dia 10 a 16 de maio de 2010

Dia 10 de maio

Jo 15, 26-16, 4a

26Mas, quando vier o Assistente que Eu hei-de enviar lá do Pai, o Espírito da Verdade, que do Pai procede, Ele dará testemunho de Mim. 27E vós também ides dar testemunho, porque estais comigo desde o princípio. 1E disse-vos isto para não sucumbirdes. 2Hão-de excluir-vos das sinagogas. E até vai chegar a hora em que todo aquele que vos der a morte julgará prestar culto a Deus. 3E fá-lo-ão por não terem conhecido nem o Pai nem a Mim. 4Mas Eu disse-vos isto para que, ao chegar a respectiva hora, vos lembreis de que Eu vo-lo disse.

Comentário

26-27. Os Apóstolos voltarão a receber o encargo de dar testemunho de Jesus Cristo momentos antes da Ascensão (cfr Act 1,8). Eles foram testemunhas do ministério público, da Morte e Ressurreição de Cristo, condição para fazer parte do Colégio Apostólico, como se vê na escolha de Matias em substituição de Judas (cfr Act 1,21-22). Mas será com a vinda do Espírito Santo que se iniciará a pregação pública dos Doze e a vida da Igreja.

Todo o cristão há-de ser também uma testemunha viva de Cristo, e a Igreja inteira é um testemunho perene de Jesus Cristo: “A missão da Igreja realiza-se, pois, mediante a actividade pela qual, obedecendo ao mandamento de Cristo e movida pela graça e pela caridade do Espírito Santo, ela se torna actual e plenamente presente a todos os homens ou povos para os conduzir à fé, liberdade e paz de Cristo, não só pelo exemplo de vida e pela pregação, mas também pelos sacramentos e pelos restantes meios da graça” (Ad gentes, n. 5).

2-3. O fanatismo pode arrastar até fazer crer que é lícito o crime para servir a causa da religião. Era o que acontecia a estes judeus que perseguiram Jesus até à morte e depois a Igreja. Um caso típico desse falso zelo foi o de Paulo de Tarso (cfr Act 22,3-16), mas ao conhecer o seu erro converteu-se num dos mais fervorosos apóstolos de Cristo. Como predisse o Senhor, a Igreja sofreu repetidas vezes tal ódio fanático e diabólico. Outras vezes esse falso zelo não é tão manifesto, mas mostra-se na oposição sistemática e injusta às coisas de Deus.

“Nas horas de luta e contradição, quando talvez ‘os bons’ encham de obstáculos o teu caminho, levanta o teu coração de apóstolo; ouve a Jesus que fala do grão de mostarda e do fermento. – E diz-Lhe: ‘edissere nobis parabolam’ – explica-nos a parábola. E sentirás a alegria de contemplar a vitória futura: aves do céu à sombra do teu apostolado, agora incipiente; e toda a massa fermentada” (Caminho, n° 695).

Nestes casos, como também o advertiu Nosso Senhor, aqueles que perseguem os verdadeiros servidores de Deus pensam agradar-Lhe: esses perseguidores confundem a causa de Deus com concepções deformadas da religião.

4. Agora o Senhor não profetiza apenas a Sua morte (cfr Mt 16,21-23), mas também as perseguições que padecerão os Seus discípulos. Prediz as contrariedades para que quando cheguem não se escandalizem nem desanimem: pelo contrário, serão ocasião de mostrar a fé.

Dia 11 de maio

Jo 16, 5-11

5Mas agora vou para Aquele que Me enviou e já nenhum de vós Me pergunta: “Para onde vais?”. 6Mas, por Eu vos ter dito estas coisas, encheu-se de mágoa o vosso coração. 7Contudo, Eu digo-vos a verdade: É conveniente para vós que Eu Me vá. Se Eu não for, o Assistente não virá até vós. Mas, se Eu for, enviar-vo-Lo-ei. 8Depois de chegar, há-de Ele confundir o mundo quanto ao pecado, quanto à justiça e quanto ao julgamento: 9quanto ao pecado, porque não acreditam em Mim; 10quanto à justiça, porque Eu vou para o Pai e já Me não vereis; 11e quanto ao julgamento, porque o Príncipe deste mundo está condenado.

Comentário

6-7. O pensar que os vai deixar sós enche de tristeza os Apóstolos. O Senhor consola-os com a promessa do Paráclito, o Consolador. Mais adiante (v. 20 s.) assevera-lhes que aquela tristeza se converterá numa alegria que ninguém poderá arrebatar-lhes.

Jesus fala do Espírito Santo três vezes no Sermão da Ceia. Na primeira (14,15 ss.), afirma que virá outro Paráclito (advogado, consolador) enviado pelo Pai para que esteja sempre com eles; na segunda (14,26), diz que Ele mesmo enviará, de parte do Pai, o Espírito da verdade, que lhes ensinará tudo; na terceira (16,6-7), descobre totalmente o plano de salvação e anuncia que o fruto da Sua Ascensão ao Céu será o envio do Espírito Santo.

8-11. A palavra “mundo” designa aqui os que não creram em Cristo e O rejeitaram. A estes o Espírito Santo acusá-los-á de pecado pela sua incredulidade. Argui-los-á de justiça porque mostrará que Jesus era o Justo que jamais cometeu pecado algum (cfr Ioh 8,46; Heb 4,15), e por isso é glorificado junto do Pai. Por último arguirá de juízo ao tornar patente que o Demônio, príncipe deste mundo, foi vencido mediante a Morte de Cristo, pela qual o homem é resgatado do poder do Maligno e capacitado, pela graça, para vencer as suas ciladas.

Dia 12 de maio

Jo 16, 12-15

12Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não podeis comportá-las por agora. 13Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, guiar-vos-á para a verdade total. É que Ele não falará por si próprio, mas falará de quanto ouve e anunciar-vos-á o que está para vir. 14Ele há-de glorificar-Me, porque receberá do que é Meu, para vo-lo anunciar. 15Tudo quanto o Pai tem é Meu. Por isso Eu disse que Ele receberá do que é Meu, para vo-lo anunciar.

Comentário

13. O Espírito Santo é quem leva à plena compreensão da verdade revelada por Cristo. Com efeito, como ensina o Concílio Vaticano II, o Senhor “com o envio do Espírito de verdade, completa totalmente e confirma com o testemunho divino a revelação” (Dei Verbum, n. 4).

14-15. Jesus Cristo revela aqui alguns aspectos do mistério da Santíssima Trindade. Ensina a igualdade de natureza das três Pessoas divinas ao dizer que tudo o que tem o Pai é do Filho, que tudo o que tem o Filho é do Pai (cfr Ioh 17,10) e que o Espírito Santo possui também aquilo que é comum ao Pai e ao Filho, isto é, a essência divina. Acção própria do Espírito Santo será glorificar Cristo, recordando e esclarecendo aos discípulos o que o Mestre lhes ensinou (Ioh 16,13). Os homens, ao reconhecerem o Pai através do Filho movidos pelo Espírito, glorificam Cristo; e glorificar Cristo é o mesmo que dar glória a Deus (cfr Ioh 17,1.3-5.10).

Dia 13 de maio

Lc 11, 27-28

27Enquanto Ele estava a dizer estas coisas, ergueu a voz uma mulher, do meio da multidão, e disse-Lhe: Felizes as entranhas que Te trouxeram e os peitos a que foste amamentado. 28Ele, porém, retorquiu: Felizes antes os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.

Comentário

27-28. Estas palavras são a proclamação da atitude fundamental da alma da Virgem Maria. Assim o expõe o Concílio Vaticano II: “Durante a pregação de Seu Filho, (Maria) acolheu as palavras com que Ele, pondo o reino acima de todas as relações de parentesco, proclamou bem-aventurados todos os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática (cfr Mc 3,35; Lc 11,27-28); coisa que ela fazia fielmente (cfr Lc 2,19.51)” (Lumen gentium, n. 58). Portanto, com esta resposta Jesus não rejeita o inflamado galanteio que essa boa mulher dedica a Sua Mãe, mas aceita-o e vai mais além, explicando que Maria Santíssima é bem-aventurada sobretudo por ter sido boa e fiel no cumprimento da palavra de Deus. “Era o elogio de Sua Mãe, do seu fiat (Lc I,38), do faça-se, sincero, entregue, cumprido até às últimas consequências, que não se manifestou em acções aparatosas, mas no sacrifício escondido e silencioso de cada dia” (Cristo que passa, n° 172).

Dia 14 de maio

Jo 15, 9-17

9Assim como o Pai Me amou também Eu vos amei. Permanecei no Meu amor. 10Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e permaneço no Seu amor. 11Disse-vos isto, para a Minha alegria estar em vós e a vossa alegria ser completa. 12É este o Meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei a vós. 13Ninguém tem amor maior que o de quem der a própria vida pelos seus amigos. 14Vós sereis Meus amigos, se fizerdes o que Eu vos ordeno. 15Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor; Eu chamei-vos amigos, porque tudo o que ouvi a Meu Pai vo-lo dei a conhecer. 16Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi e vos estabeleci, para irdes e dardes fruto e o vosso fruto permanecer, de sorte que o que pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo concederá. 17O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.

Comentário

9-11. O amor de Cristo aos cristãos é reflexo do amor que as três Pessoas divinas têm entre Si e para com os homens: “Amemos a Deus porque Ele nos amou primeiro” (1 Ioh 4,19).

A certeza de que Deus nos ama é a raiz da alegria e do gozo cristão (v. 11), mas ao mesmo tempo exige a nossa correspondência fiel, que deve traduzir-se num desejo fervoroso de cumprir a Vontade de Deus em tudo, isto é, os Seus mandamentos, à imitação de Jesus Cristo que cumpriu a Vontade do Pai (cfr Ioh 4,34).

12-15. Jesus insiste no “mandamento novo”, cumprindo-o Ele mesmo ao dar a Sua vida por nós.

A amizade de Cristo com o cristão, que o Senhor manifesta de modo particular neste passo, foi posta em realce na pregação de Mons. J. Escrivá de Balaguer:
“A vida do cristão que decide comportar-se de acordo com a grandeza da sua vocação converte-se num eco prolongado daquelas palavras do Senhor:
Já não vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vo-lo dei a conhecer (Ioh XV,15). Estar pronto a seguir docilmente a Vontade divina abre horizontes insuspeitados (…) não há nada melhor que saber que somos por amor escravos de Deus, porque perdemos a situação de escravos para nos tornarmos amigos, filhos” (Amigos de Deus, n.° 35).

“Filhos de Deus, Amigos de Deus (…) Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem: nosso Irmão, nosso Amigo; se procurarmos criar intimidade com Ele, ‘participaremos na dita da amizade divina'” (Ibid., n° 300); se fizermos o possível por acompanhá-Lo desde Belém até ao Calvário, compartilhando as Suas alegrias e os Seus sofrimentos, tornar-nos-emos dignos da Sua companhia amistosa: calicem Domini biberunt – canta a Liturgia das Horas – et amici Dei facti sunt, beberam do cálice do Senhor e tornaram-se amigos de Deus (Responsório da segunda leitura do ofício da Dedicação das Basílicas dos Apóstolos Pedro e Paulo).

“Filiação e amizade são duas realidades inseparáveis para aqueles que amam a Deus. A Ele acorremos como filhos, num diálogo que há-de encher toda a nossa vida; e como amigos (…). Do mesmo modo, a filiação divina leva a que a abundância de vida interior se traduza em actos de apostolado, tal como a amizade com Deus leva a pormo-nos ‘ao serviço de todos: temos de utilizar esses dons de Deus como instrumentos para ajudar os homens a descobrirem Cristo’ (Amigos de Deus, n° 258)” (Amigos de Deus, Apresentação de Mons. A. Del Portillo, pp. 20-21).

16. Três idéias estão contidas nestas palavras do Senhor. Uma, que o chamamento aos Apóstolos e também a todo o cristão não provém de bons desejos, mas da escolha gratuita de Cristo. Não foram os Apóstolos que escolheram o Senhor como Mestre, segundo o costume judaico de escolher para si um rabino, mas foi Cristo quem os escolheu a eles. A segunda idéia é que a missão dos Apóstolos e de todo o cristão consiste em seguir Cristo, buscar a santidade e contribuir para a propagação do Evangelho. O terceiro ensinamento refere-se à eficácia da súplica feita em nome de Cristo; por isso a Igreja costuma terminar as orações da Sagrada Liturgia com a invocação “por Jesus Cristo Nosso Senhor”.

As três idéias assinaladas unem-se harmonicamente: a oração é necessária para que a vida cristã seja fecunda, pois é Deus quem dá o incremento (cfr 1 Cor 3,7); e a obrigação de buscar a santidade e exercer o apostolado deriva de que é o próprio Cristo quem nos chamou a realizar esta missão.

“Lembra-te, meu filho, de que não és somente uma alma que se une a outras almas para fazer uma coisa boa.
Isso é muito…, mas é pouco. – És o Apóstolo que cumpre uma ordem imperativa de Cristo” (
Caminho, n° 942).

Dia 15 de maio

Jo 16, 23b-28

Em verdade, em verdade vos digo: O que pedirdes ao Pai. Ele vo-lo dará em Meu nome. 24Até agora nada pedistes em Meu nome; pedi e recebereis, para a vossa alegria ser completa.

25Disse-vos estas coisas em parábolas. Vai chegar a hora em que já vos não falarei em parábolas, mas abertamente vos farei decla­rações acerca do Pai. 26Nesse dia, pedireis em Meu nome; e não vos digo que rogarei por vós ao Pai, “pois é o próprio Pai que vos ama, por vós Me terdes amado e haverdes acreditado que Eu vim de junto de Deus. 28Eu saí do Pai e vim ao mundo. De novo deixo o mundo e volto para o Pai.

Comentário

25-30. Como se vê também noutros passos dos Evan­gelhos, Jesus explicava a Sua doutrina aos Apóstolos deti­damente e com mais clareza que às multidões (cfr Mc 4, 10–12 e par.). Desta forma ia-os preparando para os enviar a pregar o Evangelho por todo o mundo (cfr Mt 28,18-20). Não obstante, o Senhor também realiza essa instrução dos Após­tolos por meio de figuras ou parábolas, inclusivamente na intimidade do discurso da Ceia: a videira, a mulher que dá à luz, etc. Esta forma de ensinar desperta a curiosidade dos Apóstolos, que, como não acabam de entender, querem perguntar mais (cfr w. 17-18). Jesus anuncia-lhes que vai chegar o momento em que lhes falará com toda a clareza, e assim possam compreendê-Lo de todo. Isto acontecerá depois da Ressurreição (cfr Act l ,3). Mas já agora, pelo facto de conhecer os seus pensamentos, lhes está a manifestar uma vez mais que é Deus, pois só Deus pode conhecer o que há no mundo interior do homem (cfr 2,25). Por outro lado, a frase do v. 28 «saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e vou para o Pai» resume o mistério da Sua Pessoa (cfr Ioh l,14; 20,31).

Dia 16 de maio

Lc 24, 46-53

46E disse-lhes: Assim está es­crito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dos mortos ao terceiro dia 47e que se havia de pregar, em Seu nome, o arrependimento e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sois as testemunhas destas coisas! 49E olhai que Eu vou mandar sobre vós o Prometido por Meu Pai. Entretanto, ficai na cidade até serdes revestidos com a força lá do Alto.

50Depois, levou-os até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. 51Enquanto os abençoava, separou-Se deles e foi levado até ao Céu. 52Eles, tendo-se prostrado diante d’Ele, voltaram para Jerusalém com grande alegria 53e estavam continuamente no Templo a bendizer a Deus.

Comentário

44-49. São Mateus insiste no cumprimento em Cristo das profecias do AT, porque os primeiros destinatários do seu Evangelho eram judeus, para quem isto constituía uma prova manifesta de que Jesus era o Messias prometido e esperado. São Lucas não utiliza habitualmente este argumento, porque escreve para os gentios; não obstante, neste epílogo recolhe sumariamente a advertência de Cristo que declara ter-se cumprido tudo o que estava predito acerca d’Ele. Sublinha-se assim a unidade dos dois Testamentos e que Jesus é verdadeiramente o Messias.

Por outro lado, São Lucas refere a promessa do Espírito Santo (cfr Ioh 14,16-17.26; 15,26; 16,7 ss.), cujo cumprimento no dia de Pentecostes narrará com pormenor no livro dos Actos(cfr Act 2,1-4).

46. São Lucas pôs em realce a falta de inteligência dos Apóstolos quando Jesus anuncia a Sua Morte e Ressurreição (cfr 9,45; 18,34). Agora, cumprida a profecia, recorda a necessidade de que Cristo padecesse e ressuscitasse de entre os mortos (cfr 24,25-27).

A Cruz é um mistério não só na vida de Cristo mas também na nossa: «Jesus sofre para cumprir a Vontade do Pai… E tu, que também queres cumprir a Santíssima Vontade de Deus, seguindo os passos do Mestre, poderás queixar-te se encontrares por companheiro de caminho o sofrimento?» (Caminho, n.° 213).

49. «Eu vou mandar sobre vós o Prometido por Meu Pai», isto é, o Espírito Santo, que dias depois, no Pentecostes, desceria sobre eles no Cenáculo (cfr Act 2,1-4), como dom supremo do Pai (cfr Lc 11,13).

50-53. São Lucas, que narrará com mais pormenor no começo do livro dos Actos a Ascensão do Senhor aos Céus, resume aqui este mistério com que termina a presença visível de Jesus na terra. Não era conveniente, explica São Tomás, que Cristo permanecesse na terra depois da Ressurreição, mas convinha que subisse ao Céu. Ainda que o Seu corpo ressuscitado já tivesse a glória essencial, a Ascensão ao Céu confere-Lhe um aumento da glória de que gozava, pela dignidade do lugar a que ascendia (cfr Suma Teológica III, q. 57, a. 1).

«A Ascensão do Senhor sugere-nos também outra realidade: o Cristo que nos anima a esta tarefa no mundo espera-nos no Céu. Por outras palavras: a vida na Terra, que amamos, não é a definitiva: porque não temos aqui cidade permanente, mas andamos em busca da futura (Heb XIII,14), cidade imutável (…).

«Cristo espera-nos. Vivemos já como cidadãos do céu (Phil 111,20), sendo plenamente cidadãos da Terra, no meio de dificuldades, de injustiças, de incompreensões, mas também no meio da alegria e da serenidade que há-de saber-se filho amado de Deus» (Cristo que passa, n.° 126).

Acaba aqui a narração evangélica de São Lucas. Não há palavras humanas capazes de exprimir os sentimentos de agradecimento, de amor e de correspondência que nos produz a contemplação da vida de Cristo entre os homens. Podemos saborear o resumo que nos oferece o Magistério da Igreja, enquanto elevamos a Deus o nosso desejo de ser cada dia mais fiéis discípulos e filhos Seus: «Cremos em Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ele é o Verbo eterno, nascido do Pai antes de todos os séculos (…). Ele mesmo habitou entre nós cheio de graça e de verdade. Anunciou e fundou o Reino de Deus, manifestando-nos em Si mesmo o Pai. Deu-nos o Seu mandamento novo de que nos amássemos uns aos outros como Ele nos amou. Ensinou-nos o caminho das bem-aventuranças evangélicas: a saber, ser mansos e pobres em espírito, tolerar as dores com paciência, ter sede de justiça, ser misericordiosos, limpos de coração, pacíficos, padecer perseguição pela justiça. Padeceu sob Pôncio Pilatos: Cordeiro de Deus, que lava os pecados do mundo, morreu por nós cravado na Cruz, trazendo-nos a salvação com o Seu sangue redentor. Foi sepultado, e ressuscitou pelo Seu próprio poder ao terceiro dia, elevando-nos pela Sua Ressurreição à participação da vida divina, que é a graça; subiu ao Céu, donde há-de vir de novo, então com glória, para julgar os vivos e os mortos, cada um segundo os próprios méritos: os que tenham respondido ao Amor e à Piedade de Deus irão para a vida eterna, mas os que os tenham rejeitado até ao fim serão destinados ao fogo que nunca cessará. E o Seu Reino não terá fim» (Credo do Povo de Deus, n.os 11 e 12).