A Rural é demais!

Por Maria Isabel Bordini
Maria Isabel conta as lições de vida que tirou das atividades sociais em que participou. Conta com mais detalhes como funciona a Promoção Rural: uma semana de muito trabalho e, sobretudo, de doação.

A Rural é o máximo! A Rural é demais! Nunca percam uma Rural…

Deixando a empolgação um pouco de lado, antes é preciso que eu explique o que é a Rural. A Promoção Rural – seu nome completo – é um projeto de voluntariado que o Centro Cultural Igaraçu – um centro feminino, que tem orientação espiritual do Opus Dei – promove normalmente durante as férias das estudantes, numa área rural. Adolescentes e jovens dedicam parte de seu tempo de férias para preparar e realizar esse projeto social.

Neste ano, fomos aos arredores da cidade de Rio Branco do Sul-PR. Nós passamos uma semana junto a uma comunidade carente, onde promovemos atividades de recreação e artesanato para as crianças e as suas mães, além de palestras de formação humana e profissional e aulas de saúde e cidadania.

Éramos todas estudantes voluntárias entre doze e vinte e poucos anos de idade. Durante a “semana da Rural”, dormimos em uma escola municipal, adaptando algumas salas de aula para serem o nosso alojamento.

Visitamos os moradores em suas casas, realizamos as atividades com as crianças, jovens e senhoras, e organizamos, no último dia, um bazar de roupas, brinquedos e utensílios, artigos – vendidos a preços simbólicos – que tínhamos obtido, pedindo doações às pessoas amigas ou conhecidas.

Quando nos comprometemos a participar de uma Rural, mesmo que já tenhamos participado outras vezes, não podemos deixar de sentir um certo frio na barriga, manifestação de um determinado receio do tipo: “Aí vem trabalho pela frente. Muito trabalho…” E, de fato, a Rural é, por natureza, trabalho. Mas é também, essencialmente, doação. Doação do tempo e do próprio ser para os demais. E, neste caso, os demais estão entre aqueles mais necessitados de nossa sociedade.

Todas as pessoas que participamos da Rural experimentamos uma grande realização. Vivemos, na prática, aquilo que ouvimos numa palestra de formação do Opus Dei: “O homem … só se realiza plenamente no sincero dom de si mesmo” (GS 24); e também brotou uma alegria profunda, a de “encontrarmos” a Jesus Cristo nas pessoas mais necessitadas, como Ele mesmo já havia pregado: “tudo o que fizestes aos ‘mais pequenos’ … é a mim que o fizestes”. (Mt 25,41).

Eu já participei de algumas Promoções Rurais. Cada uma favoreceu um aprendizado com um diferente aspecto dominante, com um crescimento específico. Já me dei conta de como sou capaz de desperdiçar o tempo quando simplesmente “não tenho nada para fazer”, e de como o meu dia se alarga conforme aumenta o número de atividades que preciso encaixar nele. Foi na Rural, e não na aula de Física (desculpe a piadinha…) que entendi como o tempo é relativo: quanto mais coisas se têm para fazer, mais tempo se arranja para fazê-las. Compreendi também a importância do sorriso e da palavra amiga, pois quando estávamos mais cansadas, já reclamando de alguma tarefa, eram esses pequenos gestos que nos faziam prosseguir com bom-humor. Enfim, percebi que sempre podemos fazer mais, e que não devemos nos conter pelos falsos limites que a nossa preguiça e nosso egoísmo tentam muitas vezes nos impor.

Nesta última Rural, ficou muito gravado um momento em que eu estava particularmente cansada e em que uma amiga, decerto percebendo, me animou com umas palavras simples: “É impressionante como a gente, mesmo estando cansada, é capaz de sempre fazer mais!”. Foi outra lição de vida para mim: como é importante animarmo-nos uns aos outros para atingirmos os nossos ideais.

Enfim, a Promoção Rural é mais um exemplo e uma manifestação da caridade fraterna que aprendi no Opus Dei. A doação de si mesmo e a procura da perfeição do trabalho e dos pequenos deveres diários por amor a Deus e aos demais nos possibilitam crescer humanamente como pessoas, e sobrenaturalmente como filhos de Deus.

Portanto, se puder, não deixe de participar: você também descobrirá que a Rural é demais!

Maria Isabel da Silveira Bordini,
estudante de Direito