Segunda-feira, 30 de junho - Mt 8, 18-22

18Vendo Jesus grandes multidões de povo à volta de Si, mandou ir para o lado de lá. 19E, aproximando-se um escriba disse-lhe: Mestre, seguir-Te-ei para onde quer que fores. 20Disse-lhe Jesus: As raposas têm covas e as aves do céu ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. 21Outro de entre os discípulos disse-Lhe: Senhor, dá-me primeiro licença de ir sepultar meu pai. 22Jesus, porém, disse-lhe: Segue-Me e deixa que os mortos sepultem os seus mortos.


18-22. Desde os começos da Sua pregação messiânica, Jesus mal permanece num mesmo lugar; vai sempre a caminho, passando. "Não tem onde reclinar a cabeça" (Mt 8,20). Quem quiser estar com Ele tem de "O seguir". A expressão "seguir Jesus" adquire no Novo Testamento um alcance preciso: seguir Jesus é ser Seu discípulo (cfr Mt 19, 28). Ocasionalmente as multidões "seguem-nO". Mas os verdadeiros discípulos são "os que O seguem" de modo permanente, sempre; de tal modo que existe uma equivalência entre "ser discípulo de Jesus" e "segui-Lo". Depois da Ascensão do Senhor, "segui-Lo" identifica-se com ser cristão (cfr Act 8, 26). Pelo facto simples e sublime do nosso Baptismo, todo o cristão é chamado, com vocação divina, a ser plenamente discípulo do Senhor com todas as suas conseqüências.

O Evangelista recolhe aqui dois casos concretos de seguimento de Jesus. No primeiro - o do escriba -, Nosso Senhor explica as exigências do chamamento à fé àqueles que descobrem que são chamados. No segundo - o do homem que já disse sim a Jesus - recorda-lhe as exigências do seu compromisso. O soldado que não abandona o seu posto na frente de batalha para enterrar o pai, deixando esse trabalho para os da retaguarda, cumpre o seu dever. Se o serviço da pátria pode ter tais exigências, com maior razão pode tê-las o serviço a Jesus Cristo e á sua Igreja.

O seguimento de Cristo, com efeito, leva consigo uma disponibilidade rendida, uma entrega imediata do que Jesus pede, porque essa chamada é um seguir Cristo ao ritmo do Seu próprio passo, que não admite ficar para trás: Jesus ou se segue, ou se perde. Em que consiste o seguimento de Cristo, ensinou-o Jesus no Sermão da Montanha (Mt 5-7), e é-nos resumido pelos catecismos mais elementares da doutrina cristã: cristão quer dizer homem que crê em Jesus Cristo - fé que recebeu no Baptismo - e que está obrigado ao Seu santo serviço. Cada cristão deve procurar, na oração e intimidade com o Senhor, quais sãos as exigências pessoais e concretas da sua vocação cristã.

20. "Filho do Homem": É uma das expressões para designar o Messias no Antigo Testamento. Este título aparece pela primeira vez em Dan 7, 14 e era utilizado na literatura judaica do tempo de Jesus. Até a pregação do Senhor não tinha sido entendido em toda a sua profundidade. O título de "Filho do Homem" estava menos comprometido com as aspirações judaicas de um Messias terreno; por esta causa foi preferido por Jesus para Se designar a Si mesmo como Messias, sem reavivar o nacionalismo hebraico. De tal título messiânico, que na mencionada profecia de Daniel reveste um carácter transcendente, se servia o Senhor para proclamar de um modo discreto o Seu messianismo prevenindo falsas interpretações políticas. Os Apóstolos, depois da Ressurreição de Jesus, compreenderam que "Filho do Homem" equivalia precisamente a "Filho de Deus".

22. "Deixa que os mortos sepultem os seus mortos": Esta frase, à primeira vista tão dura, corresponde à linguagem que por vezes empregava Jesus. Nessa linguagem entende-se bem que sejam chamados "mortos" os que procuram com afã as coisas perecedouras, excluindo do seu horizonte a aspiração pelas perenes.

"Se Jesus o proibiu - comenta São João Crisóstomo -, não é porque nos mande descurar a honra devida àqueles que nos geraram, mas para nos dar a entender que nada há-de haver para nós mais necessário que procurar as coisas do Céu, que a elas nos havemos de entregar com todo o fervor e que nem por um momento podemos diferi-las, por mais iniludível e urgente que seja o que poderia afastar-nos delas" (Hom. sobre S. Mateus, 27).

 

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