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1Não julgueis, para não serdes julgados. 2Porque, com o juízo com que julgardes, sereis julgados e com a medida com que medirdes, vos será medido.
1-2. Como noutros lugares, os verbos na voz passiva ("serdes julgados", "vos será medido") têm como sujeito Deus, ainda que não esteja explicitamente dito: "Não julgueis os outros e não sereis julgados por Deus". E claro que o juízo de que se fala aqui é sempre um juízo condenatório; portanto, se não queremos ser condenados por Deus, não condenemos nunca o próximo. "Pois Deus mede como medimos e perdoa como perdoamos, e socorre-nos da maneira e com as entranhas com que nos vê socorrer" (Exposição do livro de Jó, cap. 29). 1. Jesus condena aqui o juízo que fazemos temerariamente acerca dos nossos irmãos, quando por ligeireza ou por malvadez julgamos pejorativamente acerca do seu comportamento, dos seus sentimentos ou das suas intenções. O malicioso dito "pensa mal e acertarás" está contra a doutrina de Jesus Cristo.
3-5. O que tem a vista deformada vê deformadas as coisas, ainda que estas sejam correctas. Já Santo Agostinho dava este conselho: "Procurai adquirir as virtudes que credes que faltam nos vossos irmãos, e já não vereis os seus defeitos, porque não os tendes vós" (Enarrationes in Psalmos, 30, 2, 7). Neste caso, o refrão popular "julga o ladrão que todos são da sua condição" concorda com esta doutrina de Jesus Cristo.
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