Quarta-feira, 25 de junho - Mt 7, 15-20

15Guardai-vos dos falsos profetas que vêm a vós com veste de ovelhas mas, por dentro, são lobos rapaces. 16Pelos seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? 17Assim, toda a árvore boa dá frutos bons, e a árvore ruim dá frutos maus. 18Não pode a árvore boa dar frutos maus nem a árvore ruim dar frutos bons. 19Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e deita-se no fogo. 20Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.


15-20. No Antigo Testamento alude-se com freqüência aos "falsos profetas"; é célebre o passo de Ier 23, 9-40. Denuncia-se ali a impiedade desses profetas que "profetizam por Baal e fazem errar o Meu povo Israel"; que "vos estão a enganar, vos contam as suas próprias fantasias, não coisa da boca de Yahwéh... Eu não enviei esses profetas e eles foram. Não lhes falei, e eles profetizaram"; que "desencaminham o Meu povo com as suas mentiras e as suas jactâncias, sendo verdade que Eu não os enviei, nem lhes dei missão alguma, nem fizeram ao Meu povo bem algum".

Na vida da Igreja a figura dos falsos profetas, de que fala Jesus, foi entendida pelos Santos Padres referindo-a aos herejes, que, embora se revistam de um hábito exterior de piedade e de reforma, todavia o seu coração não tem os sentimentos de Cristo (cfr Comm. in Matth., 7). São João Crisóstomo (Hom. sobre S. Mateus, 23) aplicava-o aos que aparentam virtudes que não têm, e com esta aparência enganam os que não os conhecem.

Como distinguir os falsos profetas dos verdadeiros? Pelos frutos. As coisas de Deus têm um sabor especial, feito de rectidão natural e de inspiração divina. O que verdadeiramente fala das coisas de Deus semeia fé, esperança, caridade, paz, compreensão; pelo contrário, o falso profeta na Igreja de Deus é o que com a sua pregação e o seu comportamento ou actuação semeia divisão, ódio, ressentimento, orgulho, sensualidade (cfr Gal 5, 16-25). Mas o fruto mais característico do falso profeta é afastar o povo de Deus do Magistério da Igreja, através do qual ressoa no mundo a doutrina de Cristo. O fim destes enganadores está também assinalado pelo Senhor: a perdição eterna.

 

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