Cardeal Medina: “serão cada dia mais os que veneram Josemaria Escrivá”

Por Cardeal Medina
O Cardeal Protodiácono da Igreja recorda que “a árvore se conhece pelos seus frutos” (Mt 12,33). E destaca três frutos da obra de São Josemaria: a fidelidade à fé católica, o impulso a uma espiritualidade autenticamente leiga e, através dos seus escritos, um alimento espiritual singularmente apropriado para o homem de hoje. Conclui: «Já são muitos e serão cada dia mais os que veneram Josemaria Escrivá no santuário do seu coração».
No dia 19 de abril de 2005, às 18:43, hora de Roma, depois de aparecer a fumata bianca, apareceu no Balcão das Bênção da Basílica Vaticana um dos Cardeais que acabavam de eleger o novo Papa Bento XVI. Diante do silêncio expectante de dezenas de milhares de pessoas apinhadas na Praça de São Pedro, e de milhões de espectadores grudados à televisão nos cinco continentes, o Cardeal chileno Jorge Medina Estévez, Protodiácono da Santa Igreja Romana, num latim com leve sotaque espanhol, pronunciou a tão esperada declaração: Habemus Papam! – Temos Papa! E deu, com pausas de suspense, o nome do novo Pontífice. Um aplauso estrondoso ressoou pela praça e pelo mundo.
As palavras que se transcrevem a seguir são um testemunho do Cardeal Medina Estévez sobre Fundador do Opus Dei, trechos de um artigo.publicado no jornal El Mercurio, de Santiago de Chile, em 26 de junho de 1990:

 

Quando meditamos sobre a obra de Monsenhor Escrivá, sentimo-nos impelidos a lembrar a palavra evangélica: “A árvore se conhece pelos seus frutos” (Mt 12,33). Quais são esses frutos? Muitos, muitíssimos, mas dentre eles penso que podem ser destacados três.

O primeiro é o de ter impresso na sua Obra uma fidelidade sem restrições à fé católica, ao Magistério da Igreja, à condução pastoral do Santo Padre. Em momentos de incertezas e vacilações, os filhos de Mons. Josemaria Escrivá têm dado testemunho de firmeza na fé, de adesão ao Magistério e de amoroso apoio e obediência ao Papa. Essas atitudes, profundamente católicas, eles as beberam no exemplo e nas palavras do Fundador. Para a Igreja é importante esse testemunho, que toca no mais íntimo do seu ser e que aponta para o fundamento da sua unidade.

O segundo é o de ter dado um impulso muito sólido e vital a uma espiritualidade autenticamente leiga. Para Mons. Escrivá a santidade procura-se e consegue-se no meio da vida de cada qual, no mundo, e não apesar dele (do mundo), mas precisamente através dele. É a santificação pelo trabalho, seja qual for, fazendo do lugar onde a Providência de Deus nos colocou, a expressão da vontade de Deus que nos pede santificarmo-nos ali e nos mostra o caminho para consegui-lo. Um trabalho feito por amor a Deus (ver Col 3, 22 ss), com competência profissional, executado com alta qualidade, pensando que o fruto do trabalho não é apenas uma fonte de recursos para satisfazer as nossas necessidades, mas é também umas contribuição para os outros, para o bem comum, para o bem-estar da comunidade.

O terceiro é a profunda contribuição espiritual, tão concreta e precisa, tão reveladora de uma rica experiência pessoal e de direção espiritual, constituída pelos três livros Caminho, Sulco e Forja. Sob o gênero literário de “números”, aparentemente independentes uns dos outros, mas na realidade profundamente concatenados por uma visão da vida e da espiritualidade característica do Fundador do Opus Dei, o Servo de Deus proporcionou a milhares e centenas de milhares de discípulos de Cristo um alimento espiritual singularmente apropriado para o homem de hoje […].

Muito se escreveu já sobre Monsenhor Josemaria Escrivá, e escrever-se-á muito mais, mas o mais grande que talvez se possa dizer dele não será nunca escrito, porque Deus, acolhendo o seu desejo de “desaparecer”, não dará plena satisfação à nossa curiosidade de medir tudo e de tudo reduzir a estatísticas, mas reservará isso para o dia do advento do Senhor, e só nesse dia nos fará conhecer a verdadeira dimensão de quem neste mundo foi o fundador de uma escola e uma espiritualidade tão própria do século XX, o século do laicato cristão e católico […]. Já são muitos e serão cada dia mais os que veneram Josemaria Escrivá no santuário do seu coração.

Cardeal Medina