exigem menos esforço» (Caminho, n.° 357).

34. O Senhor fez planos para descansar algum tempo, juntamente com os Seus discípulos, das absorventes tarefas apostólicas (Mc 6, 31-32). Mas não os pode levar a cabo pela presença de um grande número de gente que acorre a Ele ávida da Sua palavra. Jesus Cristo não só não Se aborrece com eles, mas sente compaixão ao ver a necessidade espiritual que têm. «Morre o Meu povo por falta de doutrina» (Os 4, 6). Necessitam de instrução e o Senhor quer satisfazer esta necessidade por meio da pregação. «A fome e a dor comovem Jesus, mas sobretudo comove-O a ignorância» (Cristo que passa, n.°109).

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